Jessica Bradley 

Meu primeiro amor


Apresenta:









CAPTULO UM



      Era uma manh esplendorosa de vero. O sol j estava quente e brilhante, quando Jessica Bradley saiu de casa para ir at os estbulos e acompanhar o trabalho
dos empregados do haras de seu pai.
      Enquanto caminhava sorridente, cumprimentando um empregado aqui e ali, ela arrumava o chapu branco, estilo country Stetson, sobre seus cabelos loiros, compridos
e cacheados, pensando nos trabalhos a serem realizados, e nem ao menos notava que alguns olhos acompanhavam suas belas pernas, moldadas na sela de um cavalo, em
um shorts jeans justo desfiado na barra.
      Hoje, para deleite dos funcionrios, ela estava com esse shorts, uma bota de couro cano alto, e uma camisa rosa justa sem mangas, amarrada na cintura. Naturalmente,
os olhares eram discretos, afinal os empregados mais velhos, aqueles que trabalhavam para o pai de Jess, antes mesmo de ela nascer, estariam de olho para garantir
o respeito que a patroinha merecia, pois sabiam que por trs de toda aquela beleza, havia tambm muita competncia, determinao e que ela era capaz de domar qualquer
cavalo, somente com palavras e ateno, afinal os animais do Haras Bradley eram encantados e no domados a fora.
      Ao chegar aos estbulos, ela ficou satisfeita, as baias j estavam limpas, a comida e a gua distribuda, e os cavalos recebiam os mimos merecidos, eram escovados,
seus cascos lixados e encerados e alguns estavam tomando seu banho:
      - Bom dia, Srta. Jess!
      - Bom dia, John! Como esto as coisas hoje?
      - Tudo em paz. Mais tarde chegar trs guas para Black Spirit cobrir. Parece at que ele sabe, logo de manh j deu trabalho aos tratadores. O soltamos no
curral leste para ele extravasar o te...  John ficou vermelho, havia esquecido que estava falando com uma dama e sua patroa - ... a adrenalina.
      Jess notou o rubor de John e deu uma risada gostosa, dando um tapinha camarada nas costas do velho senhor. John Watson, o administrador dos estbulos, trabalhava
para seu pai a mais de 25 anos e a conhecia desde beb, e mesmo sabendo que podia trat-la de igual para igual, no o fazia. Abraando John pelos ombros deixando-o
mais sem graa ainda, ela disse:
      - Pode deixar John, eu vou falar com ele. Ele ficar mais calmo at a hora da chegada das guas, tudo bem?
      Black Spirit era um garanho potente, o melhor e mais premiado puro sangue do pas. Sua linhagem vinha de longa data e todos os seus antepassados, assim como
seus descendentes, eram campees e, suas coberturas custavam alguns milhares de dlares que os outros criadores pagavam com prazer. Mas as guas escolhidas tinham
que ser fortes para agentar sua empolgao sem correr o risco de se machucarem, mesmo todo o processo ser acompanhado de perto por peritos.
      Mais vermelho do que nunca o homem discretamente se desvencilhou do brao de Jess e respondeu:
      - Se a senhorita diz.
      Jess tocou o chapu, cumprimentando John do jeito que ele costumava fazer com ela e saiu. Passando perto da cesta de mas, pegou uma, se dirigiu ao curral
onde Black Spirit exercitava-se e assobiou chamando-o perto da cerca. O cavalo relinchou e se aproximou majestoso, balanando sua crina negra e mostrando-se  fmea.
      Jessica estendeu-lhe a mo com a ma e Black Spirit comeu-a de uma nica mordida e ela falou mansamente:
      - E a, garoto, dando trabalho, para todos esses homens metidos a maches? Ser que voc poderia ficar calminho? Mais tarde voc ter belos pares de ancas
a seu dispor.
      Ela passava a mo no pescoo do animal e como por encanto, ele ia se rendendo, se entregando.
      Sem ser visto, John observava-a do estbulo, pensando, que a menina era boa mesmo com os animais.
      Jessica levou um susto, quando o celular que estava em seu bolso tocou, assustando tambm Black Spirit, afastando-se dela.
        Quem poderia ser uma hora dessas? Pensou ela. As pessoas que tinham seu nmero jamais ligariam to cedo. Tirou o celular do bolso do shorts e viu o nome
de sua melhor amiga, Mia Thunderheart, escrito na tela.
      Jessica empalideceu e titubeou antes de atender, s haveria uma razo para amiga ligar-lhe to cedo assim:
      Sam!
      A amiga nunca, nem quando eram crianas, acordava to cedo. Jessica tinha certeza que a ligao de Mia tinha algo a ver com Samuel Thunderheart, o irmo mais
velho de Mia e o grande amor impossvel de Jessica, pelo menos por enquanto impossvel, pensou Jessica. Ela sabia que um dia Sam seria seu, quando a diferena
de quinze anos entre eles no pesasse tanto. Talvez como agora, devaneou ela...
      E por um instante Jessica voltou no tempo...

      Ela e Mia sempre foram inseparveis, suas famlias eram proprietrias de fazendas vizinhas e nutriam uma amizade slida antes mesmo das meninas nascerem.
      Elas fizeram e aprenderam quase tudo, juntas, somente se separaram depois do colgio. Jessica foi para a faculdade de Veterinria e Mia foi para a de Moda.
Mesmo com a distncia continuaram a ser confidentes e era sempre uma festa quando se encontravam nas frias.
       Desde quando Jessica se entendia por gente, Sam fizera parte de sua vida e a vida inteira ela fora completamente, abarrotadamente apaixonada por ele.
      Ele fora o adolescente e agora o homem mais lindo que Jessica j vira, porm durante todo esse tempo, ela fora tratada por ele, como a outra irm mais nova.
      Sam a havia visto nascer. Dera-lhe inmeras mamadeiras, a vira dar os primeiros passos, j a colocara para dormir inmeras vezes, e depois, a ensinara a nadar,
a pescar, a cavalgar, e mais tarde, a arte de domar os cavalos atravs do mtodo Monty Roberts, o famoso encantador de cavalos.
      Mesmo com a diferena de idade, ele jamais havia sido como os outros garotos. Nunca a destratara por ser menina, mais nova, mais inexperiente, ele sempre a
protegera e bajulara, assim com Mia claro. Fora o irmo e amigo mais perfeito que uma menina poderia querer.
      E conforme ela foi crescendo o aparente amor fraternal que sentia por ele foi se modificando.
      Quando ela tinha somente trs anos, Sam foi para a faculdade e por duas semanas ela ficara doente sem explicao nenhuma. No comia mais, no queria mais brincar,
chorava pelos cantos sem razo. Os pais, preocupados, chamaram o mdico da famlia e depois do exame, dizendo que aparentemente ela no tinha nada fsico, perguntou
se, por acaso, ela teria passado por algum trauma; se perdera algum animal de estimao, se algum amigo havia se mudado, ou um parente haveria falecido. Ento os
pais entenderam que ela somente sentia falta de Sam, seu irmo de criao, e por mais incrvel que parea, sua doena acabou quando Sam, a pedido de seus pais e
os de Jessica, ligava diariamente para a menina. Contando os dias juntamente com ela, para as frias, quando ele retornaria a fazenda para faz-la ficar bem.
      Aos doze anos, quando as meninas comeavam a olhar os meninos no mais como inimigos, ela percebeu que Sam nunca fora o inimigo, nem o irmo, mais seu primeiro
e nico amor, mas ela sabia que era s uma criana ainda e ele j um homem de 27 anos. Formado na Faculdade de Comrcio Exterior e tambm Zootecnia. Havia estudado
como um louco para conseguir acompanhar e cuidar dos negcios da famlia.  E havia tambm suas conquistas, suas namoradas, fatos que a perturbavam e entristeciam
mais do que era normal, mas ela esperaria pacientemente at seu dcimo quinto aniversrio, onde aos seus olhos, ela seria apresentada  sociedade como mulher.
      Jessica sempre fora linda, nascera linda e continuou assim. J era adorada por garotos mesmo no jardim de infncia e bem, ao entrar no colegial, tinha uma
legio de fs, mas nenhum deles tinha qualquer chance com ela. Seu corao j era de outro h muito tempo. Mas na festa de seus quinze anos, ela superou todas as
expectativas, ela estava deslumbrante, encantadora e por mais que parea agressivo dizer isso de uma menina dessa idade; incrivelmente sexy. E era exatamente isso
que Jessica queria estar irresistvel, pois ela decidira que seria nesse dia que ela declararia seu amor a Sam. Ela tinha um plano e foi esse plano que talvez, a
fez perder Sam para sempre.
      A festa estava maravilhosa, cheia de convidados ilustres, pessoas que Jessica nem conhecia. E l estava ele esplendoroso, vestido no seu smoking.
      Sam havia ficado alto, 1,85m de puro msculo, conquistados com muito esporte e muito trabalho pesado em seu haras. Apesar de hoje trabalhar mais na parte administrativa,
ele no perdera o bronzeado que conquistara trabalhando ao ar livre. Seus cabelos eram lisos e loiros, clareados naturalmente nas pontas pelo sol, seus olhos eram
de um azul profundo, quase pretos, como a parte mais profunda dos mares caribenhos. Seu rosto era forte e tinha o poder de causar impacto, seu maxilar era quadrado,
como esculpido em mrmore, seu nariz era pequeno em contraste com a boca generosa e os olhos grandes. E no havia uma mulher que no sucumbisse a Sam, caso ele a
quisesse.
      Alm de lindo ele era charmoso, educado, gentil e milionrio. E mesmo com todas essas qualidades, Sam estava sempre sozinho nas festas de aniversrios ou nos
feriados comemorativos e quando os pais decidiam pression-lo, pois achava que estava na hora dele arrumar uma esposa, ele desconversava e dizia que ainda no havia
achado a mulher certa.
      Jessica sonhava que ela era essa mulher...
      E se lembrava como uma tortura de todos os detalhes daquela noite.
      Ela havia se aproximado quase flutuando na roda de amigos onde Sam estava com uma taa de champagne nas mos e percebeu com satisfao que todos os homens
da roda pararam de falar para olh-la com admirao, ela pediu a Sam docemente:
      - Posso falar-lhe por um instante?
      - Claro!  respondeu Sam solicito  com licena  pediu educadamente e pegando o cotovelo de Jessica se dirigiu a um lugar mais reservado, perguntando:
      - Algum problema, Jess?
      Jessica tremia, pegou o copo das mos de Sam e bebeu o champagne num s gole. Precisava do lcool para que tivesse coragem e o fez antes que Sam pudesse impedi-la,
tirando o copo vazio de suas mos dizendo alarmado:
      - Hei! Que eu saiba voc est fazendo quinze anos e no dezoito. Bebidas alcolicas ainda so proibidas para voc.
      Jessica percebeu que Sam estava um pouco alterado, ele devia ter bebido mais do que costumava. O que era uma surpresa! Sam jamais ficara bbado, pelo menos
nas festas das famlias, mas precisava continuar com seu plano e disse sedutora:
      - E beijar, Sam, eu j posso beijar ou preciso alcanar a maioridade para isso tambm?
      Sam pareceu perturbado, mas mesmo assim disse:
      - Por mim, voc no beijaria ningum at precisar de bengala para se manter em p  a resposta pegou Jessica de surpresa, mas Sam continuou:
      - Por que, Jess, voc quer beijar algum?  para sua surpresa, ele observava atentamente sua boca.
      - No...  a voz de Jess falhou quase a entregando, mas conseguiu firmar a voz e completou - no quero, mas querem me beijar!
      - Quem?
      - Matheo.
      - E voc quer minha opinio se deve ou no beijar esse tal de Marco?  isso?
      - Matheo.
      - Tanto faz.
      Jessica no estava reconhecendo Sam. Ele sempre fora to srio, to gentil e de repente parecia sarcstico. Sim, pensou, podia ser o excesso de bebida. Ela
tomou coragem e por fim disse:
      - No, Sam, eu no quero sua opinio, eu quero sua ajuda. Eu preciso que voc me ensine a beijar, caso, bem, eu queira beijar Matheo depois.
      - O qu?!  Sam arregalou os olhos e olhou-a como a uma estranha
      - Isso que voc ouviu, eu preciso que voc me ensine a beijar...
      - Cristo! Eu no posso fazer isso, voc  minha irmzinha...
      - No, Sam, eu no sou sua irmzinha! Eu no acredito que voc me negar isso no dia do meu aniversrio  ela fez um beicinho que sabia que Sam no resistiria,
ele nunca conseguira dizer no ao seu beicinho  eu preciso aprender a beijar. E por que no com voc? Sei que no zombar de mim, caso eu seja um fracasso...
      - No, Jess, no e no  ele comeou a se afastar dela.
      - Por favor, Sam  ela segurou seu brao e l estava aquele beicinho de novo  eu no acredito que voc far isso comigo. Voc no v, eu estou precisando
de voc, agora, me ajude, por favor... Voc quer que todo mundo pense que eu sou uma fraude, todo mundo do colgio acha que eu sou uma expert em beijar, em seduzir...
      - E posso saber o porqu deles pensarem assim? No mnimo voc deve ter dado motivos.
      - No, eu no dei...  ela hesitou antes de falar  acho que o problema  minha aparncia. J ouvi algumas pessoas no colgio comentando que sou uma exploso
de sexualidade e que seria impossvel eu ter somente quinze anos... com esse corpo...  isso, eu no posso simplesmente ser uma negao beijando, se outros acham
que eu sou boa nisso.
      - E desde quando voc se preocupa com que os outros falam, Jess? O que est acontecendo com voc? Primeiro essa coisa de eu te ensinar a beijar... No, no
adianta fazer esse beicinho, dessa vez no vai dar.
      - Por favor, Sam, por favor  ela tinha lgrimas nos olhos. Ela precisava convenc-lo, claro que no existia nenhum Matheo que queria beij-la. Ela somente
queria que seu primeiro beijo fosse com Sam, jamais imaginou que ele iria negar-lhe, j que ela sabia que ele j havia beijado metade do estado.
      Ento resolveu jogar um pouco mais baixo:
      - Meu Deus, como voc est puritano! Eu s estou pedindo um beijo, no  nada demais j que beijou mais garotas do que voc pode contar, eu somente seria mais
uma da sua lista.
      - Eu no sou puritano! Mas voc... eu no posso beij-la como se voc fosse mais uma... Voc no entende...
      - Sei, sei! Eu no sou sua irm, droga, eu s estou pedindo para que voc me ensine a beijar...
      Algumas cabeas se viraram para olh-los, sem perceber eles haviam se alterado e falavam quase gritando e Sam sabia que a ltima frase fora ouvida por algumas
pessoas.
      Pegando firme a mo de Jess, Sam comeou a pux-la para longe dos convidados. Ele saiu do salo, onde estava se realizando a festa e foi para o jardim, mas
onde ele olhava havia gente e continuou arrastando Jessica.
      - Sam, voc est me machucando, me solte...
      - No, voc vem comigo! Voc quer uma porcaria de um professor de beijo?  isso que voc ter!
      Jessica lembrava-se como seu corao acelerou e seu corpo automaticamente comeou a tremer e ela s conseguia pensar: ele vai me beijar, ele vai me beijar...,
no importava mais que seus ps, a todo instante, viravam por causa do salto alto, ou os tropees que dava, ao enroscar-se na barra do vestido longo.
      Sam no achava um lugar que no houvesse ningum, eles andaram, passaram pelos carros estacionados e mesmo nos carros havia adolescente se agarrando. Ele acabou
chegando perto dos estbulos e Jessica pde sentir o cheiro to familiar de feno misturado com o dos cavalos, que ela amava e conhecia desde quando nascera, assim
como era com Sam.
      Sem ao menos dizer o que ele iria fazer, Sam encostou Jessica na parede lateral do estbulo e grudou sua boca na dela, sem aproximar o corpo, segurava firme
o pulso de Jessica. Foi um beijo sem carinho, somente lbio contra lbio, mesmo assim, Jessica achou que iria desfalecer. Em sua mente a mesma frase se repetia agora
num tempo verbal diferente: ele est me beijando, ele est me beijando...
      E aos poucos Sam amenizou a presso. E somente com os lbios ele a beijava suavemente. Primeiro os lbios superiores de Jess, depois os inferiores, dando leves
mordidas, sem machucar. Jessica no agentava mais, entreabriu os lbios convidando, instigando Sam a aprofundar o beijo e ele no hesitou tomou posse do que j
era seu. Passou sua lngua vagarosamente entre os lbios de Jess e entrou j explorando o interior de sua boca. Jess soltou um gemido de puro deleite e mesmo sem
nenhuma experincia, seu instinto a fez se aproximar mais de Sam e grudar seu corpo no dele.
      Sam soltou o pulso de Jess e a enlaou pela cintura, trazendo como se fosse possvel, mais para perto de si. O beijo agora se transformava num beijo exigente,
apaixonado. Eles no sabiam mais de quem eram os gemidos. Jessica percebeu, com a pouca coerncia que ainda lhe restava, que simplesmente Sam havia se entregado.
Ele era dela ali, somente dela e nada mais importava.
      Quando ele desesperadamente tentou alcanar suas coxas j bem torneadas pelo manejo com os cavalos, no meio de todo aquele tecido e tule, ela no resistiu
ou protestou. Quando ele finalmente conseguiu chegar a suas pernas e rasgou sua meia-cala, ela somente gemeu e arqueou os quadris oferecendo-se, pedindo mais. Em
nenhum momento ele parou de beij-la, nem ao menos para explorar seu pescoo ou seu colo exposto pelo decote tomara que caia. E quando ele afastou sua calcinha e
introduziu delicadamente um dedo dentro dela, j mida e quente, ela achou que desmaiaria de tanto prazer e o gemido de Sam dizia mais do que qualquer palavra.
      Ele pegou a mo de Jess e a pressionou sobre sua cala, mostrando sua excitao. Jess sentiu pela primeira vez a rigidez de um membro masculino em suas mos,
mais uma vez por instinto comeou a massage-lo sobre o tecido, fazendo Sam intensificar sua investida dentro dela. Agora ele introduzia, num movimento frentico
de vai e vem, dois dedos dentro de Jess e com o seu polegar massageava seu clitris, levando Jessica a um ponto inimaginvel de excitao. Jessica se pressionava
a ele, sem entender at onde aquela agonia prazerosa iria lev-la e numa contradio espantosa, ela no sabia se queria que aquilo acabasse ou jamais terminasse.
      E a nica frase entrecortada que ela ouviu de Sam foi:
      - Solte-se... Deixe vir... Vem comigo, Jess... Vem...
      Seu corpo aceitou sem questionar o comando dele. Primeiro ela sentiu seu corpo se retesando e depois se soltando com uma exploso de puro gozo.
      Cores.
      Espasmos corporais.
      Perda total da capacidade de se manter em p.
      Sam abafou seu grito com sua boca e ela sentiu em sua mo a essncia do macho, quente e mida.
      Totalmente entregue, com sua cabea apoiada no ombro de Sam, ela sentia a respirao dele, voltando ao normal em seu pescoo, enquanto com uma mo atrs de
suas costas ele se segurava na parede do estbulo e outra ele tirava gentilmente de entre suas pernas. Passando a lngua nos lbios ressequidos e inchados, ela preguiosamente
disse, limpando a garganta para a voz sair:
      - Eu amo voc, Sam, amo voc...
      Sam como acordando de um pesadelo e no de um sonho bom, afastou-se de Jessica bruscamente, quase a fazendo cair, virou-se de costas, tampou seu rosto com
as mos.
      Jessica sem entender nada e sentindo um frio repentino, sem saber se pela falta dos braos de Sam, ou pelo sentimento inesperado que a acometeu: ela poderia
perd-lo para sempre. Tentou se aproximar colocando a mo no ombro de Sam, chamando baixinho.
      Sam se encolheu como se o toque dela fosse contagioso, virou-se vagarosamente, dizendo, em tom de lamento:
      - Ah, Jess, ah, Meu Deus, o que eu fiz?  o restante da frase foi como um golpe fsico em Jess  voc  somente uma criana... Uma criana... Como uma irm
para mim! E eu a tratei como uma... uma...
      Jess se afastou com a mo no estmago e quase gritou:
      - No!
      - Sim, Jess, sim. Eu sou um homem, porra! Homem! No uma droga de um moleque com os hormnios alterados, eu deveria ter me controlado, me desculpe...
      Enquanto Sam falava, Jessica somente conseguia balanar a cabea negativamente, dizendo no, no e lgrimas escorriam sem parar de seus olhos.
      - Voc no entende, eu sou o cara que deveria te proteger de homens como eu, que se aproveitam de meninas ingnuas como voc... e olhe que eu fiz, me comportei
como um cafajeste, nunca me senti to vil, como agora...
      - Pare, Sam, por favor, pare  Jessica chorava, ela no podia acreditar que Sam no a amava, que Sam no havia percebido que algo maravilhoso e especial tinha
acontecido, que cada palavra que ele pronunciava era como um golpe fsico nela.
      - No, Jess, voc que no est compreendendo! Como poderei encarar seus pais, meus pais, depois disso?! Eu sou como o irmo que voc no teve para eles, meu
papel sempre foi e sempre ser de proteg-la, cuidar de voc... No denegri-la a uma qualquer, olha o estado que voc est...
      - Eu estava tima, at voc comear a falar esse monte de besteiras!  gritou Jessica  ser que voc no consegue ver? Eu amo voc, sempre amei e...
        - No, por Cristo, no! O que voc sente por mim,  somente uma admirao, um amor fraternal, voc nem tem idade para saber o que realmente  amar algum...
Voc  s uma criana e eu... me aproveitei de voc... No tem desculpa o que fiz...   Sam mais uma vez praguejou e xingou sem conseguir se controlar.
      - Pare de achar que eu sou s uma criana, voc no se aproveitou de mim, voc sabe melhor que ningum, Sam, que nenhum homem conseguiria fazer o que voc
fez se eu no deixasse, se eu no quisesse  Jessica tentou se aproximar, mas Sam no deixou, afastando-se  lembra, voc mesmo me ensinou, eu monto cavalos desde
os trs anos e domo-os desde os dez, voc acha que no tenho fora para impedir um homem de por a mo em mim? Eu queria voc, eu quero voc, eu amo voc...
      Cada palavra de Jessica fazia Sam dar um passo para trs, Jessica sabia que estava perdendo-o e isso a estava dilacerando e ela no sabia o que fazer para
mudar o que estava acontecendo.
      - Jess, me perdoe  Sam tinha lgrimas nos olhos, Jessica nunca havia visto Sam chorar, nunca. Para ele, homens, principalmente cowboys, no choravam jamais
e v-lo to abatido, envergonhado, a encheu de culpa e vergonha.
      - Sam...
      - Desculpe-me, perdoe-me, mas estou mal agora, preciso sair daqui, merda! Preciso... Estou me sentindo o ltimo dos homens, um escroto. Eu no vou conseguir
voltar para sua festa, como se nada tivesse acontecido. Sei que deveria ficar e lhe dar apoio, dizer coisas que amenizasse o que fiz, mas... simplesmente, no d...
Eu preciso sair daqui... Eu preciso ir embora...
      - No, Sam, fica comigo, por favor, eu...
      - No, Jess, a nica coisa que posso lhe dizer agora,  que esse sentimento que voc pensa ter por mim...
      - Eu no penso, eu tenho!
      - Tudo bem, querida, tudo bem, esse sentimento que voc tem por mim, ir se mostrar da maneira como ele , que  admirao, paixo de adolescncia e desaparecer
com o tempo e tenho medo que um dia voc me odeie pelo que aconteceu hoje e eu no poderei viver com seu dio...
      E uma exploso de raiva acometeu Jessica:
      - Eu no vou odi-lo Samuel Thunderheart, eu j o odeio...
      Jessica saiu correndo em direo a casa, segurando seu vestido todo amassado, chorando. Ela queria que Sam viesse atrs dela, consol-la, peg-la nos braos
dizendo que a amava, mas Sam no veio. E ela conseguiu com a ajuda de Mia se recompor e voltar  festa, para no ter que dar maiores explicaes aos pais. Ela lembrava-se
que Mia queria matar o irmo, mas ela disse que o deixasse em paz que toda culpa era dela mesma, acreditando que um homem olharia uma menina como ela, como uma mulher.
      E depois desse dia, Jessica o havia visto somente em mais trs ocasies, dois natais e um aniversrio de Mia e somente por alguns minutos, que sempre que ela
chegava, ele arrumava uma desculpa para ir embora. Sam mudou-se da fazenda para o apartamento em Dallas, transferindo os principais negcios da famlia para o escritrio
de l, alegando que assim facilitaria a abertura de novos contratos e negociaes.
      E agora havia mais de trs anos que eles no se viam e todas s vezes que Jessica tentava contato, ele inventava uma desculpa, ou quando atendia suas ligaes,
falavam de banalidades. Sam jamais mencionara o ocorrido e quando Jess tentava, ele desligava inventando mais desculpas.
      Mas seu amor, no era somente admirao, no era uma paixo de adolescncia e no desaparecera com o tempo, ela ainda o amava, mesmo agora com 20 anos, ela
no o havia esquecido e tinha certeza que esse telefonema de Mia, mudaria para sempre sua vida.



      CAPTULO DOIS


      - Jess!  a voz de Mia estava estridente, sinal de problemas, pensou Jessica  por que voc demorou tanto para atender essa droga de celular...
      - Bom dia, Mia!
      - Bom dia, querida, desculpe, estou uma pilha de nervos, pensei que no conseguiria falar antes...
      - S um minuto, Mia  pediu Jess abaixando o telefone quando Billy, um dos empregados se aproximava:
      - Sim, Billy?
      - A Sra. Mavis, pediu-me para avis-la que o Sr. e a Sra. Thunderheart esto aqui e que seus pais mandaram cham-la.
      - Obrigada, Billy.
      - At, senhorita.
      Jessica viu o rapaz se afastar e colocou o telefone novamente na orelha, antes mesmo de conseguir falar algo, ouviu Mia assoprar e dizer:
      - Eles j esto a... Jessica antes de ir para casa, escute-me, por favor!
      - Mia  a voz de Jessica tremia, o problema era bem mais srio do que ela imaginara, se os pais de Sam estavam ali  o que aconteceu a Sam? Ele est machucado,
ele est...
      - No! Jessy, calma, respire, respire e sente-se... Deus, depois de todo este tempo voc ainda o ama tanto assim?
      - Mais a cada dia, Mia  conseguiu Jessica falar depois de respirar fundo algumas vezes e sentar-se na grama perto do curral.
      - Jess, isso  obsesso, no pode ser amor...
      - Por favor, Mia, o que est acontecendo? E ns j conversamos sobre isso, eu amo seu irmo e pronto. Eu no sei explicar. Eu, s vezes, tambm no compreendo
como isso ainda est dentro de mim, depois de tanto tempo, mas est aqui.
      - Tudo bem. A verdade  que eu estava tentando facilitar as coisas para mim e no para voc. Como sei que a notcia que lhe darei vai doer e doer muito, doer
muito mais em mim...
      - Mia!  gritou Jess ao telefone, sem precisar dizer mais nada para mostrar para a amiga que ela j enrolara demais. E Mia disse de uma vez:
      - Sam vai se casar, Jess. Meus pais esto a para contar a novidade aos seus pais e para que sua me ajude mame na festa de noivado que acontecer daqui a
duas semanas. Eles estavam aqui em Dallas ontem, a pedido de Sam para conhec-la. A festa ser somente uma formalidade imposta pela minha me, pois na verdade ele
j a pediu em casamento e ser o mais breve possvel de acordo com Sam... Jess? Jess?!
      Jessica parou de ouvir depois da primeira frase, achou que no tinha escutado muito bem, mas no, ela ouvira bem, Sam iria se casar. Por um momento ela pensou
que jamais iria respirar novamente, ouviu Mia chamando:
      - Jess, fale comigo, Jess...
      - Estou aqui, Mia  Deus, como ela conseguia falar!
      - Desculpe-me, eu sei que isso di, mas ns sabamos que isso iria acontecer um dia, no sabamos?
      - Acho que sim.  Jess no estava mais pensando
      - Jess, grite, chore, faa alguma coisa que estou acostumada ver voc fazendo quando est nervosa, por favor, no fique aptica agora...
      Jessica respirou profundamente vrias vezes e por fim perguntou:
      - Quem  ela?
      Mia pensou que essa era a parte mais difcil, achou que Jessica no perguntaria isso agora:
      - Ela  uma modelo inglesa.
      - Uma modelo?! Mas como... Mia, voc os apresentou?! Eu no acredito que voc apresentou a futura esposa de seu irmo para ele, no acredito que foi voc...
 Jessica levantou-se do cho e comeou a caminhar para a casa, apressada j com uma idia despertando em sua cabea.
      - Me desculpe Jess, eu no sabia que ele iria pedi-la em casamento. Voc sabe que meu irmo depois que se mudou da fazenda, transformou-se num Casanova, na
minha cabea ela iria ser somente mais uma!
      - Droga, droga! Eu sei Mia, que voc no tem culpa, mas puxa vida, uma modelo... Mia, estou indo para Dallas.
      - O que?! Voc no pode vir para c agora, Jessica, no agora.
      - Por que no?
      - Porque voc no ouviu nada do que eu disse... Agora  tarde demais. Por que voc no veio antes quando tinha uma chance de conquist-lo? Agora  tarde...
      - No, no  tarde demais, agora  a hora certa, j tenho 20 anos, j sou uma mulher, j estou quase me formando, ele no me ver mais como uma irmzinha.
      - Jess, voc no est entendendo, ele a trouxe com ele da Inglaterra, eles j esto morando juntos. Ela trouxe uma infinidade de malas...
      - Oh, Deus, eu vou desmaiar...  Jess encostou-se em uma rvore.
      - No, Jess, voc no vai desmaiar, voc no  uma mulher que desmaia, voc sabe disso. Nossa, quando o assunto  meu irmo, voc realmente fica irreconhecvel.
      - Tudo bem, eu no vou desmaiar, eu vou para Dallas e vou destruir um relacionamento, ,  isso!
      - Jess, por favor, ele  meu irmo, no posso dessa vez ficar do seu lado.
      - Voc gosta dela, no  Mia?
      - Acho que sim, no sei ainda, mas isso no tem nada a ver com ela, tem a ver com voc e Sam, eu no quero que nenhum dos dois sofra. E se ele realmente gostar
dela, Jess?
      - Eu posso fazer seu irmo mais feliz que qualquer mulher no mundo, isso no basta para voc?
      - Pare por um momento e se escute! Voc acha mesmo que este sentimento que voc nutre por Sam,  saudvel? Eu tenho quase certeza que no!
      - Mia...
      - No, Jess, tente lembrar-se, voc se negou a amar outra pessoa, no deixou nunca ningum realmente se aproximar. Voc ficou com quantos caras na faculdade
nesses dois anos? Dois. E por quanto tempo, nem uma semana cada um. Deus, Jess, quantas mulheres de sua idade que ns conhecemos que ainda  virgem e espera por
seu prncipe encantando? Eu respondo, voc no precisa se preocupar. Sem ser voc, nenhuma!
      - Mia, eu j lhe falei milhares de vezes a mesma coisa, mas vou tentar ser paciente e dizer-lhe novamente: Eu amo Sam, no sei por que, no sei por que durou
tanto, se nem ao menos o vejo para alimentar esse amor, eu sei que parece maluquice, mas... eu o adoro e algo me diz que ele tambm me ama, somente nega essa amor
por achar proibido. E nenhum cara conseguiu me tocar como Sam...
      - Claro! Voc no deixou...
      - No estou falando desse jeito, sua pervertida!
      - Eu sei, somente estava tentando desanuviar.  Mia respirou profundamente e perguntou  tudo bem. Quando voc vem?
      - Agora! Assim que entrar em casa, mandarei o piloto preparar o helicptero, estarei a no mximo em trs horas. Pegarei um txi e a encontro em seu ateli.
E Mia no conte para Sam que estou indo, quero fazer uma surpresa, OK?
      - Jess, a cidade est uma loucura e sei como voc se sente em cidades grandes, eu pedirei para algum peg-la. E no contarei a Sam, apesar de no gostar disso.
      - Mas voc no estar omitindo nem mentindo, ele nem sabe que estarei indo, no far nenhuma pergunta a respeito.
      -  acho que voc est certa, agora vou desligar, tenho milhares de coisas para resolver da loja hoje. Beijo, te vejo mais tarde, ento. Tchau!
      - Tchau, Mia.
      Mia desligou o telefone e ligou para seu motorista:
      - Gmez?
      - Sim, seorita Mia, j estou saindo para ir apanha-la.
      - Ah, sim, obrigada. Voc ter servio mais ou menos daqui umas trs horas?
      - Que eu saiba, no, seorita. Seu irmo gosta de dirigir seu prprio carro, portanto estarei livre o restante del dia.
      - timo, voc poderia ento, buscar a Srta. Bradley no heliporto no centro da cidade e leva-la at meu ateli?
      - Ser um prazer, seorita.
      - Obrigada, e Gmez, gostaria que caso voc viesse a conversar com meu irmo no mencionasse esse servicinho extra.
      - Pois no, seorita.
      - Obrigada, Gmez e at mais tarde.
      - De nada, seorita.
      Mia desligou o telefone e se dirigiu ao banheiro para comear seu dia.


      CAPTULO TRS


      Jessica correu e entrou pela porta da cozinha, apesar de no querer encontrar ningum, encontrou a Sra. Mavis, juntamente com Maria preparando um caf da manh
reforado para os convidados. Como ela ainda no as havia visto, cumprimentou:
      - Bom dia, Mavis, Maria.
      - Bom dia, Jessica.
      A Sra. Mavis trabalhava para os Bradley desde que Jessica nascera e percebeu que havia algo errado com a menina. Discretamente pediu que Maria sasse, enquanto
Jessica ligava para o ramal do piloto para avis-lo da viagem.
      - Algo errado, Jessica?
      - No, Nana  o apelido carinhoso que Jessica a chamava desde pequena, Jessica pos um biscoito na boca  somente vou ver Mia, voltei da faculdade e ainda no
nos vimos, estou com saudades...
      - Humm, sei...
      Jessica olhou-a sem entender a ironia.
      - E voc pelo jeito no vai cumprimentar seus tios e nem falar para seus pais que voc est indo viajar?  como os Thunderheart eram amigos antigos, Jessica
os chamava de tios, apesar de no terem parentesco algum.
      - No para as duas perguntas.  ela foi se levantando, pois no queria dar mais explicaes para a mulher que a conhecia to bem, como sua prpria me.
      - Sente-se, mocinha! Agora voc vai me dizer que essa sua ida repentina para a cidade, um lugar que voc evita como a peste, no tem nada a ver com uma notcia
que ouvi l na sala.
      Ah, droga -  pensou Jessica.
      - Que notcia? Acabei de entrar, no sei do que voc est falando.
      - Ah, no sabe?! Pois bem, eu nunca vi a Sra. Claire to feliz, agora que Sam, at que enfim, encontrou sua cara metade.
      Jessica se segurou para dizer com todas as letras que aquela mulher no poderia ser a cara metade de Sam e se entregar fcil, fcil para sua eterna bab.
      - Ah, Sam vai se casar? Que bom. Cumprimente tia Claire e tio Harry por mim.
      - Eu no sei com quem voc pensa que est falando, menina, mas acho que voc me subestima.
      - Nana...  Jess estava com pressa e no queria mais um sermo, j bastava o da Mia, mesmo tendo quase certeza que Nana no sabia de seu amor por Sam, ou sabia?
      - Sente-se, s levarei um minutinho  Jessica sentou-se novamente e pensou que se no fosse sua paixo pelos cavalos, deveria ter se mudado da casa dos pais
a tempos.
      - Bem, menina, agora que voc j est bem grandinha para entender o que vou dizer a vai: eu vejo voc correndo atrs desse rapaz desde quando voc usava fraldas
e vejo, ou via, o mesmo rapaz se dobrando de atenes para uma menina que na idade dele, ele deveria no mnimo ignorar. E todo mundo achando lindo o amor fraternal
entre os dois. S que eu vou dizer uma coisa: somente quem  cego para no enxergar que vocs dois foram feitos um para o outro, digo como homem e mulher...
      Cada frase que Nana terminava Jess arregalava mais os olhos.
      - E digo mais, eu no sei o que aconteceu, mas ningum foge como Sam fugiu de voc, caso voc no significasse nada para ele  Nana se aproximou de Jess e
pegou as mos da menina e continuou  s espero que voc no tenha demorado demais para lutar por ele, criana  beijou a testa de Jess e disse  agora v, eu falarei
para seus pais que voc partiu depois que o helicptero estiver no ar.
      Jessica ficou sem palavras, sua Nana era realmente maravilhosa. Deu um abrao apertado nela e saiu da cozinha com suas esperanas renovadas, graas s observaes
valiosas de sua bab.
      Jessica tomou um banho rpido, escovou os cabelos molhados sem sec-los e foi para o closet fazer sua mala e se vestir para a batalha de sua vida. Ela era
uma mulher da fazenda, apesar de seu guarda-roupa ter vestidos de festas e roupas refinadas, na sua maioria era jeans, blusinhas das mais variadas, camisas, botas
e chapus. Claro que no eram peas baratas, tudo fora comprado nas melhores e mais caras lojas de Dallas, mas mesmo assim, quando Jess foi arrumar sua mala, foi
a primeira vez em sua vida que sentiu vontade de ter um outro estilo, pois afinal iria guerrear como uma top model.
      Jogando mais uma cala jeans na mala, Jess espantou estes pensamentos, afinal, Sam a conhecia a vida inteira e se fosse para ser seu a amaria como ela era,
no como poderia ser.
      Com esse pensamento fechou a mala j pronta. E foi procurar algo para vestir por cima de seu conjunto branco rendado da Victorias Secret. Decidiu por uma
cala jeans escura, com pequenas rosas brancas bordadas na cintura baixa, uma regata de cotton lycra branca, que mal chegava ao cs da cala deixando a amostra seu
piercing de diamante, uma das loucuras da faculdade, no umbigo, uma bota de couro preta toda trabalhada que custara uma fortuna e seu chapu Stetson predileto. Ajeitando
o chapu branco sobre seus cachos loiros, ela se olhou de corpo inteiro no imenso espelho e aprovou sua aparncia. Caso tivesse um confronto com a futura ex-esposa
de Sam, quando chegasse ao apartamento de Mia, que ficava um andar abaixo da cobertura dele, ela estaria  altura para enfrentar a fera.
      Passou um batom cor de boca nos lbios, pegou a mala e se dirigiu aos fundos da propriedade, onde ficava o helicptero do pai.
      - Bom dia, Terrence. Lindo dia para voar, no?
      Pegando a mala da mo de Jess e ajudando a subir, respondeu:
      - Bom dia, srta. Jessica. Lindo mesmo, chegaremos a Dallas sem problemas.
      - Obrigada, Terrence.  falou Jess se ajeitando no banco e colocando o cinto de segurana.
      No passou despercebido a ela, o olhar desejoso, porm discreto do novo piloto, ela estava acostumada a isso. Impossvel no estar, ela ganhara muitos ttulos
de beleza em sua vida estudantil. Alm, de acordo com Mia, ter destrudo inmeros coraes e no fosse seu jeito simples, at debochado de viver e tratar as pessoas,
ela tinha certeza que hoje seria uma garota odiada em seu meio, mas no era assim, as pessoas realmente gostavam dela. O que h incomodava um pouco era ela ter que
provar mais do que as outras mulheres, que alm de beleza, ela tinha tambm um crebro.


      CAPTULO QUATRO


      - Minha nossa, Janice, eu no posso ficar fora um dia que tudo vira um caos? Perguntou Sam, apertando os olhos em um sinal de cansao. Esse era um gesto que
acompanhava Sam desde criana, quem o conhecia bem, sabia que quando ele fazia esse gesto algo o preocupava.
      - Parece que sim, Sr. Thunderheart  respondeu Janice Smith, secretria anteriormente de pai de Sam e agora dele.
      - Pode ir, Janice, termine de enviar os e-mails e, por favor, no quero ser incomodado por ningum, anote os recados que entrarei em contato aps o almoo,
sim?
      - Pois no.
      Janice levantou-se e saiu do escritrio deixando Sam concentrado no trabalho, havia ficado fora apenas trs dias, mas parecia um sculo. Estava lendo um esboo
de um contrato, quando o telefone tocou. Ele tentou ignorar, mas quem consegue ignorar um telefone tocando?
      Ele no falara para Janice que no queria ser interrompido, que droga!  pensou antes de atender nervoso:
       - Janice, eu no...
      - Me desculpe, senhor, mas ... sua noiva, como no sei se sua ordem a inclua decide perguntar-lhe.
      Repetindo seu gesto costumeiro, apertou os olhos, pensando:
      Deus, o que ser que ela quer! Onde estava com a cabea pedindo-a em casamento e trazendo-a para c?
       - Pode passar, Janice.
      Depois de um click caracterstico, a voz melodiosa, com aquele sotaque ingls que a princpio fascinara Sam, soou:
      - Ol, querido, me desculpe, no queria incomod-lo, somente gostaria de saber se voc poder almoar comigo?
      - Ol, Linda. Desculpe-me, mas almoarei aqui mesmo no escritrio  Sam estava se controlando e manter a voz doce, quando na verdade, sua vontade era simplesmente
responder um sonoro no, mas tinha que se lembrar a todo instante que ela fora escolha dele, ela no tinha culpa se era somente mais um negcio para Sam.
      - Ento, tudo bem, eu arrumo algo para fazer, bom trabalho querido.
      - Linda, eu...  ah, nossa como ela era compreensiva, compreensiva demais para seu gosto, pensou Sam  vamos fazer o seguinte, mandarei Gmez busc-la para
almoarmos juntos, OK?
      - Ah, amor, obrigada, tem certeza que no atrapalharei?
      Ah, Deus essa mulher era um tdio, pensou Sam. A vida inteira ele vivera com mulheres fortes, de repente escolhera para esposa uma meiga e dependente.
      - No, querida, no atrapalhar.
      - Ento, estamos combinados. Sinto tanto sua falta querido, desculpe-me se insisto em estar com voc.
      Ah, eu acho que vou vomitar.
      - Tambm sinto sua falta  disse Sam automaticamente.  Gmez passar para peg-la daqui mais ou menos duas horas e meia, tudo bem?
      - Estarei esperando. Um beijo, at daqui a pouco.
      - Outro, Linda.
        Desligando o telefone Sam sentiu-se mal, apesar de j ter mentindo muitas vezes para outras mulheres, fingir esse sentimento que no existia para Linda era
a pior das tarefas, mas era preciso.
      Estava com 35 anos, quase trinta e seis, precisava constituir uma famlia. Uma de suas paixes eram as crianas, queria filhos, muitos, de preferncia e sua
famlia tradicionalista, ficaria chocada com a idia de Sam ter filhos e no ter uma esposa.
      Quando ele fora apresentado a Linda por sua irm, ele viu nela uma boa candidata. Ela era linda, elegante, refinada, discreta, educada, daria uma tima esposa
para algum na posio dele e tinha certeza que seria uma excelente me. Apesar de ela ser dependente, sem vigor e melosa demais.
        Como de costume, apesar de j vislumbr-la como uma possvel candidata a esposa, conseguira lev-la para cama, sem muito esforo. Ele tinha esse dom, aprimorado
com eficcia nos ltimos 5 anos de caa. Sabia apertar os botes certos, no momento certo e as mulheres achavam que a idia de fazerem amor, amor no, sexo, era
delas. Claro, que sua aparncia e seu status de solteiro milionrio ajudavam muito, mas no podia descartar suas habilidades de conquista.
      E o que mais o atrara em Linda, foi sua falta completa de habilidades na cama e seu quase desinteresse pelo assunto. Todas as vezes que eles haviam transado
e foram poucas e mais do que suficientes para Sam, ele havia dado o primeiro passo, como se ela esperasse pacientemente a vontade dele se manifestar, no tendo assim
necessidades prprias.
      No que ela fosse de todo mal, mas parecia estar o tempo todo se controlando, sem se soltar e quando ele pedira para ela relaxar, se deixar levar, ela dissera
que nunca havia estado to relaxada em toda sua vida, que no conhecera um amante mais fabuloso ou habilidoso. Por sua experincia com mulheres e ele j tivera muitas,
ela realmente alcanava o clmax, mas era de uma forma to discreta, silenciosa e calma que ele chegara a ficar frustrado e toda aquela imobilidade, quase, bem,
quase o fizera falhar. E por mais incrvel que possa parecer, esse foi o ponto alto para pedi-la em casamento, sabia que da no nasceria uma grande paixo, apesar
de ela ter outras qualidades para fazer um homem se apaixonar, Sam sabia que ele no seria fisgado, ento poderia sair do relacionamento intacto, sem se machucar,
caso fosse necessrio, no futuro, um divrcio. Para ele esse casamento no passava de mais um contrato a ser assinado.
      Deixando os pensamentos de lado, ele pediu para Janice ligar para Gmez para buscar Linda na hora combinada. Passado alguns minutos, Janice ligou de volta
dizendo que Gmez j tinha um compromisso com a irm dele para o almoo. E perguntou se poderia mandar outro motorista no lugar. Sam concordou e voltou ao trabalho,
mas o pensamento que tinha algo mais, no simples pedido da irm o estava incomodando. Passado mais de uma hora, Sam mesmo trabalhando com afinco para por as coisas
em ordem, sentia como se algo o estivesse oprimindo, mas o que poderia haver de errado em a irm usar o motorista para o almoo: nada! Mas ele sabia que tinha algo
errado, e quando seu crebro lhe dava esse tipo de aviso era melhor no ignorar e resolveu ligar para a irm e perguntar.
      Discou o nmero de Mia e ficou esperando algum atender.
      - Maison Thunderheart, bom dia?
      - Ol, Marcy, gostaria de falar com minha irm, por favor.
      - Bom dia, Sr. Thunderheart, ela est atendendo uma cliente, mas acho que poder falar com o senhor.
      - Obrigado.
      Sam ficou aguardando e ouviu a voz da irm.
      - Estou ocupadssima, Sam, tenho apenas um minuto.
      Sam e Mia tinham um relacionamento excelente que os permitia ser sinceros e sem rodeios um com o outro, Sam foi direto ao assunto:
      - Para que voc precisa dos servios de Gmez na hora do almoo? O que voc est aprontando, querendo impressionar algum?
      Mia normalmente usava sua posio, ou as mordomias que disponha quando queria impressionar um novo namorado, que era quase sempre. Apesar que nos ltimos meses,
Sam no a havia visto com ningum.
      Sem nem ao menos pensar o que estava falando, pois no tinha o habito de mentir, principalmente para o irmo, disse sorrindo:
      - No, no tenho ningum novo para impressionar, Gmez ir buscar uma amiga no heli...  ah, droga, pensou Mia, agora j falei.
      - Mia voc no mente muito bem  isso era estranho, no era? Ele sabia que tinha algo mais e jogou  se tem uma amiga sua vindo para a cidade de helicptero
e voc precisa dos servios de Gmez, por que no usar o heliporto daqui do prdio? Facilitaria muito a vida de meus empregados.
      Que adiantaria tentar inventar uma mentira agora. Jess me perdoe:
      - Sam, Jessica est vindo para Dallas. E ficar comigo por uns dias.
      Sam sentiu como se tivesse levado um soco no estmago, tal a contrao no msculo.
      Jessica, Jess, Jessy.



      CAPTULO CINCO



      Mia percebeu o silncio prolongado do irmo e por um instante pensou que talvez Jessica no fosse to louca como ela pensava:
      - Sam? Voc ainda est a?
      Sam respirou fundo e tentou manter a voz o mais natural possvel:
      - Ento, Jessica resolveu sair um pouco do haras? Bom para ela. E para que todo esse segredo, ela poderia muito bem usar o heliporto daqui, por que usar o
do centro da cidade?
      - Eu no sei  j tinha estragado tudo, mas no iria contar que Jess pedira segredo sobre sua vinda.
      - Tudo bem  Sam tentava manter sua voz calma, controlada e sem perceber soltou  eu almoarei com Linda hoje, gostaria muito que Jessica a conhecesse, vamos
almoar juntos?
      O que eu estou fazendo?  pensou Sam -  Almoar com Jessica?
      - , acho que tudo bem. Mas creio que Jessica j saiu de l.
      Jessica vai me matar, pensou Mia.
      - No h problema, mandarei avis-la do almoo e para o piloto pousar aqui, ento passarei no ateli para peg-la, tudo certo, Mia?
      - Acho que sim  pensou Mia, achando que no estava nada certo.

      Sam pediu a Janice para entrar em contato com o helicptero e mudar sua rota. Feito isso Sam sabia que no conseguiria voltar ao trabalho, levantou-se e foi
at a janela panormica olhar a cidade.
      O edifcio de escritrios tinha sido idia dele. O pai tinha um pequeno prdio com seus escritrios que cobria uma rea boa no centro empresarial de Dallas,
ento Sam dera a idia de derrubarem o antigo prdio e construrem um edifcio comercial alto e moderno que abrigaria tambm outras empresas, que comprariam o espao
ou alugariam dando um lucro significativo a Thunderheart. O pai concordou e hoje eles tinham esse escritrio que ocupava os dois ltimos andares do edifcio com
uma vista magnfica de toda a cidade e ainda alugavam o restante dos andares a grandes empresas que pagavam muito bem para estarem instaladas com elegncia e excelente
localizao.
      Mas Sam no estava pensando no lucro e nem ao menos enxergava a paisagem. Ele estava pensando em Jessica.
      Quando tudo mudara, quando Jessica deixou de ser sua quase irmzinha para virar sua obsesso proibida.
      Ele lembrava-se do dia que vira Jessica pela primeira vez, ela tinha cinco dias de vida, sua irm j estava com seis meses na poca. Ele considerou-se um garoto
de sorte, que agora ele no tinha somente uma irm, mas duas. E ela era linda, um beb gorducho, todo rosado, com imensos olhos azuis, sem cabelo.
      Sam cuidara dela, realmente como a um irmo mais velho, assim como ele fazia com Mia, apesar de Mia sempre reclamar que ele era mais paciente, atencioso com
Jess. Sam no achava isso, sabia que tratava as duas igualmente e que Mia apenas tinha cimes.
      E ele via suas irms crescendo, Mia tornando-se uma menina bonita, mas desengonada, ela era travessa, exigente, mimada, enquanto Jessica era independente,
determinada, amorosa, espontnea e cada dia mais linda.
      Sam no entendia na poca, por que s vezes, sentia um cime quase incontrolvel de Jessica e o mesmo no acontecia com Mia. Hoje ele sabia a resposta.
      Lembrou-se de quando ele estava para ir para faculdade, Jessica havia ficado na casa para dormir junto com a sua irm. Ela acordara no meio da noite aos prantos,
tanto ele como os pais dispararam para o quarto para ver o que houvera. J na poca ela no quis ningum a consol-la a no ser ele. Naquele dia Sam havia levado
a namoradinha da poca para o jantar de despedida que a me preparara e Jess mesmo com to pouca idade, dissera que o via indo embora com a moa que estava no jantar
e no voltava mais para brincar com ela. Sam a consolara e a fizera dormir novamente. Depois desse dia, inconscientemente, Sam nunca mais levara mais nenhuma namorada
para casa.
      Lembrava-se da alegria da famlia quando ele voltava para passar as frias em casa e lembrava-se do sorriso luminoso que recebia daquela pequena menina.
      Lembrou-se que mais ou menos aos doze anos, Jessica mudara com ele, ficando um pouco retrada com sua presena, quase envergonhada, na poca ele j terminara
as duas faculdades e voltara a residir na fazenda e ajudava o pai com os negcios. E no entendia como aquela menina que sempre fora sua sombra, agora mal conseguia
olh-lo nos olhos quando se falavam e mais uma vez ele no entendeu os sinais.
      Mas nada o preparou para o dcimo quinto aniversrio de Jessica.
      Todos os convidados a esperavam aparecer no salo de festas da casa dos Bradley, quando a porta dupla foi aberta e Jessica entrou de brao dado com o pai.
Foi como se Sam a visse pela primeira vez. Jessica usava um vestido tomara que caia coral, com um corpete que se ajustava perfeitamente a seu corpo, a saia era como
um sino, que quando andava balanava graciosamente. Havia luvas at seus cotovelos da cor do vestido. Seus cabelos estavam presos num coque elaborado e ela trazia
discretos brincos de diamantes e uma pequena tiara, tambm de diamantes.
      Ele jamais esquecera aquela imagem. Apesar dele repetir mentalmente que ela estava somente com quinze anos, o desejo que sentiu por aquela pequena mulher o
apavorou e todos os momentos vividos com Jessica ao longo dos quinze anos da garota passaram como um filme em sua mente naquele instante de contemplao, mostrando
que ele realmente a tratara com predileo, como se a estivesse guardando, para um futuro com ele.
      Ele ficara transtornado, sentia-se como um adolescente com sua primeira paixo, mas ele j era um homem de 30 anos, considerado como a um irmo para Jessica,
era respeitado e amado pelos pais dela.
      Ele tentara, mas no conseguira. Aonde Jessica ia, ele a observava.
      Comeara a beber. Ele nem se lembrava da ltima vez que havia bebido alm da conta, mas ele necessitava esquecer, necessitava limpar sua mente das imagens
de Jessica. Comeava a se sentir como um pedfilo, um homem sem moral, sem escrpulos.
      Depois de vrias horas e vrios copos de champagne, whisky, coquetis e mais alguma coisa que ele nem se lembrava, Jessica veio com aquele pedido absurdo para
ensin-la a beijar. Sua primeira reao foi querer procurar aquele tal de Matheo e mand-lo para casa, mas antes dar-lhe uns bons socos na cara. Ele tentou controlar-se,
ele tentou negar de todas as formas, mas a bebida e talvez a sua falta de decoro, o empurrou para os braos, para os beijos de Jessica.
      E em seus 30 anos, ele no havia beijado boca mais doce, nem sentindo tanta necessidade de ter algum como ele sentira naquela noite e acabou se descontrolando
por completo. Ele ainda lembrava-se do cheiro dos cabelos, da pele de Jessica. Deus, ela no podia ter somente quinze anos, pois j era perfeita para o amor. E quando
ele acordou daquele sonho, seus pesadelos comearam.
      Ele nunca se sentira to baixo, to sujo em toda sua vida! E ela dizia sem parar que o amava, que ela no era uma criana, que no era sua irm.
      Cus, como ele a magoara! Ele vira isso em seus olhos, ele sentira em suas palavras. Mesmo sabendo que o que fizera era mais que errado, ele no conseguia
pensar em mais nada a no ser em ter mais e mais. Ento, ele fugira dali, antes de cometer outro desatino. Precisava ficar longe de Jessica, claro que a bebida o
transformara, primeiro, num homem corajoso que corria riscos, que aceitava os desafios, depois num covarde, que deixou uma menina de quinze anos, que ele amava mais
que tudo, sozinha, para enfrentar alm da desiluso, os convidados, os pais, as perguntas. Mas ele tinha medo dele, no sabia mais quem era, no que se transformara,
ento ele fugiu e continuou fugindo por cinco anos. Longos cinco anos.
      Ele tentou v-la outras vezes, trs para ser exato, mas cada vez que a via ele se lembrava do ocorrido e, ao invs, de sentir-se envergonhado, ele a desejava.
Ele lembrava-se do cheiro dela em seus dedos que o acompanhou por toda aquela noite e se transformava em um animal, somente instintos e ento ele corria, fugia.
Mesmo por telefone, ele sentia aquele desejo e se odiava cada vez mais por isso.
      Eu me sentia desprezvel.
      Mia tentou conversar com ele, mas ele no queria escutar, ele no precisava de sermes, sua conscincia j o castigava o suficiente.
      Ento, ele se transformara num conquistador, saa com todas as mulheres que podia e por tantas vezes era a imagem de Jessica que vinha a sua mente. Tentara
encontrar em todas; a mulher de sua vida, mas parecia que nenhuma estava  altura.
       Ele sabia que, se se mantivesse a distncia, Jessica iria esquec-lo, ento se mudou do haras e depois das tentativas frustradas de tentar estar perto dela,
sem desej-la, ele decidiu que no poderia mais v-la, isso seria bom para ele e melhor para ela e foi o que fez.
      Ele sentia que caso, no futuro, ele decidisse assumir esse desejo, pois sabia que era somente luxria, estaria decepcionando, embaraando pessoas que ele amava
demais, seus pais, os pais de Jessica, Mia e a prpria Jessica. E ele no poderia viver com o desapontamento, ou at o dio que surgiria para com ele.
      Agora fazia um pouco mais de trs anos que no a via. Tinha poucas notcias dela, pois no queria saber e na maioria do tempo Jessica no existia. Mas bastou
ouvir seu nome e saber que em menos de duas horas ela estaria na sua frente, que sua mente viajou e virou um turbilho de emoes. Mexeu com ele, mais do que gostaria.
Mas tinha que se sentir protegido. Com certeza, Jessica j o havia esquecido e ele estava noivo, noivo de uma mulher lindssima, parecia seguro, agora, rev-la.
E precisava de segurana, controle.



      CAPTULO SEIS



      Jessica se sentia no meio de um vendaval, sua cabea girava. Ela sentia dio de Mia, por ter contado a Sam que ela estava a caminho. Sentia que ainda no estava
preparada para v-lo, mesmo depois de cinco anos se preparando para este momento. Mas mesmo assim, quando o piloto perguntou se poderia mudar a rota, ela concordara.
Pois bem, estava indo direto na direo de Sam.
      Bem, se fosse para comear a guerra, que comeasse o mais rpido possvel!
      No, mas ela nem conhecia sua oponente, como ela poderia agir, se no sabia com que armas lutar? Que seu amor a ajudasse, era s o que poderia desejar.

      Gmez foi buscar Linda na hora marcada. Ela chegou estonteante, em um vestido creme de um tecido leve, que a deixava quase etrea, sua pele alva e sem manchas
parecia brilhar. Usava sandlias altas, tambm na cor creme, mostrava os ps delicados.
      Enquanto a observava, Sam pensou:
      Fiz uma excelente escolha, ela realmente  belssima.
      Linda aproximou-se de Sam e pegando ambas as mos dele, deu-lhe dois beijos, um em cada face, dizendo:
      - Que bom v-lo, amor, j estava com saudades.
      Enquanto Sam a encaminhava at o confortvel sof de couro marrom, pensava consigo: Como uma mulher podia dizer estar com tantas saudades de seu noivo e lhe
encontrar com tamanha frieza de aes?
      Quando se sentaram, Sam disse:
      - Bom v-la tambm, Linda. Espero que voc no se importe, mas almoaremos com minha irm e uma amiga de infncia.
      - Claro que no, adoro sua irm. E quem  essa amiga de infncia?  vendo a relutncia de Sam em responder, completou divertida  no, no me diga,  aquele
tipo de amiga que voc no v a um bom tempo e que quando eram crianas, voc puxava suas tranas, rindo de suas sardas e aparelho dental e para minha grande agonia,
ela se transformou no sonho de todo homem e hoje vou perd-lo, acertei?
      Sem pensar, Sam respondeu quase rspido:
      - Jessica nunca usou aparelho, ou tranas ou teve sardas, ela sempre foi...  maravilhosa, perfeita  bonita e eu nunca fui um garoto que atormentasse crianas
mais novas, muito menos por sua aparncia.
      - Desculpe-me, amor, estava apenas brincando  disse Linda quase num sussurro  desculpe-me foi uma brincadeira de muito mau gosto, afinal nem ao menos conheo
sua amiga e jamais pensei que voc pudesse ter sido cruel quando menor.
      Mas por dentro, Linda desconfiou da reao apaixonada de Sam, havia algo mais nessa histria, teria que ficar de olhos abertos.
      Sam apertou os olhos com os dedos, como era seu costume e disse o mais controlado que pde:
      - Desculpe-me tambm, Linda  e com um velho clich, continuou  estou estressado com o trabalho.
      - Tudo bem...
      Ela iria completar a frase quando o interfone tocou e a voz de Janice soou:
      - Sr. Thunderheart, o helicptero pousou.
      Sam sentiu suas pernas bambearem, ele no tinha certeza que teria foras para ficar de p, levantou-se mesmo sentindo todo seu corpo tremer, apertando o boto
do interfone, disse:
      - Obrigada, Janice, quando a Srta. Bradley chegar, pode encaminh-la a meu escritrio sem anunci-la.
      - Sim, senhor.
      Oh, Deus, ele precisava lembrar que era um homem de 35 anos de idade.
      Um homem criado numa fazenda. Um cowboy duro.
      Um empresrio de sucesso.
      Noivo. E que sua noiva estava ali, a seu lado.
      Sam no sabia h quanto tempo no tinha uma reao como aquela. Os joelhos bambos, uma leve nusea, um formigamento no estmago, sem saber se a esperava de
p, ou sentado, se segurava  mo de Linda, ou passava os braos sobre seus ombros.
      Porra, homem, controle-se!
      Decidiu por sentar-se ao lado de Linda como estavam anteriormente.

      Quando o helicptero estava pousando, o medo tomou conta de Jessica. Ela no se sentia mais to decidida, queria pedir para o piloto dar meia volta e lev-la
para casa, onde estaria segura...  E onde ficaria somente com seus sonhos de amor e... ficaria sem Sam.
      Precisava se controlar e pensava:
      Eu sou uma mulher forte, no, no posso vomitar agora. Ah, Deus estou tendo vertigem. No! Como disse Mia, no sou uma mulher que desmaia.
      Nem ao menos notou que j estavam no alto do prdio, com o piloto j desligando a mquina. Jessica grudou no assento, com as duas mos, quando o piloto ofereceu-se
para ajud-la a descer do helicptero. Ela reparou que sua mala j estava ao lado dele.
      Terrence a olhava com curiosidade, ela estava branca, agarrada ao assento, ser que ela tivera medo do pouso, mas fora to sossegado, bem ela era sua patroa,
tinha que ajud-la a sair dali.
      - Srta. Bradley, d sua mo, venha vou ajud-la a descer. Olha, j estamos no solo, no h mais nada a temer.
      A voz calma de Terrence trouxe Jessica de volta do mundo dos devaneios, ela respirou fundo vrias vezes e conseguiu que o enjo passasse, ele no podia imaginar
que o que, agora, ela mais temia, era o fato de estarem no solo. Pegando a mo do piloto que estava estendida, Jessica desceu e suas pernas bambearam levemente.
Respirou mais uma vez e decidida, ajeitou o chapu melhor na cabea, empinou o queixo e encheu os pulmes de ar e soltou devagar.
      Encaminharam-se para a escada que os levaria para dentro do prdio, Terrence carregando sua mala. Desceram as escadas, entraram num corredor luxuoso contendo
em uma das paredes um grande espelho, Jessica olhou-se e aprovou o que viu, apesar de estar um pouco plida, estava ao mesmo tempo com um brilho radiante nos olhos.
      Ela veria Sam! Deus, que saudade!
      Jessica nunca havia estado nos novos escritrios das empresas Thunderheart e sentiu-se orgulhosa por saber que parte daquilo tudo fora obra de Sam. Quando
estava quase chegando ao escritrio da presidncia do grupo Thunderheart, indicado por placas em bronze no corredor, Jessica dirigindo-se a Terrence disse:
      - Obrigada, Terrence  pegou sua mala da mo do rapaz e tirando algum dinheiro da bolsa, continuou  coma algo num lugar decente e depois voc pode voltar
para o haras, certo?
      - OK, senhorita e boa estada na cidade.
      - Obrigada, Terrence.
      Pegou tambm seu celular que estivera desligado durante o vo e mal o havia ligado, ele tocou. Era o telefone de sua casa, com certeza era sua me. Achou melhor
atender e parou:
      - Ol, mame.
      - Voc me atende com um ol, mame?  Joyce Bradley no era uma mulher que gostava de subterfgios, sempre gostara de sinceridade e um pouco de disciplina,
j que com Jessica, no adiantaria tentar ser mais que um pouco.
      Jessica ento, usou de sua melhor arma, respondeu todas as perguntas da me, que ela ainda no formulara, mas viriam:
      - Sim, mame, estou em Dallas. Estava com saudade de Mia e vim v-la. No, eu no sou irresponsvel, s achei que no precisava me explicar, j que vim ver
uma amiga e estarei na casa dela, protegida, s e salva. E me desculpe por no t-la avisado antes de sair, por no ter cumprimentado Tio Harry e Tia Claire. Volto
em no mximo em uma semana.
      - Ah, garota, voc sempre foi quase insuportvel, insuportvel e muito inteligente, mas dessa vez, a quem voc est querendo enganar a mim ou a voc? Creio,
que j tenho a resposta para essa pergunta tambm. Est tentando enganar a mim.
      - Me...
      - No, Jessica me escute. Todos estes anos eu me mantive calada, sempre fingindo que no via, ouvia, mas eu acho que agora voc passou um pouco dos limites.
Por favor, filha, perca as esperanas, procure outra coisa que voc queira e no consegue e dirija sua obsesso para este novo alvo. Ele est noivo, Santo Deus,
o que voc vai fazer, rapt-lo e lev-lo para uma ilha para ver se ele nota voc?
      Jessica estava perplexa demais para dizer ou contestar alguma coisa. Ser que seu amor por Sam, era assim to explcito, ou ela somente no conseguira esconder
sua paixo das mulheres que a haviam criado? Mesmo assim tentou dar uma de desentendida:
      - Me, eu no sei do que a senhora est falando.
      - Ah, no sabe? Ento, eu como sua paciente me, irei explicar-lhe. Essa sua obsesso por um rapaz que  quinze anos mais velho que voc, que sempre a tratou
com um respeito fraternal e voc confundiu seus sentimentos transformando-os numa paixo absurda de adolescente, s que agora voc cresceu, tem que esquecer, no
me envergonhe, Srta. Jessica Bradley. Ele  e sempre foi um rapaz bom e ntegro para essa famlia, ele nunca a desrespeitou. No o tente, Jessica, deixe-o em paz.
      Jessica simplesmente se descontrolou, no bastava o fato que estava a poucos metros do homem que ela amava desde sempre e que no via h mais de trs anos,
a me tinha ainda que arruinar suas esperanas:
      - No o tente? No o tente? Que tipo de mulher a senhora pensa que sou?
      A me interrompeu:
      - Uma mulher linda e desejvel, que satisfaria e seduziria qualquer homem que quisesse, mas, filha, Sam no  para voc...
      - Por qu? Por que ele no serve para mim?  Jessica no entendia as idias absurdas de sua me.
      - Ele j  um homem experiente, vivido. Se no fosse essa diferena de idade e o fato de os dois terem sido criados juntos como irmos e claro, fechar os olhos
para algumas coisas que ele andou fazendo nos ltimos anos, eu teria muito orgulho de t-lo como genro, mas eu gostaria que voc tivesse um relacionamento com uma
pessoa de sua idade.
      - Me, o que est acontecendo com voc? So somente quinze anos, ele no  nenhum sexagenrio, hoje em dia essa diferena no  nada e droga, ele no  meu
irmo.
      - Isso tudo pode ser a mais pura verdade para voc, filha, que foi para a faculdade e viu coisas novas, diferentes, mas ns continuamos morando num haras,
numa cidade louca por escndalos, nossos amigos e contatos so pessoas retrgradas, eu no sei o que as pessoas iriam pensar e o que isso refletiria nos negcios
de seu pai e de seu Tio Harry. As pessoas por mais que escondem, ainda vivem de aparncias. E eu tambm no queria que as pessoas pensassem que voc foi somente
mais uma na lista de Sam, querida. Eu amo aquele rapaz, a famlia dele  como se fosse a minha e ele como homem pode at se dar ao luxo de cometer esses deslizes,
mas eu no queria que voc fosse um desses deslizes.
      - Meu Deus, jamais imaginei que a senhora fosse to antiquada. E que negcio  esse de lista, deslizes, Mia nunca comentou nada comigo que Sam tenha feito
algo que desagradasse aos pais.
      - Como eu falei antes, para um homem o comportamento de Sam  totalmente aceitvel. Mas no queria que minha filha estivesse na lista das conquistas dele.
Jessica, nos ltimos cinco anos, Sam conquistou e dispensou mais mulheres do que um homem pode ter em uma vida inteira. Bom para ele, aproveitou tudo que tinha que
aproveitar e agora vai se casar. O que me deu sossego todos esses anos, foi que ele sempre lhe respeitou, tenho certeza que ele jamais faria isso com voc, mas se
voc aparecer na frente dele, se jogando em seus braos, como sei que  o que voc pretende, tenho medo que ele esquea que  seu irmo e...
      - Me, Sam, no  meu irmo!  Jessica estava cansada dessa ladainha toda e saber que todos sabiam que Sam havia virado um Casanova, no era uma coisa que
a agradasse de ouvir.
      - Jessica, volte j para casa. Ele est noivo, deixe-o casar com essa mulher.
      - No, me, no volto. Eu j estou bem crescidinha, voc no acha? Eu quero, sempre quis Sam. Eu o amo mais do que voc possa imaginar e sei que ele tambm
tem sentimentos por mim.
      - Ah, Jessica jamais imaginei que estaria viva para ver esse dia, o dia que no tive orgulho de ser sua me.
      Sem dizer mais uma palavra, Sra. Joyce desligou o telefone. Jessica estava indignada, ela sempre soube que sua me era melodramtica, mas desta vez, a mulher
superou todos os limites.
      As pessoas realmente no a entendiam, seu amor por Sam, era totalmente compreensivo. Ele fora a primeira figura masculina que ela tivera contato sem ser seu
pai, primeiro ela se impressionara com o menino que sabia fazer tudo, que a havia tratado com carinho e ateno. Era normal uma criana se apaixonar por seu dolo
de infncia, a nica diferena  que enquanto crescia, o sentimento, sem que ela esperasse ou se esforasse, modificou-se e transformou-se em amor.
      Pensando com mais clareza, Jessica percebeu que talvez tenha idealizado demais esse amor, deixando-o crescer demais e como Mia dissera no dera chance para
outro entrar, mas se daria mais uma chance, se dessa vez ela percebesse que Sam, no sentia nada por ela, amasse mesmo sua noiva, ela faria tudo para esquec-lo
e partiria para outra sem olhar para trs.
      Sabia que seria difcil, amar Sam fora mais fcil, protegeu-a de outras desiluses, talvez tenha at sido isso, ela havia se protegido, para no sentir a dor
que ela sentira no dia que se beijaram e depois ele fora embora, mas se no tentasse, se no o visse mais uma vez, jamais saberia a verdade, no  mesmo?
      Jessica pensou:
      Eu domo cavalos somente com palavras, esquecer um homem que no me quer ser ainda mais fcil. E assim como eu sempre soube o que queria ser desde pequena,
veterinria e encantadora de cavalos, eu sei, eu tenho certeza: Sam tambm me quer.
      E que com toda essa disposio Jessica se encaminhou para os escritrios de Sam.
      Como ela havia vindo por cima, ela no passou pela recepo que ficava em frente aos elevadores, somente passou por portas fechadas, outras abertas, onde ela
via gente trabalhando, recebeu algumas olhadas indiscretas de alguns como j era o usual e outros no prestaram ateno a quem passava nos corredores. Quando chegou
a frente de uma imponente porta de carvalho toda trabalhada sabia que chegara a seu destino. Mas no havia secretria ali. Deu uma batida de leve e entrou:
      Entendeu o porqu de no haver uma secretria no corredor, ela entrou em uma elegante recepo, toda decorada com carpete alto marrom, sofs em couro creme,
plantas espalhadas estrategicamente para agradar aos olhos e na frente de uma parede totalmente de vidro temperado que filtrava a luz do sol, deixando a sala clara,
havia uma mesa de puro mogno, com uma mulher sentada, compenetrada em seu trabalho.  Quando ela se levantou para receb-la, Jessica percebeu que ela era elegante
e sua idade impossvel de calcular, no poderia saber se a mulher tinha 40, 50 ou 60 anos de idade, ela falou com voz calma e eficiente:
      - Voc deve ser a Srta. Bradley, o Sr. Thunderheart a espera, d-me sua bagagem, pedirei a Gmez que a leve para o apartamento da Srta. Thunderheart, onde
ficar hospedada, correto?
      - Sim, obrigada  disse Jessica, mas achou que sua voz no sairia, o fato de somente uma porta a estar impedindo de ver Sam, fez desaparecer com todas as suas
certezas e quase a fez recuar.
      Mas sentiu suas pernas seguindo a secretria at uma porta idntica  outra. A secretria abriu a porta e fez sinal para que entrasse. Jessica hesitou somente
por alguns segundos e entrou.
      Jessica no reparou na decorao dessa sala, a nica coisa que viu foi o homem de sua vida, vindo em sua direo, mas ela no conseguiu se mexer, somente ouviu
a porta se fechando atrs de si.
      Oh, minha nossa, como algum podia ficar cada vez mais bonito, mais charmoso.
      Sam estava vestido com um terno, feito com certeza sob medida, azul escuro, pois nenhum terno pronto se ajustaria to bem em ombros to largos e cintura estreita
como a dele. A camisa era azul turquesa que deixava seus olhos dessa cor. A gravata era lisa de seda, tambm azul marinho.
      Os cabelos estavam mais curtos do que ele costumava usar, com um corte moderno que parecia despenteados milimetricamente, para deix-lo ainda mais sexy e no
tinham mais aquelas mechas naturais feitas pelo sol e em suas tmporas j se via alguns fios prateados.
      O intenso bronzeado de antes, adquirido pelo trabalho ao ar livre, no existia mais, agora que ele era um empresrio da cidade, mas sua pele ainda no adquirira
o tom plido dos homens de escritrio, continuava levemente dourada.
      Seu rosto continuava confortavelmente o mesmo, lindo, marcante, somente algumas ruguinhas novas perto dos olhos.
      Ah, os olhos...
      Os olhos agora turquesa, por causa da camisa... E Jessica viu naqueles olhos que o rapaz que ela amou havia mudado, havia ali amadurecimento, perspiccia,
eficincia e malcia. O menino do campo, que ela vira tambm no homem de 30 anos, havia desaparecido. Mas Jessica adorou esse novo homem, como ela adorara todas
as mudanas que vira acontecendo em Sam em toda sua vida e tambm percebeu que esse homem, que deveria passar confiana e firmeza a seus clientes, concorrentes e
empregados, tremia um pouco ao chegar perto dela, demonstrando claramente que ela o tambm abalava.
      Ela ainda no havia se movido de perto da porta.

      Sam levantou-se de um salto quando viu Jessica adentrar em seu escritrio e percebeu pelos anos que passara to perto da menina e que o fez a conhecer to
bem, que Jessica no caminharia at ele, ela estava paralisada, como a vira em poucas ocasies, pois Jessica dificilmente fraquejava. Caminhou lentamente at ela,
para no se denunciar, pois parecia que suas pernas continham chumbo e ele no conseguiria se mexer, seu estmago estava contrado e a respirao suspensa.
      Jessica no mudara nada, mesmo assim mudara muito.
      Deus como isso era contraditrio!
      Diante dele ainda via aquela menina que ele contemplara com 17 anos e a de 15 que estivera em seus braos, mas agora ela era uma mulher e que mulher! Suas
curvas mais femininas do que nunca.
      Ela tambm estava mais alta.
      Suas pernas, moldadas naquele jeans justos, estavam mais torneadas do que antes. Quantas vezes Sam, no a viu cavalgando, conduzindo o cavalo somente com aquelas
pernas deixando as rdeas soltas. Deus, o que aquelas pernas no fariam conduzindo um homem? Sam sentiu uma fisgada na virilha, precisava desviar os olhos daquelas
pernas, mas isso no o ajudou. Parou na barriga lisa, com a cintura fina amostra e viu um pequeno diamante em seu umbigo.
      O que essa mulher pretendia? Deix-lo de quatro e faz-lo implorar para t-la em seus braos?
      Ah, vou beij-la, eu sei que vou, pensou Sam. Olhando a boca de Jessica, aquela boca que ele sabia ser to doce, agora mais amadurecida, talvez agora mais
generosa, se isso fosse possvel.
      Seus olhos continuavam os mesmos, azuis como um dia claro de vero e o que ele viu ali, tambm o abalou, havia o amor e admirao, que ele j vira tantas vezes.
      Mas ao se aproximar mais, se sentiu realmente rendido. O cheiro, o mesmo perfume, que o acompanhou durante esses cinco anos. O perfume que o levava para casa,
que o arremetia para boas lembranas e tambm para inmeros pesadelos, os quais, o fazia acordar suado e extremamente excitado. Que o fazia procurar desesperadamente
a satisfao em outros braos, em outros corpos e parecia nunca ser o bastante.
      E aquele perfume estava ali agora, no era nenhum perfume conhecido ou famoso, era simplesmente, o cheiro de Jessica.
      Eu estou perdido!



      CAPTULO SETE


        Jessica no estava preparada para aproximao de Sam, achou que ele esperaria ela ir at ele, isso daria tempo para pensar como agir. Seu corao batia to
alto e to descompassado que ela achou que teria um ataque cardaco aos vinte anos.
      Sua mente a mandou se controlar-se, trat-lo a princpio com a distncia que ele a vinha tratando todos estes anos, mas seu corao e seu corpo reagiram arrebatadoramente
ao contrrio.
      Jessica praticamente pulou para os braos de Sam, enlaou-o pelo pescoo e grudou seu rosto e seu corpo no dele, dizendo somente, quase num sussurro:
      - Ah, Sam, que saudades...
      Por alguns segundos Sam no teve qualquer reao. S sentia aquele corpo magnfico junto ao seu, sentia o cheiro dos cabelos dela.
      Que saudade daquele cheiro to familiar!
      Ouvir aquele sotaque cadenciado que parecia aos outros, to buclico, era msica nos lbios de Jessica e esqueceu-se que precisava mant-la  distncia, esqueceu-se
que sua noiva estava no mesmo planeta, enlaou Jessica pela cintura e a apertou num abrao mais do que afetuoso.

        Linda no estava gostando nada daquilo.
      Ela j havia percebido, desde a hora que chegara, que Sam estava apreensivo, inquieto. Uma novidade para ela, pois achou que nada realmente abalasse aquele
homem. Desde a primeira vez que o vira, o achara forte, decidido, sentira at um pouco de medo dele. Apesar de lhe mostrar um lado sedutor, galanteador, ela vira
que era somente uma presa. Ele estava caando. E ela, sem muito esforo, fora abatida. Difcil resistir um espcime como ele.
      Ela j conseguira dispensar inmeros homens que confundiam a sua profisso com a de prostituta, outros que realmente se achavam apaixonados, aficionados, mas
nenhum a atingira como Sam. Com ele, ela se sentiu especial, nica, como h muito tempo no se sentia e depois com o pedido de casamento, achou que tambm o atingira.
No que ela estivesse completamente apaixonada por ele, isso no, ela gostava dele. E gostava muito mais de seus milhes!
      Ele era lindo e por mais que ela no gostasse de fazer amor, achava o contato fsico entre homem e mulher desnecessrio, sabia por experincia prpria que
ele era magnfico se tratando disso, j tivera algumas experincias nada satisfatrias, homens que s pensavam em si mesmo e esqueciam que estavam com outra pessoa
ali e Sam se preocupara com seu prazer. E com suas despesas!
      Sua carreira de modelo j estava no final, com 28 anos, as agncias j no a chamavam para nada. Havia feito o desfile para Mia, pois a estilista achou que
sua idade e elegncia, atingiam exatamente seu pblico alvo, as mulheres mais maduras.
      No que ela aparentasse ter essa idade, mas agora tudo ficara mais difcil, manter sua beleza ficara mais caro e mais penoso. E bem, ela sempre tivera um fraco
por coisas realmente finas e caras e suas finanas no iam nada bem. Todos pensavam que por ela ser uma modelo internacional, que desfilara com as melhores marcas,
ela nadava em dinheiro, mas a realidade era outra, ela nunca fora uma top, ela somente fora mais uma, seus cachs no chegavam nem de longe comparados com Campbell,
Budchen, Moss. E tambm ela no soube investir e agora estava quase  runa e casar com Sam era sua sada triunfante da carreira. Iria ser esposa de um magnata do
petrleo. O que mais ela poderia desejar?
      Talvez que essa vaqueira magnfica no existisse, fosse um comeo.
      Ela no sabia que existiam mulheres que se podiam dar ao luxo de se vestir dessa forma, sem parecerem caracterizadas para uma feira pecuria. Sabia que em
Dallas as pessoas gostavam deste estilo, mas no achou que uma mulher como Jessica se vestiria assim e ainda por cima ficar estupenda. Ela no parecia deslocada,
ela era perfeita. Perfeita demais para seu gosto. Uma amiga de infncia. Uma mulher que qualquer homem gostaria de ter em sua cama, pelo menos uma vez, no uma vez,
mas vrias vezes. A contemplao pura e totalmente devotada que ela fizera em Sam a preocupara. Bom, Linda sabia que tinha uma concorrente e no uma qualquer, mas
uma mulher linda e por sua experincia, completamente apaixonada por Sam. Agora que sabia o motivo da inquietao do noivo, ela ficara realmente apreensiva.
      E Deus, quanto tempo os dois iam ficar assim, agarrados.
      Ser que Sam esqueceu-se que estou aqui.  melhor agir.
      Linda levantou-se e pigarreou para chamar a ateno. Jessica abriu os olhos e ento viu a bela mulher que estava em p, prxima ao sof.
      Oh, vai ser um preo duro, ela realmente  um show e elegante! Deus, um pau de virar tripa. Desde quando Sam gostava de mulheres sem carne?  pensou Jessica,
franzindo os olhos. - Talvez o vestido esconda alguma curva perdida, quem sabe?
      Sam soltou-a lentamente, quando na verdade teve vontade de dar um salto para trs, quando ouviu Linda se manifestar para se fazer notar. Mas no daria essa
mancada, se se afastasse dessa forma, iria atestar sua culpa. E ele no era culpado de nada, no  mesmo?
      Ah, que mentira deslavada!
      Como ele iria se virar, sem que Linda notasse sua ereo, porque ele havia ficado com uma tremenda ereo, dessas que doem. O jeito era torcer para que seu
blazer a escondesse totalmente. E aparentando uma tranqilidade que no tinha e da forma mais natural possvel, pegou a mo de Jessica entre as suas e a levou at
Linda:
      - Jessica, essa  minha noiva, Linda Nielsam. Linda, Jessica Bradley, a amiga que lhe mencionei.
      As duas estenderam as mos sem desviar os olhos uma da outra, dizendo um prazer em conhec-la mais do que forado.
      A guerra estava oficialmente declarada.

      Sam reparou que a cordialidade entre as duas no era real. Bem ele conhecia Jessica muito bem, se ela ainda o quisesse, ele estaria mais que perdido, porque
ela lutaria com todas suas armas.
      Ela, desde quando nascera dificilmente no conseguira algo que realmente queria, agora Linda, ele at ficou surpreso, era a primeira vez que via Linda ter
uma reao passional. Mas precisava ser cuidadoso, se realmente queria casar-se com Linda e manter Jessica longe, teria que ficar atento para no cair nas armadilhas
que Jessica, com certeza, armaria. O problema de se conhecer uma pessoa a vida inteira, era tambm saber de seus defeitos, ou qualidades, no sabia se Jessica era
persistente de uma forma negativa ou positiva. Bem, pensou por fim, precisava de ajuda. Mia.
      - Vamos? Temos que ainda buscar Mia no ateli e j estou faminto  disse Sam para as duas.
      De uma forma possessiva que ele nunca vira, em um ms de namoro com Linda, ela pegou seu brao, dando um sorriso de triunfo para Jessica, dizendo:
      - Claro, querido, vamos  lanando a Sam um olhar apaixonado.
      No mesmo instante, Jessica pensou:
      Vai ser assim? Ela no tem idia com quem est lidando, esse-bambu- de- cutucar- cu!
      Jessica pegou o outro brao de Sam e disse da forma mais doce possvel:
      - Vamos!
      Sam no estava gostando de se sentir pela primeira vez na vida a presa, mesmo que as caadoras fossem duas mulheres deslumbrantes. Sentia-se no meio de um
alvo para dardos venenosos.
      Bem, ele saberia lidar com as duas, no era um garoto inexperiente, tinha uma lista de conquistas para confirmar isso, mas o problema era que, uma dessas mulheres,
mesmo depois de tantos anos, ele ainda no se sentia pronto para lidar com ela. E, por que, por que, ela tinha que ter ficado mais sexy, mais atraente do que j
era? No! Ele tinha que pensar em suas famlias, ele sabia como a mente de sua cidade natal funcionava, eles eram retrgrados e um relacionamento seu com Jessica,
nunca seria aceito por seus pais ou pelos pais dela, por motivos que ele no concordava, mas ele fora criado naquela famlia, vivia como um membro dessa sociedade,
ento teria que viver de acordo, pelo menos por enquanto, pelos termos deles.
      Dessa vez, Jessica reparou que no houve uma cabea que no se virasse para olh-los saindo. Devia ser realmente um prato cheio para fofocas, o presidente
da Thunderheart, com duas mulheres lindssimas, penduradas em seus braos, uma querendo chamar a ateno para si, mais do que a outra.
      Porm, ao chegarem aos elevadores que os levaria para o subsolo onde estava o carro de Sam, de forma sutil, Sam desvencilhou-se do brao das duas, sem que
ao menos elas percebessem que fora de propsito. No podia se dar ao luxo de ser alvo de fofocas em sua prpria companhia, apesar de saber que as pessoas j estavam
comentando seu noivado e tambm sabia que tinha fama de Dom Juan. No daria mais munio.

      Chegaram a sua pick-up preta, de cabine dupla e Jessica pensou que Sam no poderia ter outro carro, aquele combinava com o estilo dele. Um homem de negcios,
mas com as razes no campo.
      Sam abriu o carro, Linda sentou a seu lado no banco de passageiro, enquanto Jessica, pelo menos por agora, se contentou com o banco de trs.
      Ele dirigia com sua segurana peculiar pelo trfego da cidade. Mesmo com as duas mulheres quietas dentro do carro, Sam se sentia tenso. A todo instante espiava
Jessica pelo retrovisor, quando ela notou uma dessas espiadelas, ela lhe abriu o mais malicioso dos sorrisos. Ele desviou os olhos rapidamente, o ato no passou
despercebido por Linda, que no mesmo instante e para, mais uma vez, surpresa de Sam, comeou a massagear-lhe a nuca e quase sentando no colo dele, comeou a massagear-lhe
a coxa com a outra mo. Sam chegou a arregalar os olhos para ela, mas ela tambm lhe deu um sorriso atrevido. Para Jessica que estava no banco de trs, parecia nitidamente
que Linda estava masturbando Sam por cima da cala.
      Sam sentiu-se embaraado e pasmo por Linda estar agindo dessa forma. Jamais imaginou que a moa contida, que quase nunca demonstrava seus sentimentos atravs
da ao, que no tinha arrebatamentos de paixo, que era quase como um peixe no rtico, estivesse neste momento, talvez por cime, ou por ter sentindo algum sentimento
dele em relao  Jessica, estivesse se expondo dessa forma. Sam pensou que se no fosse Jessica no banco de trs, ou talvez outra mulher no banco da frente, ele
j teria parado a pick-up e estaria fazendo amor alucinadamente com essa mulher, mas seu corpo nem ao menos reagiu e isso era assustador para um homem como Sam.
Talvez, ele pensou, que o fato de ter marcado a data de seu noivado oficial e seu casamento, o tivesse transformado num ser assexuado. Mas o que dizer de sua ereo,
quase escandalosa, quando simplesmente abraara Jessica no escritrio?
      Graas aos cus, eles chegaram  frente do ateli de Mia e melhor, ela j estava os esperando do lado de fora. Para fugir do contato de Linda e no por querer
ser cavalheiro com a irm, pois no precisava disso com ela, saltou do veculo e abriu a porta de trs para Mia entrar. Mia chegou a erguer as sobrancelhas, como
que lhe perguntando o que era aquilo, a que ele discretamente respondeu:
      - Nem queira saber...
      Mia entrou no carro, j abraando Jessica com entusiasmo, as duas quase lacrimosas dizendo como sentiram saudades uma da outra, quando os abraos acabaram,
Mia educadamente cumprimentou a noiva do irmo, no que ela no gostasse de Linda, fora a prpria Linda que colocara esses limites, sempre to formal e distante.
      Depois da chegada de Mia, eles conversaram somente trivialidades, Sam sentiu-se aliviado, pois Linda no tentara mais atac-lo e ele ria das bobagens que
as mulheres falavam.
      Chegaram ao elegante restaurante, que h essa hora, estava lotado e na sua maioria de empresrios homens, mas como sempre Janice havia feito reservas em nome
de Sam, o que no os fez esperarem uma mesa.
      Enquanto se encaminhavam a mesa, Sam reparou que no houve um homem que no olhasse para o grupo, alguns cobiando descaradamente, outros discretamente, alguns
Sam conhecia e seus olhares a Sam eram de pura inveja. No era todo dia que um homem estava acompanhado com trs beldades: uma morena de cabelos pretos e olhos verdes,
extremamente elegante, quase da altura de Sam; uma loira, de cabelos quase at a cintura, vestida  moda de Dallas, jeans justos, botas, chapu, com um corpo de
fazer qualquer homem implorar somente por um olhar, transbordando sexualidade por todos os poros; e por ltimo, uma mulher pequena, de corpo proporcional, vestida
com uma de suas criaes que a deixava elegante e sexy, balanando seus cabelos castanhos claros e sorrindo, de forma metafrica, com seus olhos azuis. Sam realmente
poderia se considerar um homem de sorte.
      Eles sentaram a mesa e o maitre veio atend-los prontamente, chamando Sam pelo nome, tratando-o com toda deferncia que um homem como Sam merecia.  Entregou
a ele a carta de vinhos e pedindo licena, informou que o garom j iria trazer os menus para as damas.
      Sam dispensou o vinho a pedido das trs. Fizeram o pedido da comida e o almoo estava caminhando muito bem, com o mesmo clima leve depois que Mia havia entrado
no carro, quando ele sentiu por debaixo da mesa um roar de p, em sua canela e panturrilha. Percebeu que no poderia ser Linda, pois ela estava de sandlia, esse
p a acarici-lo usava um calado mais pesado. Olhou para Jessica e ela lhe deu um olhar inocente.
      Meu Deus, pensou ele, como ela podia? O que ela pretendia com isso? No bastava para ela, ele estar noivo?
      Ele recolheu a perna e dirigiu a Jessica um olhar feroz e de forma discreta, balanou sua cabea negativamente. Ela somente tombou a cabea de lado, fazendo
um gesto, como que dizendo se era o que ele realmente desejava, ela parava.
      O que no passou despercebido a Sam tambm, foi o modo natural e elegante que Jessica e sua irm comiam, apreciavam a comida, enquanto Linda, comia devagar
demais, como que contando cada garfada que dava, depreciando a refeio a sua frente. Tudo bem, ele no podia julgar as pessoas somente por isso, ele no sabia como
Linda havia sido criada, mas como em sua casa e na de Jess, toda a conversa era quase ao redor de uma mesa com alguma guloseima, era difcil para ele imaginar uma
mulher que no apreciasse uma boa refeio.
      Encerraram o almoo, com duas sobremesas enormes para Jessica e Mia e Linda dispensando a sua e Sam somente tomara um caf. Eles saram do restaurante ainda
tendo Mia e Jessica com suas diabruras infantis como assunto principal. Sam achou que apesar de tudo, havia sido um almoo agradvel, Linda at participara da conversa
contando algumas das suas faanhas infantis, ou at mesmo alguns fatos inusitados que acontecera na sua carreira de modelo.
      Sam queria que sua mente estivesse como o almoo, leve e descontrada, mas no se sentia assim.



      CAPTULO OITO


      Sam voltara para o escritrio, mas no conseguiu mais trabalhar, seu pensamento estava todo voltado para certa mulher e essa mulher no era sua futura esposa.
      Havia deixado Mia e Jessica no apartamento de Mia. Sua irm estava com tantas saudades da amiga e com tantos assuntos para colocarem em dia que ela havia deixado
o ateli a cargo de Marcy. E Linda tambm ficara por l, claro que em sua cobertura e no com Mia e Jessica.
      Bem que ele tentou, mas no conseguiu se concentrar, sendo assim, resolveu voltar mais cedo para casa. Infelizmente, por culpa dele, no poderia ter a casa
s para si. Tudo bem que ele pedira Linda em casamento, mas por que, ele mesmo ainda no entendera, j havia trazido a mulher para morar com ele? Talvez ele inconscientemente
soubesse que se ficasse sozinho, poderia arruinar seus planos de comear uma famlia. No que ele tivesse sido fiel a Linda nesse um ms de namoro, mas depois
que a pedira em casamento, ele achou que devia isso a ela e a ele prprio.
      Chegou a casa e j subindo pelo elevador se sentiu tentado a digitar o cdigo de segurana que o levava para o andar de Mia, queria perguntar a Jessica o que
fora aquela carcia por baixo da mesa, mas mais que depressa tirou esse pensamento da cabea, mesmo que quisesse no poderia conversar com ela, pois Mia estaria
l e depois tinha sua noiva em seu apartamento, talvez o esperando...
      Eu deveria ficar feliz em ter uma mulher linda me esperando, mas a verdade...  que ela no  a mulher que eu gostaria que estivesse l... droga!

      Entrou no pequeno hall entre o elevador e a macia porta dupla de madeira que levava ao seu apartamento.
      Sam entrou no hall seguinte. O cho era de mrmore rosa, com duas esttuas gregas tambm de mrmore em nichos opostos da parede, com uma iluminao indireta,
de cor amarela deixava o hall com ar confortador. Desceu os trs degraus que dava para uma grande sala de jantar, com uma imensa mesa de madeira polida, com doze
cadeiras de espaldar alto e veludo vermelho, do lado esquerdo havia um enorme buffet com algumas baixelas de prata de sua me. No centro da mesa um lindo arranjo
de rosas vermelhas, que exalava um cheiro agradvel por todo o cmodo.
      As cortinas estavam abertas e ele podia ver dali  belssima paisagem de um dos parques mais lindos de toda Dallas, o Turtle Creek. Quando tinha tempo, o que
era quase nunca, ele ia ao parque correr ou simplesmente sentar e olhar o imenso lago.
      O dia estava quente e os raios de sol invadiam a sala, iluminando o ambiente, era a natureza dando seu show.
      Sam virou a esquerda para dirigir-se a cozinha, passou em frente ao pequeno e limpo lavabo  esquerda no corredor e entrou num pequeno cmodo, pintado inteiramente
na cor laranja. Havia uma mesa quadrada com tampo de vidro e ps de vime, contendo oito cadeiras confortveis tambm de vime e com almofadas com um tecido colorido,
essa era a sala de almoo e caf informal, onde Sam e Mia, agora Linda, faziam suas refeies. Ali tambm havia um arranjo de flores na mesa e tambm se via a beleza
dos raios solares, pela imensa janela.
      Entrando pela portas vai-e-vem da cozinha moderna, encontrou a Sra. Bishop, sentada numa pequena mesa redonda tomando um ch. No mesmo instante a senhora se
levantou, dizendo:
      - Desculpe, Sr. Thunderheart, no imaginei que o senhor chegaria to cedo.
      - Por favor, Sra. Bishop, meu nome  Sam, j disse isso para a senhora milhares de vezes e no se preocupe comigo, sente-se e continue seu ch.
      A mulher sentou-se:
      - Obrigada.
      Sam tirou seu palet, jogou-o sobre o encosto de uma cadeira, afrouxou a gravata, abriu a geladeira e pegou uma garrafa de vinho que j estava aberta. Foi
at o armrio e pegou uma taa para servir-se. Antes de sentar-se mostrou a taa de vinho a Sra. Bishop para oferecer-lhe um pouco, o que ela recusou tambm sem
dizer uma palavra.
      Ele sentou-se a mesa e perguntou com voz cansada:
      - Onde est Linda?
      - A ltima vez que a vi, ela estava na sala branca, senhor. E a Sra. Bradley ligou para o senhor, pediu assim que o senhor chegasse ligasse para ela.
      - Obrigada, Sra. Bishop e depois quando terminar seu ch, a senhora j pode se recolher, no vou querer jantar e se Linda quiser alguma coisa, ela mesma providenciar.
      - Obrigada.
      Sam pegou o celular do bolso de seu palet, pensando o que  me de Jessica gostaria de falar com ele. Discou o nmero e esperou ansioso algum atender.
      Depois de trs toques a prpria Sra. Joyce atendeu:
      - Sam?  a voz dela estava ansiosa.
      - Oi, tia Joyce, tudo bem com a senhora? Algum problema?
      - Tudo bem, querido, nenhum problema. Ela hesitou por instantes e continuou  parabns pelo seu noivado, filho, fico muito feliz por voc ter encontrado a
mulher certa para voc, j estava na hora, no  mesmo?
      - Obrigado, tia.  Sam jamais admitiria para ningum, que Linda talvez no fosse realmente a mulher certa.
      Ele percebeu que Joyce tinha algo mais para dizer, esperou alguns segundos, ento ela perguntou:
      - Jessica est em Dallas, voc j a viu?
      - Sim, almoamos juntos. Eu, Mia e minha noiva.
      - Ela j conheceu sua noiva? Isso  bom, muito bom...
      Sam achou estranho o jeito de falar da Sra. Bradley. Ser que ela sabia de alguma coisa? Deus! Ser que ela sabia... daquele... daquilo?
      - Tia, a senhora no me parece bem, o que h?
      - Ah, querido,  to difcil para eu falar sobre isso, afinal Jessica  minha filha e voc  como um filho tambm para mim... Eu sei que no devo me meter
na vida de duas pessoas adultas, mas... acho que agora que voc est noivo, eu possa ficar mais tranqila...
      - Tia, do que a senhora est falando? Jessica chegou bem, ela est bem, no est?
      - Sim, bem at demais... Eu vou ser franca com voc, filho, afinal voc conhece Jessica desde que ela nasceu. Voc sabe que quando ela pe uma coisa na cabea,
ningum consegue remove-la, pois bem, querido, ah, como isso  difcil, mas... bem, ela acha que ama voc e foi at a para destruir seu noivado com essa moa.
      - Tia, isso  um absurdo, Jessica, sempre foi como uma irm para mim e ela sabe disso  Sam mentia muito bem quando precisava, a nica coisa que conseguia
pensar era que seus maiores temores eram reais, Jess ainda o amava depois de todo aquele tempo e estava disposta a tudo para conquist-lo e a confirmao vinha de
sua prpria me. , realmente ele estava perdido.
      - Sim, eu sei que voc se sente assim, em relao a ela...
      Mal sabe a senhora como me sinto, pensou Sam.
      - Mas eu gostaria, mesmo assim, de lhe pedir um favor. Jessica  uma mulher linda, atraente... e voc um homem saudvel e bem, no muito recatado.
      Sam riu com a maneira gentil de sua tia dizer-lhe que o achava um pervertido.
      Joyce continuou:
       - Por favor, Sam, no d esperanas a ela, no se deixe seduzir... no transforme minha filha em mais uma de sua lista.
      Nossa essa foi pesada.
      - Tia Joyce, eu...
      - Eu posso at estar sendo injusta com voc, mas seu passado o condena, no em relao  Jessica  claro, mas... Voc  um homem experiente, no so somente
nos quinze anos que os separam, mas tambm nessa vasta experincia.
      Apesar de Sam saber que Joyce estava certa, aquele ar de voc no serve para minha adorada filha no o agradou em absoluto. E acabou sendo rude:
      - Resumindo, tia Joyce: mantenha suas mos longe da minha filha, voc no  o homem certo para ela. Pode ficar em paz, tia, Jessica est a salvo.
      - Sam, eu no quis ofend-lo...
      - No, tudo bem, a senhora mesma disse, meu passado me condena, no  mesmo? Qual a me que me gostaria como genro? Tenho sorte, pois Linda  rf, assim no
tenho que me preocupar, no ?
      - Me desculpe filho, tenha uma boa noite.
      A Sra. Bradley desligou sem ao menos deixar Sam responder.
      Quando ele iria parar de agir como uma criana quando o assunto era Jessica? Ele havia sido mal educado, ele sabia disso, mas toda aquela conversa o deixara
nervoso.
      Ele sabia que no era o homem certo para Jessica, ningum precisava ficar esfregando isso em sua cara. Afinal, o que ele sentia por Jessica era puro e simples
desejo e eles estavam realmente anos-luz de distncia, no somente na idade, como sua tia Joyce dissera, mas em vivncia. Jessica precisava conhecer um rapaz de
sua idade, que no tivesse um corao calejado e no possusse uma lista de mulheres em seu currculo.
      Deus, ele sabia de tudo isso, mas como aceitar que Jessica no podia ser sua?  Como imaginar um outro homem que no fosse ele, tocando-a?
      Nesse instante o seu celular vibrou, olhou para o identificador de chamadas era o celular de seu pai, problemas na empresa, era s o que faltava para completar
o seu dia:
      - Ol, papai, tudo bem?
      - Boa-tarde filho. J em casa?
      Apesar de se sentir estressado e cansado como nunca se sentia, ouvir a voz de seu pai sempre era muito bom. Seu pai, um homem vigoroso de 58 anos, sempre fora
seu heri, mentor, inspirador. Era um homem forte, forjado no trabalho duro do campo, na terra seca do Texas. Era um homem que acreditava nas tradies, no amor
a famlia, na honestidade nos negcios e na importncia dos amigos. Era um homem franco at demais, dando a impresso para as pessoas que no o conheciam, que era
um homem rude, severo, quando na verdade era um homem com um grande corao, por isso e por outras qualidades e defeitos, era sempre bom conversar com ele:
      - Sim, decidi vir mais cedo. Ainda estou com o fuso horrio de Londres na cabea e no estava me sentindo disposto para continuar no escritrio. Tenho certeza
que depois que tiver uma boa noite de sono, estarei inteiro novamente.
      - Claro filho, no liguei para voc poder se justificar.  um assunto um pouco mais delicado do que isso.
      Ah, no, no seu pai...
      Ser que as pessoas no notavam que ele j era um homem feito, que coisa era essa agora dos outros se intrometerem em sua vida daquela maneira?
      - Pelo silncio devo imaginar que voc deva saber do que se trata, no  mesmo?
      - Creio que sim, recebi uma ligao estranha de tia Joyce.
      - Ah, ento ela se adiantou. Chegou a pedir para sua me para que eu falasse com voc. Ento, eu vou lhe pedir, mesmo sem achar necessrio, afinal voc no
 mais um moleque. Apesar de eu achar que voc estivesse se comportando como um adolescente com os hormnios em ebulio nesses ltimos anos, mas agora apesar de
achar que voc est se precipitando com essa inglesa, parece que voc ir se assentar.
      - Pai, eu...
      - Eu ainda no acabei Sam, j que estamos tendo essa conversa, eu gostaria que voc soubesse que no me orgulhei muito do seu comportamento nesses ltimos
anos, mas eu sou s seu pai e no podia me intrometer em sua vida. Voc conquistou um harm de causar inveja a qualquer sulto, nunca era visto duas vezes com a
mesma mulher e o povo fala, filho. Para alguns, voc foi um heri, mas para outros, voc estava se comportando como um devasso. Tive medo que na hora que voc decidisse
se casar, no conseguisse achar uma moa que o aceitasse como marido, devido sua fama. E agora essa sua fama, lhe arranjou um problema, sua tia e sua me tm medo
que voc sucumba ao charme de Jessica e depois a magoe, pois de acordo com a me dela, voc  a obsesso dessa menina desde que ela usava fraldas.
      Sam ouvia o pai e apertava os olhos com os dedos, ele realmente estava cansado e jamais imaginou que seu pai soubesse de suas conquistas, no que achava
que tivesse feito algo vergonhoso, afinal as mulheres consentiam em sair com ele, ele nunca obrigara ningum, mas ouvir o pai pela primeira vez dar a sua opinio
sobre o assunto no o estava agradando, fazia-o sentir-se como realmente um adolescente pego com uma revista masculina no banheiro.
       - Pai! Eu j entendi, tia Joyce foi bem explcita, para que eu fique longe de Jessica, mas  Jess, lembra...
      - Eu sei, eu sei, mas voc j a viu, no viu? Ela est... crescida e ela se transformou numa mulher que todo homem vem a desejar para si um dia...
      - Eu juro que no estou ouvindo isso, eu no vou ouvir...  Sam no sabia se sentia enojado, ou possesso.
      - Est bem, mas filho, fique longe de Jessica. No quero que a machuque, ela no  como as mulheres da, ela no  uma mulher que voc poder descartar. E
eu no vou perder uma amizade de uma vida inteira, porque voc no soube controlar seus hormnios.
      - Como voc mesmo disse, no sou mais um moleque, eu estou com 35 anos de idade, sou quase um idoso  a voz de Sam tornara-se amarga  agora eu preciso desligar,
pai, preciso descansar, amanh tenho que exercer a minha funo de presidente de umas das maiores exploradoras de petrleo dos Estados Unidos e que por acaso cuido
desde que tinha 23 anos.
      - J entendi, filho, sei que voc est se sentindo ofendido, mas eu precisava falar, apesar de saber que a muito tempo  um homem, para mim, assim como para
todos os pais, os filhos nunca crescem. S mais uma coisa: voc tem certeza sobre esse seu casamento, voc conhece a moa h to pouco tempo, no seria mais pru...
      - Pai, no, por favor, no hoje. Terei o maior prazer de discutir esse assunto com voc outra hora, mas no hoje.
      - Tudo bem, boa-noite, Sam...
      Sam hesitou por um instante e ento falou:
      - Pai e se eu... e se o que eu sentisse em relao  Jess...
      - Filho, deixe-a em paz, voc  mais velho que ela, mais experiente. Jessica precisa de um rapaz da idade dela, vocs foram criados como irmos, seria at
mesmo estranho se vocs ficassem juntos. E eu no quero confuso na nossa famlia...
      - Boa-noite, pai!
      Dessa vez foi Sam que desligou sem esperar resposta, precisava livrar seu corpo, sua mente, sua alma e tudo que mais que estava impregnado com Jessica. A famlia
dela no o aprovava, o pai pedira para afastar-se, esquecer, relevar, deixar em paz, esses seriam seus lemas em relao  Jessica de agora em diante.
      Sam levantou-se resoluto, levando sua taa de vinho, foi em direo  sala branca, que na verdade era a sala de msica, chamada assim por ser toda branca.
      Ao canto dessa sala, prximo a portas francesas que levavam a uma varanda, havia um piano de calda branco, ao lado do piano havia dois violes brancos em seus
suportes. Num armrio, branco, do lado esquerdo havia um violino numa caixa de madeira aberta. Ali tambm havia uma lareira em mrmore branco, com anjos em jade
adornando o aparador, ao lado da lareira um espelho do cho ao teto com uma moldura dourada, em frente  lareira havia um conjunto de sofs de dois lugares brancos
de couro e vrias almofadas em tons de verde. Entre os sofs um tapete alto branco e macio cobria o cho de madeira, tambm branco.
        Sentada em um dos sofs estava Linda, olhando para fora admirando por certo a maravilhosa vista. Estava descala com as pernas sobre o sof. Usava uma cala
pantalona de tecido quase transparente de cor azul, com um top justo tambm azul. Sam admirou sua beleza, sem que ela notasse e tambm constatou sua total falta
de interesse por essa beleza.
      Tinha que se interessar! Ela era linda!
      Aproximou-se devagar para no assust-la e sentou-se a seu lado:
      - Ah, querido, que surpresa. Achei que chegaria mais tarde.
      Ela aproximou-se de Sam e tocou de leve seus lbios. Sam abaixou a taa at o cho e aprofundou o beijo. Sentiu Linda render-se a ele. Ela passou os braos
por seu pescoo, aproximando mais o contato de seus corpos. Ele levantou a mo e acariciou o seio de Linda sobre o top, continuou beijando-a, provocando-a, chegou
a ouvi-la soltar um pequeno gemido, o que era uma novidade, mas infelizmente nada, nada aconteceu com ele. A nica coisa que pensava era que Linda, no era Jessica.
      Droga, droga, droga!
      Ele afastou-se rapidamente de Linda, levantando-se do sof, apertando os olhos com a mo. Pensando que aquilo no era certo, no era certo enganar a mulher
bela e meiga que estava diante dele. Ouviu Linda perguntar:
      - Qual o problema, Sam? Eu fiz algo errado?
      Ele sentou-se ao lado dela, vendo a tristeza em seus olhos, mentiu:
      - Claro que voc no fez nada de errado,  que a Sra. Bishop ainda no se recolheu e no quero que ela nos pegue fazendo amor no sof, no  mesmo?
      Linda sentiu que ele mentia, mas no disse nada. Ela notara no restaurante que Sam mal conseguia tirar os olhos de Jessica, ao contrrio do que imaginou no
viu em nenhum momento a moa flertar com ele abertamente. O maior problema para Linda estava justamente a, Jessica tinha um charme natural, no precisava se esforar
para seduzir. Mas ela tinha que fazer alguma coisa, no podia perder seu arco-ris com o pote de ouro no final. Nem que tivesse que seduzir Sam, interpretando o
papel de sedutora fatal! No o perderia para uma menina rancheira!
      Sam pensava que como ficar diante de Jessica apenas por duas horas, poderia t-lo afetado tanto? J havia feito amor com mulheres antes, mesmo quando no sentia
toda aquela vontade, mas agora, no conseguia ficar excitado, no conseguia imaginar fazer amor com Linda, pois sabia que quando a tocasse sua mente o levaria at
Jessica.
      Isso era loucura! No, no era loucura, era aquela velha obsesso pelo o que no podemos ter. O gosto pelo proibido, no tinha outra explicao.
      Deus, eu preciso levar minha vida adiante, no posso viver mais em funo de algo que aconteceu h cinco anos, com uma menina que podia ser minha irm mais
nova. Ficar pensando em uma mulher que a prpria me acha que no sirvo para ela..
      Sem Sam estar preparado, Linda agarrou-se a ele, lhe deu um beijo de tirar o flego e disse num sussurro rouco:
      - Mande a Sra. Bishop se recolher, estarei te esperando no quarto.
      E saiu da sala desfilando.
      Sam j no entendia mais nada. Quem era aquela mulher que o beijara de forma apaixonada? Linda no era assim. E ele no queria que ela fosse assim, no hoje,
no agora, no com todos esses pensamentos confusos em sua cabea.
      Ele foi para a cozinha, no para dispensar a Sra. Bishop que j se recolhera a seus aposentos, mas tomar o resto do vinho que estava na geladeira, quem sabe
assim estaria embriagado o suficiente quando fosse para o quarto. Tirou o vinho da geladeira e tomou grandes goles da garrafa, sentiu o liquido queimar sua garganta
e seu estmago vazio, pois sua ltima refeio havia sido o almoo. Sabia que em pouco tempo ele estaria fazendo efeito, pois Sam no era um grande bebedor, a ltima
vez que ficara bbado fora...
      Ah, no! De novo Jessica...
      Tomou o resto do vinho. E de um nicho no armrio da cozinha, pegou outra garrafa, abriu-a e sem pensar tomou mais meia garrafa do gargalo e sentiu que a bebida
comeava a fazer o seu milagre, j estava se sentindo mais corajoso, mais leve, com seus pensamentos mais anuviados.
      Saiu da cozinha, passou pela grande sala de jantar, levando consigo a garrafa de vinho, bebendo um gole a cada passo, seguiu e passou em frente  sala branca,
entrou no corredor decorado com fotos dele com a famlia em molduras douradas, passou em frente  biblioteca e tambm seu escritrio, a porta de um banheiro e entrou
na prxima porta, onde era a sute principal, o seu quarto.
      As cortinas estavam fechadas, a nica luz acesa, era a do abajur ao lado da cama, ele conseguiu ver Linda deitada na grande cama King size, seu corpo j nu,
branco, contrastando com o edredom negro.
      Entrou, j meio cambaleante, fechou a porta, pensando com ironia que dessa vez era ele que seria usado, como tantas vezes usara as mulheres nesses ltimos
cinco anos.



      CAPTULO NOVE


      Jessica e Mia haviam conversado sobre tudo e sobre todos at altas horas da manh.
      Jessica no se conformava que Sam havia escolhido como esposa uma mulher que mais parecia a Olvia Palitos, mal comia, falava com aquele sotaque afetado, que
no entendia nada sobre cavalos, ou sobre uma fazenda e que nitidamente no estava apaixonada por ele e o pior, ele tambm no estava apaixonado.
      Mia tentara a todo custo fazer Jessica mudar de assunto, falar dos cavalos, dos amigos da faculdade, dos pais, tentou convenc-la que ela no enxergara a paixo
entre seu irmo e Linda, porque ela estava envolvida demais, mas que l existia amor sim, mas nada adiantara, ela parecia mais uma mula velha empacada, ou um disco
riscado.  Repreendera-a quando Jessica contou sobre o carinho que fizera em Sam por debaixo da mesa no restaurante, achando a atitude dela era de uma mulher baixa,
afinal ela estava de frente  noiva do irmo. Jessica ento usou um velho jargo: No amor e na guerra vale tudo. O que mais ela poderia falar para a amiga louca?

      Mia acordou cedo precisava ir para o ateli, alm de t-lo abandonado no dia anterior, sexta-feira era um dia muito bom, aonde as esposas e filhas dos ricaos
de Dallas, algumas amigas de sua famlia h sculos, iam at o ateli para gastar os preciosos dlares dos maridos. E esse final de semana haveria o espetculo principal
do corpo de baile do teatro, onde todos os vips de Dallas estariam em peso.
      Antes de sair pensou em passar no apartamento de Sam e perguntar-lhe se estava tudo bem e tambm para filar o caf da manh como fazia sempre, mas lembrou-se
que ele no estaria sozinho, alm de no poderem conversar abertamente sobre se a visita de Jessica o havia afetado ou no, no estava muito a fim de ser simptica
com Linda hoje. Depois de ter escutado toda a ladainha de Jessica, ficara com uma pulga atrs da orelha sobre o relacionamento do irmo. E se Jessica tivesse razo?
Se eles no tivessem realmente apaixonados um pelo outro, que tipo de casamento Sam planejava ter? Um por convenincia? No, no poderia deix-lo cometer tal erro.
Acima de tudo, Mia era uma romntica.
      Deixou um bilhete para Jessica que ainda dormia e foi para o trabalho mais uma vez com Gmez que j a esperava eficientemente na garagem do edifcio.

      Sam acordou com uma dor de cabea horrvel e lembrava-se, infelizmente, de tudo que ocorrera durante a noite, apesar de ter agido como um autnomo.
      Agora ele tinha que abrir os olhos e encarar Linda como se tudo estivesse normal, como se seus planos fossem perfeitos e esquecer que Jessica estava no apartamento
abaixo.
      Ao abrir os olhos, sentiu uma pontada forte nos olhos.
      Deus, como di, acho que minha cabea vai explodir, pensou Sam.
      Quando conseguiu manter os olhos abertos e mirar ao redor, notou que pelo menos Linda no estava  vista, tambm no ouviu nenhum rudo vindo do banheiro.
      Queria tanto que ela houvesse sado, ido para qualquer lugar, fazer compras, ao cabeleireiro, de volta a Londres, s para no precisar olh-la e sentir-se
culpado. Ele tinha que parar de fazer coisas que o deixavam com essa sensao de culpa depois, precisava pensar antes de agir.
      Entrou no espaoso banheiro todo em mrmore branco e negro e foi direto para a ducha, ligou totalmente na fria e deixou que gua escorresse sobre seu corpo,
tendo calafrios por causa da temperatura da gua em contraste com a sua temperatura corporal. Aqueceu a gua aos poucos e terminou de tomar seu banho. Ainda nu,
foi at a pia e olhou-se no espelho.
      Ah, ele estava com uma aparncia horrvel!
      Fez a barba com calma, pegou o roupo felpudo negro, vesti-o saindo do banheiro, quando olhou a hora no relgio de cabeceira no acreditou, j passava das
nove horas da manh. Ele nunca se atrasara tanto para o trabalho, o que estava acontecendo com ele? Tambm nunca havia bebido tanto dessa forma, ainda mais numa
quinta-feira.
      Olhou a cama toda desarrumada e sentiu-se enjoado. Como pudera? E lembrou-se de algo que o deixou mais aturdido, Deus, ele no usara preservativo quela noite
com Linda. Onde ele estava com a cabea? J no sabia mais se queria comear uma famlia com Linda, bem, pelo menos no por agora, precisava planejar tudo primeiro...
      Ah, no, no!
       Ele lembrou-se de outra coisa ainda pior, ele tinha certeza que em sua mais recente insanidade, ele chamara Linda de Jessica... Inmeras vezes...
      O que adiantava o cara se embriagar e lembrar-se de tudo no dia seguinte?
      E agora o que ele faria, onde ela estaria? O que ele diria? O que ela diria?
      Eram perguntas demais para uma mente que no se encontrava cem por cento. Ele devia lembrar-se como era horrvel ficar de ressaca.
      Entrou no imenso closet, organizado com capricho e eficincia pela Sra. Bishop e as ajudantes que ela usava para limpeza e arrumao do apartamento. Escolheu
entre tantos ternos caros e elegantes, um cinza risca de giz, uma camisa bord e uma gravata de seda com listras transversais cinza e bord. Completou a vestimenta
com meias pretas, cinto e sapatos pretos. Verificou sua aparncia no imenso espelho do closet e constatou que sua aparncia no condizia com seu esprito. Ele estava
como sempre elegante e passando eficincia, quando na verdade se sentia um farrapo humano e com a mente tumultuada e dispersa.
      Encaminhou-se diretamente para a copa, gostaria muito de tomar um caf e aspirinas, antes de se encontrar com Linda, mas talvez seu desejo no fosse atendido
afinal, ela deveria estar l.
      Entrou j respirando fundo e a encontrou sentada  mesa, com uma xcara de algo fumegando em uma das mos. Ela usava um neglige de seda branco, sobre uma camisola
da mesma cor, sua ateno estava voltada ao jornal que lia atentamente.  A mesa estava posta com um caf da manh completo. Invs de se sentir satisfeito, aquilo
o enjoou ainda mais, a bebedeira estava cobrando seus efeitos, sem contar  conversa que teria que ter com Linda.
      - Bom dia, Linda.
      Ela levantou os olhos do jornal e disse com um sorriso:
      - Bom dia, querido. Dormiu bem? Voc no me parece bem.
      Ele aproximou-se cauteloso e sentou-se ao seu lado:
      - Somente estou com um pouco de dor de cabea...
      - Vou pedir que a Sra. Bishop lhe traga aspirinas, s um segundo.
      Antes que ela se levantasse, Sam segurou seu brao e impediu que sasse da mesa:
      - Linda, s um instante, precisamos conversar...
      Sam estava achando estranha a reao dela, afinal, ela estava agindo como se nada tivesse acontecido e lembrava-se com clareza de t-la chamado de Jessica
durante o sexo e nenhuma mulher poderia ser to condescendente a ponto de ficar to tranqila assim no outro dia... E se ele tivesse sonhado aquilo? Afinal se ele
houvesse mesmo a chamado pelo o nome de outra mulher, ela teria parado o ato no mesmo instante, mas isso no s no ocorreu, como estava ela ali, calma, preocupada
com o bem estar dele.
      Ela voltou a sentar-se e esperou impassvel que ele lhe dissesse alguma coisa. Ela sabia o que ele iria lhe falar. Durante o interldio noturno ele a chamara
de Jessica o tempo todo. Mas mais uma vez, como tantas outras, ela fingiu que estava adorando, assim tambm como fingiu que no ouvira a pior coisa que pode acontecer
com uma mulher enquanto ela est fazendo amor, principalmente com seu futuro marido, ser confundida com outra. Mas ela percebera que ele estava bbado, no estava
em condies em pensar em se proteger e hoje ela poderia j estar esperando um filho dele. Um filho que garantiria seu casamento, ou se no houvesse casamento, afinal
ela vira o abrao, depois os olhares, o deslumbramento mtuo entre Jessica e Sam. Ela tinha certeza que Sam assumiria o filho e ela teria uma penso substancial
para viver o resto de sua vida da forma que mais gostava. Gastando dinheiro em coisas caras, finas, elegantes e suprfluas. E ento, ela resolveu fingir que ele
no dissera nada, assim talvez o confundisse e ele acharia que na verdade sonhara que a chamara de Jessica. Ento ele falou:
      - Ontem, eu...
      - Ah, querido, mesmo voc tendo tomado um pouco mais de vinho, voc foi magnfico como sempre.
      Ela levantou-se e deu um leve beijo nos lbios de Sam.
      - Se era s isso, vou buscar suas aspirinas.
      Sam deixou que ela fosse se perguntando se teria realmente sonhado que havia chamado Linda de Jessica. Bem, s poderia ter sido sonho, Linda estava radiante
esta manh e Sam achou que ela estaria j fazendo as malas, mas tudo parecia bem.
      Ela voltou com as aspirinas e colocou um pouco de suco num copo e deu a Sam com um sorriso. E mais uma vez ele pensou que realmente estivera sonhando com Jessica
mais uma vez.
      Eles sentaram e comeram em silncio.
      Sam pensando no dia que teria no escritrio e Linda fazendo seus planos sobre o casamento ou quanto cobraria de penso.
      Ao terminar o caf, Sam perguntou a Linda:
      - Voc tem algum compromisso para hoje?
      - Marquei um dia no Spa do condomnio, por que voc estava pensando em alguma coisa, eu posso desmarcar?
      - No, somente gostaria de saber seus planos. Vou passar o dia todo no escritrio, talvez hoje eu chegue tarde, tudo bem?
      - Tudo bem, querido, tenha um bom dia.
      - Obrigada, Linda, voc tambm.
      Ah, eu terei, pensou ela, j comecei a gastar o seu dinheiro e no o meu, meu bem.
      E Sam se dirigiu ao subsolo para pegar sua pick-up e comear seu dia de trabalho, que por sorte seria melhor que o anterior, sem lembranas ou interrupes
e as preocupaes e devaneios que vinham junto com as memrias.



        CAPTULO DEZ


      Jessica espantou-se quando ela acordou e no encontrou Mia, normalmente era ela que acordava cedo e despertava a amiga.
      Encontrou um bilhete, dizendo que Mia estava no trabalho e que ligasse para ela ao acordar para combinarem o almoo.
      Jessica pegou uma ma da cesta de frutas da cozinha e telefonou para a amiga:
      - Maison Thunderheart, bom dia!
      - Bom dia, Marcy.  Jessica, posso falar com Mia?
      - Bom dia, Jessica. Somente um instante, passarei a ligao a ela.
      Jessica deu mais uma mordida e esperou somente alguns segundos at ouvir a voz de sua amiga:
      - Bom dia, dorminhoca! Quem diria que eu acordaria antes que voc, hein, Jess?
      - R, r, to engraadinha! Voc trabalhar o dia inteiro hoje, Mia?
      - Infelizmente, Jess, no poderei ausentar-me do ateli. Hoje  um dia movimentado e as clientes fazem questo de serem atendidas por mim. Mas imaginei que
voc possa vir para c e ento almoaremos juntas. O que voc acha?
      - No era bem isso que estava planejando para hoje, Mia, eu estava pensando, bem, melhor eu contar depois que der certo..., somente gostaria de sua ajuda para
fazer alguns ajustes em meus planos...
      - Ah, l vem.
      Jessica assoprou e disse para amiga:
      - Mia, eu vim aqui para tentar conquistar Sam. Isso no  segredo para voc e acho que para ningum. Gostaria que voc me ajudasse, isso  possvel ou no?
      - Ah, tudo bem, o que voc quer que eu faa, por favor, nada que eu tenha que mentir descaradamente a Sam ou Linda, porque eu no vou fazer isso.
      - No, nada disso, s gostaria de saber se eles vo almoar juntos. Se no, onde Sam almoar?
      - Bem, isso  fcil, vou ligar para ele e j te ligo.
      - T bem.
      Jessica desligou ansiosa esperando o retorno de Mia.

      Mia ligou para Sam no escritrio. E Janice atendeu informando-a que ele ainda no havia chegado, mas lhe passaria o recado, Mia agradeceu e desligou.
      Ligou para o celular e ouviu a voz grave do irmo:
      - Bom dia, irmzinha.
      - Bom dia, irmozinho.
      Sem se conter Sam perguntou:
      - E sua hspede como est?
      - Minha hspede est muito bem, como voc deve saber, afinal a conhece tanto quanto eu.
      - Est de mau humor, Mia?  pensando que o mau humor deveria ser dele, afinal acordara com uma baita ressaca. E no parava de pensar na hspede de sua irm,
quando na verdade deveria estar pensando na mulher maravilhosa que ele havia pedido em casamento.
      - No, estou bem  ela no gostava desse joguinho que estava fazendo, amava sua amiga, mas tambm amava seu irmo e no se sentia bem o espionando  voc vai
almoar com Linda hoje?
      - No, no vou, mas se isso  um convite, vou ter de declinar. Estou atolado de trabalho e no poderei sair do escritrio hoje.
      Muito menos, caso voc planeje um outro almoo que terei que ficar ao lado de Jessica, pensou Sam. Manter distncia daquela mulher seria mais que racional,
faria ele feliz, a me dela feliz e at mesmo seu pai feliz.
      Com a resposta de Sam ela teve uma desculpa para a pergunta:
      - Ah, que pena, pensei que poderia arrast-lo para um almoo, somente ns dois como fazamos antes.
      - Est com cimes de Linda, Mia?  Sam estava achando aquela conversa toda muito estranha e a ltima vez que teve este pressentimento em relao a Mia, a melhor
amiga dela estava vindo para Dallas, o que foi no dia anterior. E por conseqncia ele estava vivendo quase que num mundo paralelo ao seu, onde no conseguia se
concentrar no trabalho, tivera que se embebedar para poder transar com uma mulher desejvel e s pensava numa loira, linda, sexy, na mulher que Jessica se transformara.
      - No, claro que no...  Mia no sabia mais o que dizer, tinha medo de acabar entregando Jessica, apesar de no saber realmente dos planos da amiga.  tudo
bem, ento, irmozinho, bom dia para voc.
      - Um bom dia para voc tambm, Mia.
      Sam no deixou de pensar que tinha muito mais por trs daquele telefonema de Mia, mas voltou a se concentrar no trnsito que estava uma loucura aquela manh.

      Mia ligou para Jessica e lhe informou que Sam no sairia para almoar e que ele no veria Linda.
      Jessica ento comeou a se preparar. Primeiro tomou um longo banho de banheira e usou seu prprio sais de banho que trouxera na bagagem.
      Depois tentou escolher entre as roupas que havia trazido, mas nada a agradou. Ligou novamente para Mia e perguntou se a amiga tinha alguma coisa leve para
ela vestir, pois as roupas que trouxera se resumiam em jeans e blusinhas. Mia era um pouco mais baixa que Jessica e ela tinha um pouco mais de busto e quadril que
Mia, ento a amiga sugeriu que Jess procurasse alguma coisa no quarto de criao que ela tinha em casa.
      Jessica entrou no quarto e ficou de boca aberta. Tudo era muito bem organizado, havia metros e metros de tecidos arrumados numa prateleira, mquinas de costura
e de corte em uma mesa ampla. Assim como araras com modelos lindos que Mia criava.
      Passou a mo pelos vestidos, terninhos, saias e blusas, que deixaram Jessica orgulhosa da amiga e seu lado feminino para compras veio a tona. Queria experimentar
tudo, mas olhou no relgio e percebeu que no tinha muito tempo. Experimentou algumas peas e por fim escolheu um vestido de jeans macio, frente nica com um decote
em v, que ressaltava seus seios mesmo sem precisar usar suti, ele afunilava na cintura, o que a realava e depois saa em uma saia ampla que a fazia se sentir elegante,
como as mulheres dos anos 50. E a saia, por sua vez se encaixava perfeitamente em seus planos, pois no precisaria usar lingerie. Escolheu um par de sapatos pretos
de salto que combinavam perfeitamente com o modelo. Penteou os cabelos para que os cachos ficassem mais acentuados o que lhe deixava menos menina e mais mulher.
      Ligou para a portaria do prdio e pediu um txi.
      Na despensa de Mia, pegou a cesta de piquenique, que Mia lhe mostrara na noite anterior e lhe contara uma histria divertida sobre um piquenique romntico
com um pretendente que depois se mostrara um chato e colocou dentro uma garrafa de vinho branco, duas taas de cristal, torradas, dois tipos de pat, um pote de
caviar, morangos limpos e uma lata de chantilly, alm de saca-rolhas, pratos, talheres e guardanapos.
      Desceu pelo elevador e entrou no txi que j estava a sua espera, fazendo uma prece.
      Ela chegou ao edifcio Thunderheart exatamente a meio-dia e dez. Estava nervosa, mas nada a demoveria de fazer o que tinha planejado, tinha que pelo menos
tentar, no  mesmo?
      Entrou na elegante recepo e pegou o elevador para o ltimo andar. Quando chegou ao andar, tentou passar despercebida por uma recepcionista atrs de um balco
alto, com um fone de ouvido na orelha que atendia as ligaes.
      - Bom dia, senhorita. Posso ajud-la?
      - Oh, no. Obrigada. O Sr. Thunderheart est me esperando, eu sei o caminho.
      - Senhorita, senhorita  chamou a moa, mas Jessica j se dirigia a sala de Sam apressada.
      Quando Jessica chegou  porta que antecedia a sala dele, essa se abriu e Janice a recebeu com um sorriso:
      - Ento,  a senhorita? Vou pedir para Brbara dispensar os seguranas. A senhorita deveria ter se identificado na recepo, Srta. Bradley, deixou Brbara
em polvorosa.
      - Desculpe Sra...
      - Janice, querida, todos me chamam assim.
      - Janice, eu queria fazer uma surpresa para Sam e...
      - Entendo  disse Janice abrindo a porta para Jessica entrar, olhando-a de cima em baixo e fixando o olhar na cesta de piquenique  mas ele ainda no sabe
que a senhorita est aqui, quando algo assim acontece, o Sr. Thunderheart no precisa ser incomodado. Faa o seguinte, criana, entre e boa sorte, pois ele hoje
no est em seu melhor humor.
      Jessica parou por um instante na imponente porta e respirou fundo. Abriu a porta e entrou devagar, Sam estava sentado atrs de sua imensa e bela mesa, compenetrado
olhando para a tela de seu computador.
      Por que ele tinha que ser to lindo? Por que tinha que parecer um modelo sado das pginas de uma revista masculina de moda? Sem levantar os olhos, falou:
      - Janice, j pedi para no ser incomodado, o que ...
      A frase morreu quando ele levantou os olhos e deu de cara com Jessica com o sorriso mais meigo e lindo que ele jamais vira em toda sua vida.
      Deus, ela era puro sex appeal! Os seios parcialmente a mostra no decote, aquela cintura fina... Mesmo a saia ampla parecia no conseguir esconder o que ali
estava, as belas e fortes pernas. Estava magnfica e a reao involuntria de certa parte de sua anatomia, confirmava seus maiores temores, se ele no ficasse longe
de Jessica, ele no conseguiria ficar longe de Jessica. E sua reao, foi imediata:
      - Jessica, o que voc est fazendo aqui?  sua voz soou rude, mas ele realmente estava nervoso, ela no tinha que aparecer assim. J no bastara ter tido que
se controlar no dia anterior, que fora at fcil, afinal no estava sozinho, sua noiva e sua irm os acompanhavam. Mas agora, o que seria dele, diante daquela viso
estonteante, sexy?
      E Sam comeou a pensar sem parar em seu pai, na me de Jessica, como ele havia sido o mais baixo dos homens quando a agarrara quando ela tinha apenas quinze
anos e que ele sempre a considerara uma irmzinha... At o dia que a teve nos braos e experimentou seus beijos...
      Eu preciso me controlar! Eu preciso lembrar que sou um homem mais velho agora, mais experiente, controlo uma empresa que vale milhes, j domei cavalos indceis,
estou noivo e no ser uma menina de vinte anos que abalara minhas convices.
      Jessica ignorou o tom rude e viu claramente que sua presena o estava abalando. Isso era bom, no era? E ela disse, com voz suave:
      - Trouxe o almoo. Bem, no  um almoo somente um lanchinho.
      De forma sedutora, ela sentou-se na cadeira a frente de Sam. E retirou o contedo da cesta, depositando tudo sobre a mesa.
      Ele estava atnito.
      - Sam, desculpe-me vir assim, sem avisar  Jess achou que era melhor comear a falar, afinal o silncio de Sam a estava deixando desconfortvel, pensando que
talvez a idia no fora to brilhante como ela imaginara  mas eu gostaria de lhe fazer uma surpresa. Faz tanto tempo que no nos vemos e conversamos. Queria um
tempo somente para ns, como antes.
      Com essa frase, Sam saiu do estupor. Agora entendia o telefonema de Mia, ela estava ajudando Jessica, a saber, se ele sairia ou no do escritrio.
      Ah, Mia voc no tem idia do que est fazendo.  pensou Sam.
      Quando ele ps os olhos na lata de chantilly, teve que engolir para no babar. Imaginou Jessica deitada nua, sobre a mesa e coberta do creme adocicado, enquanto
ele o lambia do corpo dela. Balanou a cabea para afastar a cena ertica.
      Ele no entraria no jogo de seduo de Jessica e era isso que ela viera fazer ali. J fora avisado pela prpria me dela e por seu pai. Sabia o quanto Jessica
era obstinada, se ela realmente achava que estava apaixonada por ele, ela no desistiria to fcil. Sentia-se at mesmo lisonjeado com esse suposto amor, mas no
poderia sucumbir. O que ele sentia no era mais que puro desejo, que quando saciado, ela seria somente mais uma. Tinha que ficar repetindo isso para si mesmo, talvez
ele comeasse a acreditar!
      Iria comear a cortar o mal pela raiz. Faria Jessica sair dali, sem vontade de v-lo de novo:
      - Jess, me desculpe, mas voc me pegou num momento difcil. Eu no tenho tempo para nada hoje, muito menos comer ou conversar com voc. Desculpe-me, mesmo.
Vou pedir para Janice pedir para Gmez levava para casa.
      Ele j tirara o telefone do gancho para falar com Janice, quando Jess levantou-se e segurou a mo dele. Ele puxou a mo como se tivesse levado um choque, o
que parecia ter acontecido, pois uma corrente eltrica cruzou todo seu corpo com o pequeno gesto.
      - Eu sei o que voc est fazendo. Mais uma vez, est usando desculpas para se livrar de mim. Dessa vez, j que estou aqui cara a cara com voc, eu no vou
sair. Ns vamos conversar e comer como pessoas civilizadas e adultas. Voc j percebeu que agora sou uma mulher adulta, no ? Voc no precisa mais fugir de mim.
      Enquanto falava Jessica se levantou, foi se aproximando de Sam e passava os dedos na borda da mesa, como uma carcia ntima.
      Sam estava ficando de boca seca, enquanto seu estmago se contraa.
      Ao chegar frente a frente com Sam, Jessica num ato de pura ousadia, pois nunca havia feito nada parecido em sua vida, levantou a saia devagar sensualmente
e sentou-se no colo de Sam, com uma perna de cada lado do corpo musculoso. E quando se posicionou corretamente, sentiu com prazer que seu gesto fora bem sucedido.
A excitao de Sam pressionou sua pele nua como uma barra de puro ao.
      Ele agarrou com firmeza os braos de sua cadeira e cerrou os dentes, para que um gemido de puro deleite no escapasse de seus lbios. Os seios generosos de
Jessica estavam diretamente direcionados sobre sua boca. Aquelas pernas que ele sempre admirara por sua fora e capacidade de domar animais, estavam agora, pressionando
suas coxas. O perfume envolvendo-o como um afrodisaco potente.
      Minha Nossa Senhora Jesus e Jos, ele era um homem potente, um amante do bom sexo. Como ele resistiria quela mulher? Ainda mais quando essa mulher estava
ligada  maioria de suas fantasias sexuais dos ltimos anos?
      Jessica jamais imaginou que um dia em sua vida se sentiria to excitada como agora. Todos os seus contatos com o sexo masculino, depois daquele dia fatdico
com Sam, eram mornos, apesar de no deixar nenhum homem realmente toc-la, quando ela os beijava, no sentia nada, mas com Sam sentir seu membro contra sua parte
mais ntima, a estava deixando fora de si. E sem pensar comeou a se mover lentamente, como se montasse no mais garboso garanho. E ela ousaria mais:
      - Ah, voc sente como ele me quer?  pegou as mos dele e levou-as para suas coxas suavemente, abaixando a cabea simultaneamente beijando Sam primeiro somente
com os lbios e depois abrindo a boca dele com sua lngua, quando sentiu que Sam apertava suas coxas e correspondia ao beijo, ela afastou somente um milmetro sua
boca e disse:
      - Eu amo sua boca, amo seus beijos... Ah que saudades de seus beijos, saudades de suas mos em mim.
      Sam o homem experiente que j havia tido incontveis relaes, com os mais variados tipos de mulheres, estava completamente entregue aos comandos sutis de
uma menina virgem de vinte anos. Ele realmente parecia no ter vontade prpria, estava seguindo placidamente as orientaes de Jessica. Quando ela levou suas mos
mais para cima e ele notou que ela no usava calcinha, algo dentro dele acordou. Usando de toda sua fora de vontade e tambm sua fora bruta, ele se levantou da
cadeira tirando Jessica de seu colo. Automaticamente ele lhe deu as costas, empurrando a cadeira com o p, com toda a sua frustrao.
      Jessica ainda excitada por um momento no teve reao, depois puxou Sam pelo brao para que ele se virasse e a olhasse:
      - Vai ser sempre assim? Voc vai negar at a morte o que sentimos um pelo outro?  isso?
      Sam permaneceu calado somente a olhando:
      - Ser que no d para voc perceber que eu cresci, no sou mais a adolescente que voc acha que usou. Eu sou uma mulher agora e estou aqui para voc, por
voc. E eu sei que voc me quer tambm, eu senti  e colocando a mo sobre a cala de Sam, ela apertou seu membro excitado e continuou com um sussurro  eu sinto.
      Sam no se mexeu, somente olhou para Jessica e percebeu que teria que ser cruel, para que essa menina entendesse o que ele era e o que sentia por ela:
      - Jamais imaginei que com a idade voc ficaria vulgar, Jess!  depois dessa sentena, ele deu um passo atrs, para afastar a mo dela  o que voc sabe sobre
mim agora, hein? Nada! H quanto tempo voc no me v? H mais de trs anos, eu mudei, no para melhor. E se eu pude agarrar uma menina inocente de quinze anos e
fazer o que fiz, que tipo de homem voc acha que me tornei?
      Jessica no queria acreditar em seus ouvidos, Sam no poderia estar sendo cruel com ela. Ele jamais fora cruel com ningum, ela sabia disso, ele no poderia
ter mudado tanto. Ou poderia? No, no. Ela sabia por que ele estava fazendo aquilo. Era somente mais uma artimanha para mant-la afastada. Mas os olhos estavam,
tambm, to frios...
      E ele continuou:
      - Voc j olhou para voc, nos ltimos tempos? Eu no seria homem se eu no a desejasse. Eu no seria eu, se no a quisesse! Mas infelizmente, para mim e para
voc, eu no posso coloc-la na minha lista de conquistas - falou sarcstico - isso estragaria a amizade de nossas famlias e isso para mim est em primeiro lugar.
E eu ainda a considero da famlia. Agora Jessica se voc no tiver mais nada o que fazer aqui, eu quero que voc saia e espere o motorista na sala de Janice. Eu
tenho mais o que fazer, do que entret-la com uma sesso de se-eu-quiser-eu-consigo-conquist-lo. No quero ser uma de suas experincias. Tenha um bom dia!
      Ela no conseguia falar, seus olhos estavam marejados. Aquele no era seu Sam! Aquele homem atroz no era o homem pelo qual era apaixonada sua vida toda. Tinha
algo muito errado naquilo tudo. E ela iria descobrir.
      Sam sentou-se e fixou o olhar na tela do computador, fingindo que estava compenetrado novamente, mas ela tinha que sair rpido dali, pois ele sabia que no
conseguiria fingir por muito tempo. Seu corao estava aos pedaos por ter que dizer aquelas palavras duras a ela, seu corpo inteiro tremia e se ela continuasse
ali, ele acabaria abraando-a e pedindo perdo de joelhos. Mas precisava tirar Jessica de sua vida, precisava esquec-la, por ele e por todos que confiavam nele.
Seus tios, seus familiares e a prpria Jessica. Ela era ingnua, pura, uma montanha de ceticismo os separava.
      Decidida a descobrir o que fora aquela reao absurda. E ela tinha certeza, mentirosa. Jessica no se moveu e perguntou:
      - Voc, ento, no sente nada por mim, somente teso?
      A pergunta de Jess pegou Sam desprevenido, ele achou que depois das palavras duras que ele usara para com ela, ela sairia correndo de seu escritrio e deixaria
sua libido em paz. Ou comeasse a gritar com ele, como ele era desprezvel e etc., mas ao contrrio disso. ela o olhava com o mesmo olhar intenso que ele lhe dirigira
e suas palavras tambm no foram nem meigas ou leves.
      - At meus quinze anos, voc foi o meu melhor amigo, Sam. Acho que pelo menos mereo uma resposta agora e uma resposta verdadeira.
      Ele no podia fraquejar. Teria que manter o mesmo nvel de conversa. No poderia simplesmente voltar atrs no que havia dito:
      - Sim,  s isso  sem que percebesse, ele titubeou apenas milsimos de segundos para falar a outra palavra, mas Jessica estava atenta  teso!
      - Voc realmente acha que pode me enganar, no ? Por que ento, Sam voc fugiu de mim, todos estes anos? Por que voc simplesmente no conseguia ficar no
mesmo recinto que eu por mais do que alguns minutos? E o que so essas suas reaes to passionais, quando o assunto somos ns?  Jessica estava alterada, queria
de uma vez por todas tirar tudo a limpo  por que no restaurante voc no conseguiu ao menos receber um carinho meu? Se for sexo que voc quer, por que voc simplesmente
no me toma? Eu estou aqui, me oferecendo para voc e nem isso, de mim, voc aceita?  culpa o que voc sente? Culpa por no ter resistido a uma menina de quinze
anos? E essa de se casar agora com uma mulher que voc mal conhece, que em nada faz seu tipo? Eu sei o que ,  medo! Medo de expor o que voc realmente sente por
mim, medo de se entregar e no conseguir nunca mais resistir...
      - Chega!
      Toda aquela raiva de Jessica estava servindo de puro afrodisaco para Sam. Ela o excitava, isso ele j sabia, mas no como naquele momento, quando a raiva
fazia seu rosto enrubescer, seus olhos flamejarem, transformando-os em um lago perigoso de um profundo azul. O por que voc no me toma, ressoava em sua mente
como um luminoso piscando no deserto lhe oferecendo gua. Mais uma vez suas emoes sobrepujaram sua razo e ele se viu beijando-a alucinadamente, desesperadamente.
Segurava com uma mo, os cabelos de Jessica firmemente para mant-la com a cabea levantada, entregue a ele.  Sua outra mo a mantinha cativa pela cintura, deixando-a
ciente de todo o poder que tinha sobre ele.
      Virando-a de encontro  mesa, sentou-a de pernas abertas, trazendo-a para si, sem a menor delicadeza, colando seu membro intumescido em sua carne mida. Sam
gemeu e movimentava-se como se a estivesse amando. Jessica se mexia no mesmo ritmo, segurando-o prximo com suas pernas poderosas.
      Ela estava louca de tanto desejo, gemia, mordia Sam. Enfiou suas mos por baixo do blazer dele e o retirou-o, deixando cair ao cho. Suas mos nervosas retiraram
a camisa de Sam de dentro da cala. Quando essas mos acharam  pele nua e firme daquelas costas largas, ela o arranhou e afagou. Seu corpo implorava para alcanar
o pico que ela havia alcanado somente uma vez e com o homem que a prendia ali. Abaixou as mos ao cinto de Sam e quando estava abrindo-o, eles ouviram a exclamao
vindo da porta:
      - Sr. Thunderheart?!




      CAPTULO ONZE


      Sam afastou-se abruptamente, mantendo-se de costas para porta, disse ofegante:
      - Por favor, Janice, nos d alguns minutos.
      Jessica j havia ficado em p, mas no conseguia levantar os olhos para olhar para a mulher horrorizada parada a porta, s conseguia alisar a saia amarrotada.
Supostamente a secretria estava em choque, pois mesmo depois da frase de Sam, ela no se mexeu, com voz autoritria Sam disse:
      - Janice, saia agora, por favor!
      O corpo da mulher deu uma leve tremida e ela saiu fechando a porta atrs de si, sem dizer uma palavra.
      Ele terminou de abrir o cinto, arrumou a camisa dentro da cala, sem olhar para Jessica, se aprumou e encaminhou-se ao sof prximo as grandes janelas e sentou-se
com as mos cobrindo o rosto.
      Depois de balanar a cabea negativamente, levantou os olhos e encarou a mulher que o fazia cometer desatinos, os quais ele abominava: como homens que se aproveitavam
da inocncia de menores e outros que tratavam o lugar de trabalho como um parque de diverso sexual. Graas a Jessica, ele j havia cometido os dois pecados.
      Mas olhar aquele rosto quase inocente e os olhos que ainda guardavam a chama do desejo e da vergonha de ser pega. Fazia-o esquecer que era um pecador. A queria,
ah Deus, como ele a queria!
      Como ele ainda seria capaz de negar isso a si mesmo se ela continuasse ali, to perto? Se ela ainda continuasse na mesma cidade que ele? Ou at, pensou tristemente,
se ela ainda habitasse o mesmo planeta? Tinha que mant-la  distncia! Essa frase repetitiva insistia em sua cabea e por fim falou:
      - Voc, agora, precisa ir! De todos os problemas que j tinha, a sua presena e minha falta total de controle, mais uma vez, me causou mais uma dificuldade.
Preciso me desculpar com Janice, ela no teve culpa de presenciar...
      - Sam, eu...
      - No, Jess, no. Eu gostaria de lhe pedir um favor, pela amizade que tivemos, que temos, eu acho  Sam sabia que estava correndo o risco de estar se abrindo
demais, de Jess saber que ela era seu ponto mais fraco, mas continuou:
      - Preciso que voc volte para Carlson. Preciso que voc fique longe de mim. Eu no consigo ser eu mesmo com voc por perto. Eu me perco, me entrego e eu no
quero isso...
      Jessica estava se sentindo radiante, ela sabia que no poderia sorrir e nem gritar de alegria, que precisava manter a face sria, mas Sam estava deixando claro
que ele sentia algo muito forte por ela, mas ela no havia escutado a frase final ainda:
      - Eu no quero voc em minha vida  e mesmo sabendo que, se um dia ele se arrependesse e no futuro descobrisse que no conseguiria viver sem ela, continuou
 eu vou dizer somente uma vez, ento preste ateno: Eu no sei que tipo de fantasias voc criou a meu respeito, mas a nica coisa que quero para voc  que seja
muito feliz em sua vida. Quero que voc encontre um homem que a ame e voc o ame igualmente, mas Jess, esse homem no serei eu! Eu no a amo...


      CAPTULO DOZE


      Um soluo dolorido saiu da garganta de Jessica que estava trancada at o momento, seu estmago se contraiu e ela o segurou se curvando. Ela imaginou que Sam
no pudesse machuc-la mais do que a havia machucado h cinco anos atrs, mas aquilo estava sendo infinitamente pior.
      Nada poderia ser pior para Sam do que ver Jessica naquele estado. Ele a amava mais que tudo, ela era mais que uma irm para ele.
      Irm?! R!
      Mas ele resolvera que dessa vez seria definitivo. No queria mais Jessica prxima de sua vida, ele a desejava demais e ela era algo que ele no poderia ter,
jamais. Ento por que ficar se martirizando? Tanto ela como ele, precisavam viver livres desse..., ele nem ao menos sabia nomear o sentimento que os impelia um para
o outro.
      Ele levantou-se, pegou o telefone que estava no cho, derrubado com a paixo de minutos atrs e pediu a Janice que mandasse Gmez esperar Jessica no hall de
entrada do prdio e depois a levasse para o apartamento de Mia.
      Jessica achou que estava vivendo outra realidade, nada daquilo estava realmente acontecendo com ela. Sam a estava mandando embora, mais uma vez tirando-a da
sua vida de maneira abrupta, sem palavras de consolo. Simplesmente: saia, pois eu no te amo... Uma nova dor no estmago a fez se curvar.
      Sim, ela iria embora, ela prometera para si, que seria sua ltima chance, se Sam no a amasse, no a quisesse ela o esqueceria, ento era isso que iria fazer,
ela iria esquec-lo!
      Ah, como queria poder odi-lo, mas odi-lo mais que tudo, por lhe fazer sentir tamanha dor, mas sabia que a culpa era toda sua. No tinha que am-lo tanto,
no deveria t-lo desejado a ponto de sair de sua vida e ter tentado entrar na dele. Ele estava noivo e iria se casar... Sem conseguir se controlar Jessica comeou
a chorar. Como ela podia perder o restante de sua dignidade diante daquele homem que ela no conhecia mais? Saiu sem ao menos recolher as coisas que agora estavam,
algumas espalhadas pelo cho e outras pela mesa. Desceria e esperaria o motorista no hall, como ela ouvira-o comunicar a Janice.
      Sam viu Jessica sair chorando, lembrou-se que dessa vez era ela que saa e o deixava, mas na verdade no tinha muita diferena da vez anterior, no  mesmo?
Os dois estavam machucados, ela com certeza mais que ele. Ou no? Por que ele jamais imaginou que iria sentir tamanha dor. Seu peito se apertava e lgrimas vinham
aos olhos. Ele no se lembrava de ter experimentado tamanho sentimento de perda como agora.
      Mas era para o bem dela! Ela tinha que ser feliz!
      Os pais dele eram contra aquele relacionamento, os pais dela eram contra. Havia a diferena de idade, a ponte imensa da experincia que os separava. Nada disso
era novidade para Sam. Ele j se ouvira falar de todos os motivos milhares de vezes, mas mesmo assim tudo aquilo era penoso demais. Estava cansado daquela histria
entre os dois. Era hora de colocar um ponto final naquilo tudo.
      Terminou de se recompor, recolheu a comida, recusando ao seu crebro qualquer pensamento em relao  mulher que trouxera aquilo.
      Sentou-se a sua mesa e com a postura de sempre, empresrio eficiente e srio, pediu a Janice que viesse ao seu escritrio.
      A mulher entrou e permaneceu de p, com um ar constrangido, mas tambm indignado no rosto, at que Sam apontasse a cadeira para que ela sentasse. Aps sentarem-se,
os segundos de silncio foram constrangedores e ento ela falou o mais profissionalmente possvel:
      - Seu pai pediu para que voc ligasse para ele assim que estivesse desocupado e sua noiva tambm ligou  o sarcasmo na palavra noiva no passou despercebido
a Sam, mas se ela continuasse ele no toleraria insubordinao, mesmo que essa funcionria fosse mais velha de empresa do que ele prprio  e Sr. Thunderheart eu
bati antes de entrar...
      - Janice, Sra. Smith - era a primeira vez que a chamava assim desde que assumira a presidncia da empresa  peo-lhe desculpas por a senhora ter presenciado...
aquilo e espero contar com a sua descrio.
      - Por certo, senhor, como sempre.
      - Obrigado, Janice, pode se retirar. Por favor, ligue para meu pai, sim?
      - Pois no, senhor.
      - E Janice, minha... Linda deixou algum recado?
      - No, senhor, somente disse que ligaria mais tarde.
      - Obrigado.
      - Com licena.
      E Janice se retirou da sala, deixando para trs um Sam empenhado em esquecer tudo que se passara e a se concentrar no trabalho.

      Jessica desceu no elevador, arrasada, mas no daria a Sam o gostinho de t-la deixado naquele estado. Precisava sair dali, precisava realmente voltar para
seus cavalos, sua vida, mas primeiro precisava desabafar, no chorar, espernear, ou bater os ps como uma menina mimada, somente precisava colocar para fora o que
estava sentindo, para no explodir. J que no tinha seus cavalos ali, para lev-la para longe numa cavalgada desenfreada, onde colocaria todos os demnios da tristeza
para fora, correria para Mia e depois iria embora, continuar sua vida e encontrar o homem que a faria feliz como Sam sugerira.
      Sam, Sam, Sam! Teria que parar de pensar naquele homem! Teria que parar de amar aquele homem! Ah, por que gostar de algum era to complicado? No seria tudo
mais fcil se ao nascer ns tivssemos um comando que dizia voc se apaixonar por esta pessoa e a pessoa te amaria de volta, simples assim, sem complicaes,
sem altos e baixos, sem sofrimento... Naaao, tudo iria ser montono demais!
      Jessica foi direto para o ateli de Mia, ao chegar l percebeu que no conseguiria conversar com a amiga, o lugar estava realmente cheio.
      Mia explicou-lhe que o famoso corpo de bal de Dallas iria fazer uma apresentao especial no sbado e a elite da cidade iria estar toda presente, vestindo
roupas exclusivas da nova badalada estilista, que tambm, era uma Thunderheart. Um nome era quase tudo naquela sociedade.
      Mia percebeu que Jess no estava bem, mas infelizmente no pde dar  amiga a ateno merecida, pediu que ela fosse para casa que mais tarde conversariam.
Aquela tristeza, transformada em determinao, somente poderia ser obra de seu irmo. Sam pagaria caro se houvesse magoado Jess novamente, pensou Mia, para concluir,
depois, que a prpria Jess era quem procurava aquele sofrimento.
      Jessica queria embora o mais rpido possvel, mas no deixaria Mia daquela forma e tambm no fugiria como Sam fugira dela todo aquele tempo. Ela teria mais
coragem e considerao do que ele, um dia, tivera para com ela. Foi para o apartamento esperar a amiga e no sbado iria embora, ou quem sabe no domingo, somente,
no precisava voltar to cedo. Estava de frias na faculdade, isso se voltasse. Aprendia mais no dia a dia do haras do que nos dois anos que ficara enfiada em salas
de aula, mas seu pai jamais concordaria com isso. Bem, agora no era hora para pensar nisso tambm.

      Sam mergulhou no trabalho, certo que isso iria ajud-lo a manter a sanidade, mas por vrias vezes se viu pensando no ocorrido e sua mente se enchia de ses.
      Estava envolvido novamente em um desses devaneios, quando Janice anunciou que Linda estava ali, Sam pediu que a conduzisse direto ao seu escritrio, pensando
no que estava acontecendo com as pessoas, principalmente as mulheres, para achar que seu local de trabalho era um lugar para encontros sem hora marcada.
      Linda entrou apressada ao escritrio, com os olhos marejados de lgrimas. Sam imaginou se ela j soubesse de alguma coisa, mas ela veio direto para ele e o
abraou com fora, como se precisasse de consolo. Sam a abraou e quando percebeu que ela estava mais calma, perguntou:
      - O que foi Linda? O que aconteceu?
      - Minha melhor amiga me ligou de Londres e disse-me que a me dela acabou de falecer... Ela... Disse que estava tudo bem e que de repente a me sentiu-se mal
e foi levada as pressas para o hospital e... que no tiveram tempo de salv-la... ah, Sam ela era como uma me para mim tambm...  Linda estava visivelmente abalada,
Sam deixou-a chorar e desabafar  ns vivamos juntas eu e Mary. A me dela me tratava com tanto carinho, o carinho que faltava em minha casa, eu tinha l.
      Ela voltou a soluar e Sam a sentou no sof e pediu a Janice que trouxesse um copo com gua. Depois de beber a gua, ela lhe pareceu mais calma e por fim disse:
      - Mary disse que precisa de mim, eu tenho que ir para Londres.
      - Tudo bem, Linda, eu fretarei um avio, chegaremos mais rpido assim.
      - No Sam, eu preciso ir sozinha. Preciso viver isso somente com minha amiga, no quero que voc v.  Linda sabia que no era seguro deixar Sam sozinho agora,
afinal aquela vaqueira linda estava solta no pasto, num pasto muito prximo de Sam, mas no queria um homem atrapalhando, queria colocar para fora todo aquela dor,
sem que homem nenhum presenciasse.
      - Mas Linda, voc no pode viajar sozinha nesse estado. Eu vou com voc.
      Assim eu me afasto daqui, me afasto da tentao que  Jessica  pensou Sam.
      - No! Eu no quero Sam. Eu preciso viver isso sozinha com minha amiga, somente eu e ela... Tente entender, nosso relacionamento ainda  to recente, no estou
preparada para dividir isso com voc.
      Deus, ser que ele no entendia, ela no queria dividir a vida com ele, somente queria compartilhar sua fortuna, nada mais  Linda tentava parecer serena,
quando na verdade queria gritar com Sam, que ele no era bem vindo em sua intimidade.
      - Mas, Linda, ns vamos nos casar. No existe intimidade maior entre as pessoas do que dividirem a mesma casa. No momento do sim, no existir mais eu ou voc,
sempre ser ns. Ou no  assim que voc pensa?
      Deus, no estou me reconhecendo, para que tudo isso? Somente para ficar longe de Jessica? E por que as mulheres so to complicadas?
      Bastava somente viajar para outro lugar, no precisava falar que desejava dividir sua vida com Linda, ele no iria dividir nada com ela. Ele a teria como um
bibel, para ser mostrado quando precisasse e uma me para seus futuros filhos, s isso!
      S isso?!
      Onde ele estava com a cabea para entrar numa furada dessa? No poderia seguir com aquilo!  Mas agora no era hora de dizer essas coisas para a mulher que
ele trouxera para aquela farsa, quando ela voltasse, ou depois de uns dias ele seguiria para Londres e colocaria um ponto final em todo aquele circo que ele armara.
      Agora, pensando com mais clareza, era melhor mesmo que ela fosse sozinha. Os laos entre eles eram tnues, afinal eles tiveram somente um ms de relacionamento,
mais do que qualquer outra que Sam tivera nos ltimos cinco anos, mas mesmo assim, a verdade era que ela no passara de mais uma. Ele no sentira nada por ela, alm
de excitao pela presa e depois o vislumbre que poderia viver uma vida de casado sem amor e complicaes.
      Sam era um homem passional, sua vida amorosa, jamais seria completa se ele no vivesse uma grande paixo, um amor romntico, no sentindo completo da palavra.
E ele sabia com quem ele poderia viver isso. Ele sabia h tanto tempo, quanto possvel. Bem l no fundo, ele soubera desde o dia que a vira pela primeira vez, quando
ela tinha somente cinco dias de vida. Mas esse era um amor proibido, proibido pela famlia, pela sociedade e pela sua conscincia.
      Depois de ajustar seus pensamentos  realidade, ele pediu para Janice providenciar o vo a Linda, assim como um carro que ficaria a disposio dela em Londres
para a sua locomoo. E ela partiu para seu apartamento com Gmez para fazer as malas. Depois foi diretamente para o aeroporto. O relacionamento deles era to vazio,
que a despedida foi fria. Ela nem ao menos tinha idia de uma data para seu retorno, disse somente que voltaria quando a amiga no precisasse mais dela, como se
o noivado deles importasse nem um pouco. E ainda pediu a ele para que transmitisse mil perdes a sua me, mas precisaria adiar a festa de noivado, talvez ela no
voltasse at a prxima semana.
      Sam terminou seu dia no escritrio e foi para casa. Dessa vez nada o fez querer parar no apartamento de Mia. Aquela pgina de sua vida estava virada, no voltaria
para ela.


      CAPTULO TREZE


      Jessica passou as horas que faltavam para Mia chegar, fazendo uma retrospectiva de toda sua vida. E no gostou do viu, bem no gostar do que viu era um pouco
forte. Afinal tivera uma vida como  de uma princesa. Nunca, nada faltara a ela. Brinquedos, educao, diverso e muito amor dos pais e amigos. Fora coroada no
somente por sua beleza, mas tambm por sua simpatia. Na faculdade tirava boas notas e comeava a conquistar excelentes amizades, alm de respeito.
      Mas sua vida amorosa, desde a adolescncia, era um zero a esquerda. Mia tinha razo, no se abrira para os rapazes que se aproximavam, sempre sonhando com
o momento, que seria boa ou velha o bastante, para Sam. Depois, ento, do dia de seu aniversrio, no conseguia imaginar um outro homem a tocando como ele fizera.
No entanto, com a presso das amigas na faculdade acabara ficando com dois rapazes. Os dois eram lindos, com carreiras brilhantes pela frente, mas Jessica no conseguia
deixar de compar-los a Sam. E os romances acabaram antes mesmo de terem comeado. E aonde isso a levara?  lugar algum.
      Hoje Sam mostrou-se um homem que ela no conhecia mais, iria se casar e a pior das sentenas, deixara bem claro que ela, mesmo se ele no estivesse comprometido,
no era uma opo.
      Mia, por fim, chegou mais tarde que o esperado e estava cansadssima. Mesmo assim, sentou-se e ouviu tudo que Jessica tinha para contar sobre o dia. Mais uma
vez, Jessica teve que segurar Mia e implorar para que ela deixasse Sam em paz, pois de acordo com a prpria Mia, ela queria ver sangue. Mas Jessica lembrou-a que
a culpa, mais uma vez, era da menina sonhadora que morava dentro dela, mas que de agora em diante aquilo havia acabado. Fez um juramento que no correria mais atrs
de Sam, que iria deix-lo em paz e que o esqueceria no mais breve espao de tempo possvel.
      Foram dormir tarde da noite e Mia pedira para a amiga ficar pelo menos at domingo, pois no tiveram muito tempo juntas e por causa do espetculo de bal ela
teria que trabalhar o sbado todo.  noite as duas poderiam ir assistir ao espetculo. Jessica concordou e deixou que a amiga fosse descansar. Apesar de achar que
no conseguiria dormir, seu corpo estava to exausto, pelas emoes vividas, que dormiu rapidamente.
      Acordou no outro dia, novamente sozinha, achou um bilhete de Mia, dizendo que j havia sado que a Sra. Bishop havia deixado o caf da manh pronto. No bilhete
Mia sugeria que ela fosse tomar um banho de piscina na cobertura de Sam. Prontamente Jess pegou o telefone e ligou para Mia. A amiga devia estar louca se ela iria
se arriscar a encontrar Sam ou Linda, nessa tal piscina. A prpria Mia atendeu:
      - Mia, Mia  voc?
      - Oi, Jess, tudo bem?
      - Tudo bem, mas que histria  essa de me sugerir a tomar um banho de piscina na cobertura de Sam?
      - Ah, Jess, que susto! Achei que houvesse acontecido mais alguma coisa com voc... No  uma sugesto absurda, afinal Sam nunca tem tempo para ir l, o lugar
est sempre vazio e acredito que voc tambm no encontrar Linda. Desde que chegou a mulher no sai do Spa do condomnio ou dos shoppings da cidade  Apesar de
gostar de Linda, Mia sabia que ela era um pouco ftil  o cdigo para a liberao do elevador para a piscina est escrito no bilhete. Um beijo querida, estou ocupadssima,
tchau...
      E Mia simplesmente desligou.
      Jessica foi para o quarto e trocou seu pijama, por um shorts jeans e uma regata rosa, colocou um chinelo de dedos e se dirigiu-se ao elevador.
      No adiantava ficar se remoendo, iria dar um mergulho e se distrair o mximo possvel! Precisava afastar aquela tristeza que queria domin-la, ela no era
assim, era uma pessoa alegre, cheia de vida, cheia de expectativas e no deixaria Sam tirar isso tambm. Digitou o cdigo no painel de segurana, rindo da situao,
tudo ali tinha cdigo.
      Quando as portas do elevador se abriram e ela entrou no ptio da piscina, seu queixo caiu. Nossa! Aquilo era lindo! Ela parecia ter entrado numa cena de um
conto de fadas, ou algo parecido.
      A primeira coisa que veio em sua mente depois do deslumbramento, foi:
      Quantas mulheres Sam haveria de ter levado aquele lugar encantado?
      Com quantas ele transou dentro daquela piscina?
      Ser que j teria feito amor ali, com Linda?
      O cime tomou conta de todos os seus poros. Balanou a cabea, mandando as garras daquele sentimento embora. No importava mais o que Sam fizera ou no entre
aquelas paredes, no importava mais, ela tinha que tirar Sam de sua mente, tir-lo de sua alma e corao.
      Andou devagar, observando cada detalhe. Realmente estava num lugar encantado a qualquer momento iria ouvir os risos das ninfas e o som da flauta de Stiro.
      Entrou no vestirio, que mais parecia um banheiro de luxo de um hotel cinco, no cinco estrelas no, sete, oito talvez. Ele era todo de azulejos brancos decorados
com cenas de banhos, com mulheres delicadas e etreas, despejando gua com seus cntaros, em banheiras de mrmore com ps de ouro.
      Havia plantas e flores espalhadas, imbudas a deixar o ambiente mais agradvel e aprazvel aos olhos e ao olfato. O teto era branco em arco com um lustre de
cristal, espalhando pelas paredes, reflexos coloridos. Havia algumas poltronas e duas espreguiadeiras; at ali as pessoas eram convidadas a relaxarem. Um armrio
antigo cheio de rococs que combinava perfeitamente com o restante da decorao, estava disposto em uma das paredes. Havia duas pias de mrmore branco, lindamente
decoradas e suas torneiras eram douradas. Tudo combinava com perfeio e Jess gostou de imaginar que talvez Sam houvesse participado da escolha da decorao pessoalmente.
Apesar de a vida inteira Jessica ter vivido no luxo, no conseguia esconder a admirao pela bela arquitetura e decorao.
      No armrio encontrou vrios biqunis de Mia, nenhum realmente servia. Mia era um pouco mais baixa que ela e mais delicada tambm. Jessica tinha seios e ndegas
maiores, mas tudo bem, nunca havia sido pdica e se encontrasse algum, talvez Linda, bem, ela iria saber o que era uma mulher com curvas. Ah, mas ela no queria
encontrar mais ningum, queria estar s, para desfrutar daquele paraso e esquecer... esquecer...
      Ao terminar de amarrar o biquni, ela ouviu primeiro a msica que invadiu o banheiro e depois o som de algum mergulhando na gua.
      S poderia ser Linda. Na verdade Jessica no queria um confronto com a mulher. Ela era uma batalhadora sim, ela amava Sam sim, mas no estava acostumada a
magoar as pessoas. As nicas pessoas que fazia questo de enfrentar e sempre comprara uma boa briga, era com gente que se sentia superior por causa do dinheiro ou
status, ou porque se achavam mais bonitas do que os outros. Jessica encontrara muita gente assim no seu meio e era justamente essas que ela fazia questo de humilhar.
E Linda no parecia se encaixar nesses perfis.
        Saiu do vestirio e no acreditou no que seus olhos viram...



CAPTULO QUATORZE



        Sam acordou novamente com a sensao que havia sido atropelado por uma locomotiva. Na noite anterior ao chegar a casa, fora  primeira vez em anos que se
sentira realmente sozinho. Tentou assistir um filme, tentou trabalhar em um contrato que trouxera, mas no conseguia se concentrar em nada, mas tambm no queria
pensar, no queria lembrar o que sua mente insistia trazer a tona e mais uma vez bebera, alm da conta.
        Levantou-se e sentiu que o quarto rodava, entrou no chuveiro para um banho rpido e sem enxugar-se colocou seu roupo costumeiro. Saiu do quarto na esperana
de tomar um caf e aspirinas. Ah, Deus, como ele precisava de aspirinas.
        Passou pela mesa da copa e viu o caf j posto, seu estmago reagiu de forma negativa a todas aquelas guloseimas que a Sra. Bishop dispunha todas as manhs
e se dirigiu direto para cozinha e encontrou a empregada:
      - Bom-dia, Sra. Bishop.
      - Bom-dia, Senhor... Sam. O senhor gostaria de mais alguma coisa para o caf?
      - No, obrigado  Sam quase torceu o nariz, quando se imaginou comendo algo  somente tomarei caf... puro. E Sra. Bishop poderia providenciar, por favor,
duas aspirinas?
      - Pois no, senhor.
      Sam saiu da cozinha. Sentou-se a mesa, pegou o jornal dobrado, abriu-o sem nem ao menos notar o gesto automtico. Ao perceber que no conseguiria se concentrar
na leitura devido a forte dor de cabea, dobrou-o novamente e colocou-o de lado. Encheu a xcara de caf e tomou um gole do lquido quente que supostamente deveria
confort-lo, aquec-lo, fazer sua mente trabalhar direito, mas isso no aconteceu.
      A Sra. Bishop trouxe sua aspirina e ele tomou rapidamente como se os remdios fossem tbuas de salvao num naufrgio, tal a dor que sentia.
      Pegou o telefone, ligou para o celular de Linda, mas caiu diretamente na caixa postal, no quis deixar recado, mais tarde ele tentaria novamente. Somente gostaria
de saber se ela havia chegado bem, j que ela ainda no ligara desde que sara do escritrio na tarde anterior. A verdade era que se sentia na obrigao de saber
se ela estava bem ou no e queria se agarrar ao fato que estava noivo, queria tentar continuar com aquilo, mas ele j sabia a resposta, no poderia mesmo prosseguir
com a farsa que seria seu casamento.
      Como a vida dele havia se transformado nessa sucesso de falta de controle e estresse? Nunca havia se sentindo assim antes. A no ser... A no ser por Jessica,
sempre Jessica, no conseguia pensar em nada, a no ser em Jessica... Por que ela tinha que aparecer? Por que ela ainda o queria? Por que ele ainda a queria? Ele
estava bem, no estava, antes de ela vir? J havia programado sua vida, no havia?
      Ah, Deus! Precisava deixar esse assunto de lado, j havia decidido isso, j havia estraalhado o corao de Jessica no dia anterior para poder se proteger,
mas nada adiantara para si prprio, nem as duas bebedeiras que tomara em duas noites seguidas. Daqui a pouco iria se transformar num viciado.
      Vendo que no conseguiria comer nada e nem se concentrar no trabalho que trouxera para terminar em casa, ele decidiu que iria aproveitar o que o motivara a
comprar sua cobertura. A piscina privativa que tinha no andar superior.
      Quando viera avaliar o apartamento para compra, fora o que mais chamara sua ateno, alm da tima localizao e o conforto, claro. Mas a piscina era algo
a parte.
      Era uma piscina aquecida de um tamanho considervel, a arquitetura lembrava uma casa de banho grega, ao redor da piscina havia colunas de mrmore branco, assim
como as esttuas tambm de mrmore em figuras msticas.
      A cor das paredes era de um pssego reconfortante e numa delas havia uma pintura que mostrava uma cena de um jardim na Grcia antiga. Era de tirar o flego.
      Havia imensas janelas francesas que se abria para uma varanda que circundava toda a rea, que continha um jardim de inverno muito bem projetado, dando ao lugar
um ar sofisticado. Espalhados pelo local, tanto no jardim, como na rea da piscina, havia espreguiadeiras que convidavam para um repouso, a pessoa podia desfrutar
da paisagem, enquanto o magnfico cu de Dallas os protegia.
      Todo o conjunto era coberto com uma arredoma de ao e vidro temperado que filtrava gentilmente os raios de sol, deixando o ambiente iluminado sem ferir os
olhos. A temperatura da gua variava conforme a estao do ano. Como estavam no vero,  temperatura era mais para a fria.
      Havia tambm, mesinhas para as pessoas poderem desfrutar ali suas refeies ou seus drinques; um vestirio completo com chuveiros, uma imensa banheira de hidromassagem
e sauna; um sistema de som que espalhava a msica por todo o ambiente. Era um lugar encantador, reconfortante. Tudo que Sam precisava naquele momento.
      Apesar de ter todo esse espao disponvel, Sam raramente trazia convidados ou convidadas para l, o local era mais usado por Mia, no agora, que estava empenhada
em ser a estilista do ano. Sam sorriu ao lembrar-se que sua irm havia crescido e se transformado numa profissional competente. At mesmo independente demais, apesar
de morarem no mesmo edifcio, ela no quisera dividir o imenso apartamento com irmo, somente o queria por perto, fora essas suas palavras.
      Levantou-se da mesa, avisou a Sra. Bishop onde estaria e se caso Linda ligasse transferisse a ligao para a piscina.
      Entrou no elevador, digitou o cdigo de segurana que o levava a rea da piscina e pela primeira vez, desde que acordara se sentia melhor. As portas do elevador
se abriram e ele sentiu o cheiro de cloro invadir seus pulmes. Isso era bom!
      Mesmo depois de tanto tempo, ainda se espantava com a beleza do lugar. Os raios de sol brilhavam sob a gua lmpida, refletindo suas sombras sobre as esttuas
e as paredes, dando ao lugar um qu de encantado. Abriu a discreta porta, onde estava o sistema de som e ligou-o preenchendo o ambiente com um som new age. Tirou
o roupo, que colocara ao sair do banho, pendurou-o num dos ganchos na parede e entrou com um mergulho que o levou quase at o meio da piscina. E comeou a se sentir
revigorado com a gua banhando seu corpo nu.
      Dando braadas lentas, de olhos fechados, atravessou a piscina lentamente, sentindo seus msculos tensos, relaxando. Pensou que precisava fazer isso mais vezes.
Comearia a acordar mais cedo e aproveitaria mais desse espao. Bateu na borda da piscina e fez o trajeto de volta.
      Quando estava na segunda volta, invs de sua mo roar a borda dura e fria da piscina, sentiu algo macio e quente, assustou-se e levantou-se engasgado com
a gua que engoliu e deu de cara com a melhor, ou pior, viso que poderia ter aquela manh.
      Ali estava Jessica, vestindo um biquni minsculo, que mal cobria aqueles seios redondos e firmes que com certeza encaixariam com perfeio em suas mos. Ela
estava com um sorriso perigoso nos lbios, deixando claro quais eram suas intenes. Seduzi-lo! Mais uma vez!

        Jessica pensou em escapar, sair dali sem ser notada, mas a viso daquele deus pago nu, nadando naquelas guas mgicas, a fez ficar e desejar e tentar mais
uma vez, afinal lutara por esse amor por vinte anos, no iria desistir apenas em vinte horas. Iria fazer com que aquele homem, uma vez por todas, sucumbisse a ela.
Se era seu corpo que ele queria, era isso que ele teria, mas ela sabia que seria mais. Aquela era uma chance nica e pensou que talvez o Deus verdadeiro gostasse
realmente dela.
      Sem pensar nos acontecimentos do dia anterior e se esquecendo de todas as promessas que fizera a si mesma, ela aproximou-se devagar para no fazer barulho,
mas achou, que talvez Sam pudesse ser capaz de escutar as batidas de seu corao.
      Admirou as pernas bem torneadas, as ndegas firmes, as costas largas, os braos fortes.
      Ele no tinha o direito de ser to perfeito!
      Jessica nunca havia visto um homem nu, a no ser em livros, ou em filmes proibidos para menores, mas assim pessoalmente, nunca.  verdade que j sentira a
virilidade de Sam em sua mo, mas nunca o vira, assim...
      Nossa! Eu quero ver tudo! Eu quero tudo!
      Desceu devagar os degraus da escada em arco que iam at o fundo da piscina, sentindo que aquela viso j a preparava para muito mais, sentia-se molhada antes
mesmo da gua alcanar suas partes mais ntimas.
      Posicionou-se exatamente na rota de Sam, esperando...  E at o fato de ele quase se afogar ao senti-la, no abalou a excitao de estar vendo-o nu.
      Os cabelos loiros molhados grudados na cabea, os olhos azuis mais claros do que nunca, a gua escorrendo pelo magnfico peitoral, passando pelo estmago liso
e trabalhado, o resto da contemplao ficou comprometida, pois o corpo de Sam estava submerso na gua, mas mesmo assim no deixou de notar, de se espantar e de sentir
uma felicidade inimaginvel, vendo a reao daquele homem ao apenas constatar sua presena. E ele era magnfico! Grande, reto, pulsante. Queria sentir, precisava
saber se ele e ela possuam um encaixe perfeito.
      Mordendo o lbio, para tentar no gemer, Jessica disse devagar com medo que sua voz no sasse:
      - Bom dia, amor!
      E levemente pousou seus lbios sobre os de Sam, sem fechar os olhos, afastou-se devagar, olhando-o profundamente, convidando-o a continuar o que ela comeara.
      Sam sabia que seria impossvel esconder sua reao imediata  viso daquele corpo que ele j sentira em suas mos, mas nunca vira em tal esplendor.  E o leve
roar dos lbios de Jessica, o deixara mais que excitado, ele estava a ponto de explodir.
      Precisava raciocinar! Precisava pensar nas coisas que ele ouvira da me dela! Precisava lembrar das palavras de seu pai, precisava lembrar que prometera a
si mesmo que tiraria essa obsesso de sua mente, Precisava se lembrar o quo duro havia sido com essa mulher estonteante e sexy, para agora simplesmente sucumbir.
Precisava se lembrar que mesmo tomada  deciso, ainda no havia rompido o relacionamento que envolvera uma outra mulher em sua vida e dessa vez fora longe demais
a pedindo em casamento.
      Mas como tudo isso seria possvel, com aquela mulher ali, olhando-o como que pedindo mais? Como ele poderia raciocinar ouvindo aquela respirao quase acelerada,
que fazia subir e descer aqueles seios que quase imploravam para sair daquele nfimo tecido? Como poderia se esquivar olhando aquela boca que j estava entreaberta
pedindo para ser devorada? Como poderia fugir daquele perfume que o assediava h cinco anos?
      Mesmo assim, ele tentou, deu um passo para trs, sem conseguir desviar seus olhos dos dela. Mas Jessica foi rpida, ele sabia que ela queria mais, ele sabia
que dessa vez, no estava lidando com uma menina, ali estava uma mulher decidida, que o queria mais do que ele prprio poderia imaginar. E segurando firme, seus
antebraos, ela falou:
      - No, Sam, no fuja de mim. Nunca mais fuja de mim!  a voz de Jessica estava baixa, rouca. Sam sentiu seu membro pulsar ainda mais e Jessica deu o passo
que faltava para que sua pele roasse levemente a ponta de sua excitao. Sem ao menos perceber, ele gemeu, fechou os olhos e suas mos agarraram os pulsos de Jessica
que prendiam seus braos.
      A reao de Sam foi mais que um convite para ela. Era uma mulher inexperiente com homens, virgem, mas no de todo inocente e deixou seus instintos guiarem-na
nessa nova descoberta.
      Com uma de suas mos, envolveu o pnis de Sam e o encostou inteiramente em sua barriga, fazendo assim seus corpos se aproximarem. Sam abriu os olhos e viu
os lbios que se preparavam para beij-lo e sem querer pensar nas conseqncias, abaixou sua boca at que se encontrassem. No ouve como fugir a regra e ouvir-se
gemer e ouvi-la tambm, no, no gemer, Jessica ronronou...
      E na mente de Sam passou, em segundos, perguntas e respostas que h tanto tempo o atormentavam:
      Com quantas mulheres ele havia dormido, tentando tirar Jessica de seu corpo? Ele no poderia contar. E conseguira esquec-la, remov-la de dentro de si? No!
      H quanto tempo ele sabia que Jessica era,  e seria a mulher que preencheria cada um de seus espaos? A vida inteira, ele sempre soubera.
      Como deix-la ir agora, se precisava dela mais do que o prprio ar? No, no poderia.
      Ele precisava exorciz-la, caso isso fosse possvel. E o que melhor para isso, do que experiment-la, possu-la, faz-la sua?
      Ele precisava de Jessica! E sabia que tudo mudaria depois disso!

      Deus! Como ela ansiou por este tipo de beijo, vindo daquela boca que ela experimentara apenas duas vezes, ele estava se entregando, ela podia sentir. O quanto
ela ansiou por este contato, to ntimo. Pele contra pele. Corpo contra corpo. No saberia dizer como estava se sentindo. Ela tinha vontade de chorar de tanta alegria.
Mas uma parte de sua mente ainda se preocupava. Se ele fugisse novamente. Se ele realmente no a amasse... E se... eram tantos ses...
      Diz-me como algum consegue pensar, quando o homem que ama est lhe beijando dessa maneira?- pensou Jessica.
      Sam explorava a boca de Jessica sentindo cada recanto, saboreando todo o sabor, pensando que a lembrana daquela boca o havia acompanhado sempre. E que a cada
dia ficava melhor, mais generosa. E sentiu uma pontada de cime. Quantos homens haviam beijado aquela boca alm dele? Jessica haveria deixado algum homem toc-la
como ele a havia tocado? E quantos? Ele sabia que esses sentimentos eram injustos para com ela, afinal ele no fora nem de perto um monge, mas Jess havia nascido
para ser dele, lhe era inconcebvel imagin-la nos braos de outro.
      Ele desamarrou as alas do biquni, beijando delicadamente o pescoo, os ombros de Jessica no processo. Ela pendia a cabea para trs e deixava-se beijar.
Estava com a boca entreaberta, rosada, inchada de desejo, sua respirao estava cada vez mais acelerada e suas mos mergulhadas na gua atrevidamente acariciavam
as firmes ndegas daquele ser perfeito, trazendo-o mais e mais para junto de si.
      Sam olhou os seios livres, agora, do pequeno biquni. Sentiu-se maravilhado! Eles no eram grandes, nem pequenos e realmente encaixavam perfeitamente em suas
mos, notou ao segur-los, acariciando o bico intumescido, precisava lhe sentir o gosto. Mas ele queria mais! Ento comeou de forma sensual a conversar com Jessica,
pois dessa vez ele no fugiria, dessa vez no era errado, dessa vez ele iria at o fim...
      - Jess, olhe para mim e diga o que sente.
      Jessica olhou-o sem entender a princpio o que ele queria e ele pediu:
      - Fale-me o que sente. Voc gosta disso?  e acariciou o boto rgido.
      Jessica gemeu e sussurrou:
      - Sim.
      - No, querida, no somente sim, me diga o que sente.
      - Ah, me sinto entregue, isso me excita muito e sinto que preciso de mais...
      - Mais o que?  perguntou Sam com voz rouca
      - Quero sua boca Sam!
      Sam sentiu um frio no estmago e um som quase animal saiu de suas entranhas. Ele no podia se sentir assim, nem de longe era sua primeira vez com uma mulher,
mas com Jessica suas sensaes eram como se fossem assim. Abaixou a cabea e passou a lngua em um dos mamilos j tmidos, Jessica arqueou as costas expondo-os ainda
mais. Ele lambeu, sugou, mordiscou, devagar e mais depressa, um de cada vez. E achou que talvez, dessa vez, no seria possvel dar a Jessica todo o prazer que ela
merecia, pois ele j estava chegando ao limite, somente de poder acarici-la daquele modo.
      - Ah, Jess, eu no estou agentando mais, voc vem me deixando louco h cinco anos, eu preciso de voc, agora! Enlace minha cintura com suas pernas.
      Jessica obedeceu e quando sentiu o membro de Sam roar o meio de suas pernas, ela teve certeza que quase alcanou um orgasmo, somente com a perspectiva de
ser penetrada. Sam por sua vez teve que respirar fundo algumas vezes, para no perder de vez todo seu controle.
      Com Jessica no colo, Sam saiu da piscina, beijando-a sem parar, levou-a at uma espreguiadeira de casal que havia perto da piscina, deitou-a delicadamente
e antes de deitar-se a seu lado, ele desamarrou a parte de baixo do biquni e ficou em p para contemplar todo aquele corpo magnfico que ele esperara por tanto
tempo, sem saber que somente ele poderia aplacar todo o desejo e frustrao que o acompanhou por todos aqueles anos.
      Sam deitou-se ao lado de Jessica e beijou-lhe apaixonadamente, passando sua mo por todo aquele corpo esguio, forte e to feminino. E ao mesmo tempo, redondo,
cheio de curvas. Ele sempre adorara ouvir Jess falar, ela tinha uma voz musical, feminina e perguntou:
      - Voc pensava em mim fazendo isso?  e introduziu um dedo dentro da fenda mida e quente dela, enquanto sugava um mamilo.
      Jessica no conseguiria falar agora, ela no mal conseguia pensar. Ele parou de beijar-lhe o seio e retirando o dedo abruptamente disse:
      - Se voc no responder minhas perguntas, eu no farei mais nada. Voc gosta disso?  e voltou a introduzir o dedo delicadamente.
      Jessica sabia o que Sam estava fazendo. Sabia que ele estava fora de controle, mas que precisava se sentir com as rdeas nas mos, que precisava se sentir
dono da situao, que tudo aquilo no o abalava, que era somente corpo contra corpo, que no havia corao envolvido, mas ela no se importava, tudo a excitava ainda
mais e respondeu quase gritando, quando ele tirou e introduziu o dedo de novo, dessa vez mais fundo:
      - Sim, adoro!
      - Voc quer mais?  a voz de Sam estava baixa e rouca.
      - Sim, mais  Jessica quase ofegava.
      Ele introduziu mais um dedo em Jessica, olhando-a, pediu:
      - No, no feche os olhos, Jess, olhe para mim.
      Ela abriu os olhos e viu seu Sam ali, emoldurado com a luz do sol que banhava todo o lugar, transformando-o na imagem do deus que ela admirara na piscina.
Ele estava cheio de desejo, apoiado com o cotovelo segurava a cabea com uma das mos, enquanto em seus lbios brincava um meio sorriso, que era pura malcia, ele
falou:
      - Dessa vez, quero estar olhando-a quando voc gozar... goze para mim, Jess, goze para mim...  enquanto falava ele arremetia os dedos e com o polegar massageava
seu clitris, enquanto sua boca explorava mais uma vez seus seios sem deixar de olh-la. A cena toda era puro erotismo. A luz do sol que os acariciavam, a msica
suave que os envolvia e a excitao incontrolvel, que era tanta que chegava a ser palpvel.
      Jessica soube de imediato que ele no precisaria lhe pedir novamente, sentiu todo seu corpo se retesando, para depois explodir num orgasmo alucinante. E ela
gritou o nome dele, gritou que o amava... Sentiu os braos de Sam envolvendo-a num abrao apertado e ouvia sua voz rouca em seu ouvido dizendo: assim, meu amor,
assim....

      Muitas mulheres haviam se entregado a Sam, mas nenhuma como Jessica. Ele sabia que poderia lhe pedir qualquer coisa que ela faria, no somente por que o amava
como ela disse, mas porque confiava nele, ela sabia que ele jamais a machucaria. E isso era mais do que Sam precisava saber para no deixar Jessica sair de sua vida
nunca mais. Aprendera que amor, confiana e respeito andavam juntos e ele tinha tudo isso e mais com a mulher maravilhosa, admirvel que estava agora em seus braos.
      Que se danasse seu pai, a me dela, a sociedade hipcrita que os cercavam!
      Ele iria se casar com a mulher que amava!
      Nada mais importava... Bem, havia Linda ainda, mas isso ele resolveria quando ela voltasse, no, ele iria atrs dela e terminaria tudo!
      Ningum mais estaria entre ele e Jess.
      A nica mulher que ele realmente quis para a vida toda era aquela que agora estava ali to entregue a ele. E lutaria por ela. Ela j no era mais nenhuma criana,
a diferena de idade entre eles j no pesava mais como antes e definitivamente ela no era sua irm.
      Ajoelhou-se ao lado de Jessica e segurando seu rosto com as duas mos, perguntou-lhe emocionado:
      - Voc tem idia de como  linda? Eu no sabia, mas a esperei por todo esse tempo. Era o seu corpo que eu procurava nas outras, era sua boca  e deu um leve
beijo nos lbios de Jessica  que eu beijava, era seu cheiro que eu queria sentir... Ah Jessy, como fui tolo... Desculpe-me por ontem, me desculpe por tudo que eu
fiz, por tentar afast-la de mim...
      Jessica tinha lgrimas nos olhos, aquilo estava sendo melhor do que todos os sonhos que ela tivera desde sempre com Sam. Ouvi-lo dizer-lhe tudo aquilo, naquele
lugar idlico, era mais do que ela podia esperar e disse emocionada:
      - Eu sempre o amei, eu esperei voc por toda minha vida, tive tanto medo de perd-lo, de no t-lo...
      - Shhh, isso acabou, no haver mais nenhuma mulher em minha vida, conversarei com Linda... Vou ser seu hoje e para sempre, Jess. Mas agora eu preciso estar
dentro de voc...
      - Oh, Sam... Linda, ela pode chegar e...
      - Esquea tudo, amor, ningum chegar. No pense em nada agora, somente em ns...
       Hesitante, j temendo a resposta, Sam perguntou:
      - Jess, voc j... foi de mais algum?
      - No, nenhum homem, ao menos, me tocou como voc. Eu...
      - Oh, querida, no precisa dizer-me mais nada, eu sei, voc  minha, somente minha.
      E por mais machista que isso parecesse, Sam se sentiu enlevado em saber que Jessica realmente havia esperado por ele. Agora mais do que nunca, aquilo precisava
ser especial para ela. Ele precisava ir devagar, precisava se conter, para dar a mulher de sua vida uma primeira vez inesquecvel. Por mais que quisesse estar dentro
de Jess, aliviar seu prprio desejo, ele primeiro se concentraria nela, somente nela.
      - Precisamos sair daqui, te quero numa cama, Jess.
      - No, Sam, eu o quero aqui.  e Jess trouxe Sam mais para perto, beijando-o, fazendo-o enlouquecer ainda mais.
      Sam sentiu o cheiro da excitao de Jessica, o cheiro de sua essncia em suas mos e falou suavemente:
- H muito tempo que espero, com loucura, para fazer isso...
      E Sam foi descendo sua boca pelo corpo dela, beijando-lhe cada pedacinho.
      Jessica imaginou que depois do clmax que havia alcanado, no conseguiria sentir-se ainda mais excitada, mas sentir a boca de Sam beijar-lhe o corpo a estava
preparando para mais uma viagem, uma viagem intensa.
      Sam se sentia perdido diante de tanta perfeio. Os cabelos loiros e cacheados de Jessica estavam espalhados pela espreguiadeira. Os raios de Sol refletidos
nos fios dourados, transformava-os numa moldura feita de ouro para seu rosto que parecia sido pintado por um artista perfeccionista, tal era sua beleza; os olhos
brilhantes, as faces rosadas, os lbios vermelhos e inchados, entreabertos para facilitar sua respirao acelerada. Seu pescoo era delicado, os ombros macios, os
seios... ah, os seios... eram mais que perfeitos, com os mamilos parecendo botes de rosas, com o verdadeiro sabor do nctar.
      Ela tinha a cintura fina, suas mos quase se fechavam em torno dela; e aquele piercing no umbigo ressaltando a barriga reta, era puro deleite ertico. Seus
pelos pubianos eram macios, um pouco mais escuros que seus cabelos loiros e tinham a forma de um tringulo perfeito. Seus lbios eram grossos, generosos, dando
o acabamento exato para a entrada ao paraso. As pernas de Jessica sempre foram a maior tentao para Sam, fortes, musculosas, sem perderem a feminilidade. Ele era
um homem de sorte em t-la ali em seus braos e por saber-se amado por um ser que era a personificao de que os seres humanos eram verdadeiramente a semelhana
de Deus. Perfeitos!
      Era indiscutivelmente diferente fazer amor, com algum que ele se importava, com algum que ele amava. Os seus sentidos pareciam ter se intensificado, ele
ouvia os gemidos como se sassem de dentro de seu prprio crebro; o cheiro de Jessica o invadira inteiro; todo gosto dela estava em sua boca. E quando ele chegou
ao tringulo no meio de suas pernas, ele no quis menos. Com as mos em suas ndegas ele a trouxe inteira para sua boca, envolveu e sugou at a ltima gota do seu
prazer, murmurando:
      - Isso  melhor do que eu pensava, seu gosto  tudo e muito mais do que imaginei... Doce! Salgado! Maravilhoso!
      Jessica achou que dessa vez ela desfaleceria. Sam literalmente a estava devorando. Ele sugava seu clitris para dentro de sua boca, como se estivesse saboreando
um manjar dos deuses e introduzia sua lngua o mais fundo que podia alcanar. Tudo sem ao menos por um segundo, tirar os olhos das reaes de Jessica. E murmurava
palavras e emitia gemidos de puro deleite. Segurava-a firmemente pelas ndegas, quando ela achava que no iria agentar mais e tentava se afastar, ele a aproximava
ainda mais. Dessa vez ela no subiu aos cus, ela teve certeza que foi o cu que desceu e a alcanou. Nem ao menos saberia dizer se gritou ou no, pois sua mente
sumiu por segundos e mesmo durante o dia, ela poderia jurar que vira estrelas.
      Sam mais uma vez a abraou e a embalou at que ela se recuperasse e quando ele percebeu que ela lhe entenderia, disse, zombeteiro e orgulhoso de si mesmo por
ter proporcionado aquela mulher divina um prazer desmedido:
      - Espero que essas paredes sejam a prova de som. Seno daqui a pouco tenho quase certeza que teremos companhia.
      Jessica deu-lhe um sorriso e corou, ele balanou a cabea negativamente:
      - Nunca, mais nunca mesmo, tenha vergonha de ser voc mesma comigo, de se abrir, de se soltar inteiramente. Voc  linda, perfeita, Jess. Tudo que um homem
deseja em uma mulher...
      Ela o beijou, enlevada, queria dar a Sam todo o prazer que ele lhe havia proporcionado. Trazendo-o para si, ela abriu suas pernas convidando-o ao ato supremo.
      Ele a beijou de volta, mas parou olhando-a com os olhos escurecidos pelo desejo:
      - Precisamos sair daqui, Jess, eu no tenho como nos proteger aqui, entende?
      - Eu no me importo  disse Jess, j enlaando a cintura de Sam com suas pernas, fazendo o membro intumescido tocar em sua umidade latejante  eu quero senti-lo
inteiro sem barreiras! Eu confio em voc...
      - Eu sei, querida, mas voc pode ficar grvida...
      - Ser o dia mais feliz da minha vida, o dia que souber que estou carregando um filho seu  e os dois gemeram, quando Jess, com a ajuda de suas pernas o trouxe
mais para perto, fazendo que uma pequena parte de seu pnis a penetrasse.
      Com o maxilar contrado para tentar controlar-se, Sam disse:
      - Devagar, meu amor, devagar. Isso pode ser dolorido para voc.
      Jessica j estava novamente louca de desejo e disse com a voz entrecortada:
      - Por favor, Sam, me possua, eu no sentirei dor, voc no me machucar...
      Sam, de qualquer maneira, no suportaria mais. Ele ainda tentou se controlar e penetr-la aos poucos para poup-la, mas percebeu que dessa forma talvez a fizesse
sentir mais dor e com uma nica arremetida, ele chegou ao mago de Jessica.
      Jessica se retesou e mordeu os lbios para no gritar de dor, o que fez Sam parar e falar:
      - Agora acabou.  s relaxar, amor, relaxe para eu poder lhe dar prazer.
      Devagar ele comeou movimentar-se dentro de Jess. Suas arremetidas eram lentas, mas profundas, fazendo-o suar, tamanha era sua concentrao e controle, para
que ele no alcanasse o clmax antes dela.
      Ele nunca havia imaginado que seu ato de amor com Jess poderia ser assim, to intenso. Jamais imaginou que fazer amor com ela, poderia lhe causar esse fascnio,
essa dor de amor. Ele sentia Jessica o envolvendo por inteiro, ali estava seu corpo, seu corao, sua alma, por isso era to sensacional.
      Ele estava to extasiado que sentiu lgrimas em seus olhos e pronunciou o nome de Jessica com voz entrecortada de desejo e emoo:
      - Jess?...
      E Jessica entendeu que ele estava pedindo a ela se poderia gozar, ao que ela respondeu:
      - Sim, amor, sim...
      Ele acelerou o ritmo de suas investidas e sentiu o corpo de Jessica apertar seu membro, sabia que agora ele poderia libertar o animal irracional que o dominava,
pois os dois iriam alcanar o clmax juntos. E com investidas profundas, ritmadas, aceleradas, sentiu o momento que Jessica saa desse plano para alcanar um plano
superior e com um urro gutural, ele soltou todo seu desejo, toda sua loucura, acumulada em cinco anos de espera e angstia.
      Caiu sobre Jessica exausto, satisfeito, como nunca na vida ele havia se sentindo. Nem sua primeira vez, havia sido assim, cheia de fascnio, amor, entrega
total.
      Ele deitou-se de lado e trouxe Jessica consigo. Abraando-a forte, como se ela fosse somente um sonho e ele pudesse a qualquer momento acordar sem t-la ao
seu lado e a ouviu soluar. Ela estava chorando! Deus, ele a havia machucado:
      - Jess, amor, eu a machuquei? Desculpe-me... Desculpe-me...
      - No, Sam. Voc foi maravilhoso, jamais imaginei que o amor pudesse ser assim, to... to... no sei que palavra usar para expressar o que estou sentindo.
      E ela o apertou mais no seu abrao. Ficaram enlaados, somente lembrando-se do ato e desfrutando do momento.



      CAPTULO QUINZE



      Sentindo-se mais lcida, Jessica soltou-se do abrao e apoiando-se no cotovelo, olhou para Sam:
      - E agora, Sam, o que vamos fazer?
      - Vamos tomar um banho, conversaremos l.  a voz de Sam soou sria, havia muita coisa para eles resolverem e assumirem dali para frente, no seria fcil,
mas tambm no seria nenhuma batalha.
      Ele se sentia to otimista e to realizado e leve que nada poderia deix-lo preocupado no momento. E em pensar que Jessica mudara sua vida em menos de vinte
quatro horas, bem a verdade,  que sua vida mudara h cinco anos atrs, mas somente hoje ele parara de fugir e se entregara a verdade. E isso era bom para a alma
de um homem.
      Eles levantaram-se e Jess viu uma pequena mancha de sangue, na espreguiadeira, sentiu-se acanhada, sabia que isso poderia acontecer, mas ver assim, exposta,
deixou-a constrangida. Sam notou seu embarao e disse:
      - Depois limparemos isso, amor. Somente ns dois veremos a prova de sua inocncia roubada. Apesar de eu achar que voc de inocente, no tinha nada  e beijou-lhe
o pescoo.
      Jess deu um leve tapa em suas ndegas.
      O clima realmente era descontrado. Sam sentia-se novamente com dezoito anos e ao lembrar-se disso, olhou para Jessica e por apenas um segundo ele teve medo
que um dia, talvez no agora, mas no futuro  diferena de idade entre eles, se tornasse um peso, principalmente para Jessica que tinha uma vida inteira pela frente,
afinal ela mal saira dos dezoito e ele j nem se lembrava de como havia sido inteiramente os seus. Apertou a mo, que estava entrelaada na dele, enquanto se encaminhavam
para o banheiro.
      O box para banho era mais uma obra de delicadeza e bom gosto. Todo no mesmo azulejo branco do resto do vestirio e ao fundo havia uma paisagem da mesma imagem
que havia em todos os azulejos em miniatura, s que essa era enorme ocupando toda a parede. O dimetro do chuveiro era enorme, seu jato rpido e quente, era reconfortante,
como uma massagem.
      Sem que Jess lhe pedisse, Sam pegou uma esponja colocou um sabonete lquido de perfume suave e comeou a lhe massagear a pele, em movimentos circulares e relaxantes.
Jessica fechou os olhos e deixou que ele a mimasse. E Sam comeou a falar:
      - Amanh partirei para Londres  Jess abriu os olhos arregalando-os e antes que ela pudesse dizer qualquer coisa, ele continuou  calma, amor!  que Linda
foi para l ontem, eu no quero esperar a sua volta para resolver nossa situao, ento vou a Londres ponho um ponto final nessa histria e volto para voc... 
e completou extasiado, olhando todo seu corpo  Deus! Como voc  linda!
      Jess fechou novamente os olhos, quando Sam comeou a passar a esponja entre suas pernas que estava extremamente sensvel, mas mesmo assim, se sentia pronta
para receb-lo novamente e antes que perdesse a cabea, brincou:
      - Achei que voc estava fugindo de mim outra vez, pensei que eu seria mais uma naquela sua lista...
      - Nunca mais fale dessa tal lista... Voc nunca foi e nunca pertencer a lista nenhuma e j me cansei de falar sobre isso. Com meu pai, com sua me...
      - Minha me?  perguntou Jessica tirando a esponja da mo dele e comeando a ensabo-lo.
      Tudo era to natural entre os dois que no parecia  primeira vez que tomavam banho juntos.
      - No quero falar sobre isso, agora, Jess. E depois de termos resolvido tudo. Acho que no far diferena alguma. Continuando o assunto, depois que voltar
de Londres...  Sam fechou os olhos e perdeu a voz quando Jessica comeou a lavar suas partes ntimas  ah, Jess assim no conseguirei terminar...
      - Ento no fale, amor....
      Era tentador, ver como Sam reagia a seus estmulos. Ela se sentia livre, espontnea, encorajada com a entrega dele.
      Sam no podia acreditar que j estava pronto para fazer amor de novo. Jessica o enlouquecia, ela mexia com todos seus hormnios, realmente o transformando
num adolescente. Mas precisavam ter aquela conversa. Ele segurou a mo de Jessica e retirou-lhe a esponja da mo e ela fez aquele beicinho que ele tanto conhecia:
      - No adianta fazer esse beicinho, precisamos conversar.
      Ela enlaou-o pelo pescoo e disse maliciosa, encostando seu corpo inteiro no dele:
      - Ento fale. Sou toda ouvidos.
      - Srio, Jess, me deixe continuar...
      - Fale, j disse que estou ouvindo. Seu estraga prazeres  falou Jess sem se afastar.
      - Vai ser difcil assim, no consigo ordenar minhas idias com voc to prxima... mas, tudo bem... ento, onde eu estava... Ah, Deus, isso  loucura...  
falou ele, quando Jess colocou as mos de Sam em sua cintura e comeou a se mexer com o ritmo da msica - Ento, quando eu voltar de Londres  e Jessica depositou
um beijo em seu pescoo e ele fechou os olhos  ns vamos para Carlson...
      - Mas j?  Jessica estava pensando na reao da me, quando ela soubesse, preferia adiar um pouco o embate.
      - Sim, Jess, j. Preciso falar com seus pais sobre...
      - Ah, mas vai precisar mesmo, Samuel Thunderheart...
      Jess e Sam olharam para a porta do box e no acreditaram no que viram.
      Ali materializada estava nada menos que a Sra. Joyce Bradley, me de Jessica.
      CAPTULO DEZESSEIS



      Desde o dia que Jessica havia ido para Dallas, sua me sabia que aquilo no iria dar certo. O seu sexto sentido de me, a impelia a seguir a filha e foi o
que fez no sbado pela manh. Chegou ao prdio onde Mia morava um pouco mais de onze horas. No trazia bagagem somente uma muda de roupa, pois queria convencer Jessica
a voltar no mesmo dia.
      O porteiro no conseguiu localizar nem Mia, nem Jessica. Ento ela pediu para falar com Sam. A Sra. Bishop atendeu ao interfone e disse que no saberia informar
aonde a Srta. Bradley se encontrava, mas a Srta. Thunderheart estava trabalhando e o Sr. Thunderheart estava na piscina. A Sra. Joyce perguntou se poderia subir
e conversar com Sam e a Sra. Bishop prontamente a deixou subir.
      A empregada tentou interfonar para Sam, avisar que a Sra. Bradley estava subindo, mas ningum atendeu e ento ela forneceu a senha de acesso para o andar da
piscina.
      Ento l estava ela, presenciando a pior cena que imaginara. E a que mais temera nessas vinte e quatro horas, desde que Jessica havia deixado o haras para
correr atrs de Sam.

      - Me! O que a senhora est fazendo aqui?!  Jessica no sabia se se cobria ou cobria Sam. Ele, por sua vez, queria ser cavalheiro, mas sabia que no seria
nada lisonjeiro se em vez de a me ver a nudez da filha visse a sua.
      Joyce estava indignada, embaraada, decepcionada e mais alguma coisa que no conseguia saber. Tinha vontade de gritar com aqueles dois. Mas primeiro eles precisavam
estar vestidos. Ela pegou duas toalhas que estava sobre uma poltrona, jogou em direo aos dois e disse com voz de comando:
      - Esperarei os dois, vestidos, em seu apartamento Sam!  e lhe deu as costas, saindo dali tentando manter uma pose digna.
      Sam desligou o chuveiro, que continuava ligado. Jessica olhou para ele com olhar desolado:
      - Ah, Deus, que coisa mais embaraosa! Nossa isso  pior que um pesadelo! Voc viu a cara dela?! Viu como ela parecia mais decepcionada do que zangada?
      Sam abraou Jessica e disse:
      - Calma, meu bem! Resolveremos isso com uma conversa honesta sobre minhas intenes e sobre nosso relacionamento futuro.
      Jessica olhou para ele, enquanto ele abria uma das portas do armrio e pegava uma cala de taktel e uma camiseta. E ela vestia a roupa que havia trocado pelo
biquni.
      Foram para o elevador e Jessica parecia estar indo a sua execuo. A primeira vez que tinha um contato ntimo com um homem e a me a flagrava. Estava se sentindo
uma adolescente. Ela sabia que no estavam num lugar prprio para tamanha intimidade, mas a confiana que Sam lhe passou sobre ningum aparecer e tambm toda a excitao
que estava sentindo, a fez esquecer onde realmente estavam. Bem, l no fundo preferiu que fosse sua me, j imaginou se fosse Linda? Jessica mesmo estando convicta
em conquistar Sam, em hiptese alguma gostaria que fosse dessa forma, que a noiva chegasse e os pegasse em pleno ato ou no banho, ou qualquer coisa desse tipo.
      Chegaram ao apartamento e a me de Jessica os esperava na biblioteca.
      Sam imaginou que a tia havia escolhido aquele cmodo, por ser talvez, um dos mais austeros da casa.
      A sala tinha estantes de madeira de lei escura por quase toda sua extenso, com exceo da parte onde ficava a imensa porta de vidro que se abria para uma
varanda que circundava quase todo o apartamento e a parte onde havia a lareira emoldurada com madeira toda esculpida formando arabescos indefinidos. Sobre a lareira
havia um quadro com a pintura do haras Thunderheart em todo seu esplendor.
      As cortinas de cor marfim estavam abertas deixando a vista toda  paisagem deslumbrante do Turtle Creek e sol da manh a iluminar a sala.
      Havia livros ocupando cada uma das estantes. Do lado direito em frente a uma das estantes havia uma escrivaninha com o mesmo tipo de madeira; bem organizada,
com alguns papis que Sam trouxera do escritrio para avaliao, um laptop dos mais modernos, telefone com fax e uma cadeira de espaldar alto de couro marrom escuro.
      Os tapetes, que cobriam o cho tambm de madeira polida, eram do mesmo tom marfim das cortinas, decorados com mosaicos em marrom, eram altos e macios.
      Perto da lareira assim como na sala branca, havia um conjunto de sofs de couro de dois lugares dispostos frente a frente, mas eram marrons como o restante
da moblia. Havia ainda uma poltrona convidativa do mesmo material do restante dos estofados, com um pufe  frente e uma luminria moderna atrs, incitando a leitura.
      Tia Joyce estava sentada muito ereta numa das poltronas que completava a moblia do cmodo.
      Sam sentiu que Jessica tremia um pouco, ainda era muito nova para levar toda aquela situao de uma forma mais descontrada. Ele sabia que havia o agravante
que a mulher ali, que mal conseguia os encarar, quando sentaram de mos dadas no sof, havia praticamente lhe implorado para ficar longe de sua filha e ele fizera
exatamente o oposto. Mas agora era diferente, ele descobrira, ou melhor, deixara vir a tona seus verdadeiros sentimentos em relao  Jess, ela no era mais uma,
ela seria a nica e para sempre. Esperava que essa declarao a Sra. Joyce Bradley a tranqilizasse sobre a cena presenciada e sobre sua filha no ser mais uma,
na execrvel lista de conquistas de Sam.
      Tentando quebrar o clima tenso, Sam perguntou:
      - A senhora gostaria de beber alguma coisa, tia? Jess?
      - No, Sam. Gostaria de saber o que foi que vi! Quero dizer, sei muito bem o que vi  seu olhar para Jessica era triste, decepcionado  quero saber se pelo
menos dessa vez, voc far a coisa certa. Entendo que voc est noivo de outra pessoa o que j torna o... o... ocorrido deplorvel, mas voc tem que saber que minha
filha no ser mais uma na sua vida.
      - Me, por favor...
      - No, Jess  Sam falou  Tia, minhas intenes com Jess so as mais honradas  Sam sabia que estava sendo antiquado no linguajar, at formal demais, mas ele
tinha certeza que essa seria a nica forma de quebrar a Sra. Joyce Bradley  amanh mesmo partirei para Londres a fim de me encontrar com Linda e por um fim em nosso
relacionamento, pois minha inteno  me casar com Jess e o mais rpido possvel...
      - Sam?! - Jessica olhou-o espantada, seu maior sonho estava se concretizando, apesar de no ser assim que imaginava um pedido de casamento e Sam ainda no
havia dito uma palavra sobre am-la ou no, mas estava emocionada demais para pensar.
      - Claro, se voc me aceitar, Jess  Sam olhou-a com intensa ternura.
      Jess abraou Sam com fora. E sua me limpou a garganta para dizer que ainda se encontrava na sala. Jessica se afastou devagar encarando a me, desafiando-a,
afinal o sangue da Sra. Joyce Bradley corria em suas veias e ela achava que a me j estava indo longe demais com aquela implicncia.
      E Sam continuou:
      - Depois que retornar de Londres, irei para Carlson, pedir a mo de Jessica oficialmente ao tio Gordon e comunicar a minha famlia. Se a senhora e Jess concordar,
minha me somente ter que mudar os nomes do convite da minha atual festa de noivado.
      Joyce quase o fulminou pelo tom zombeteiro que ele usou ao falar da mudana de nomes. Jess teve que se segurar para no rir, para ela no interessava mais
nada a no ser que iria ser esposa do homem que ela amou a sua vida inteira.
      A me de Jessica no iria facilitar as coisas para Sam:
      - Tenho que ser sincera com voc, menino, no estou muito contente com tudo isso. Ns j havamos conversado e ainda penso que voc no  o homem certo para
Jessica...
      - No comece, me!  Jessica levantou-se do sof  eu amo Sam, ele nem ao menos precisaria se casar comigo, mas ele o far. O que mais a senhora quer? No
quer que eu seja feliz com o homem que eu escolhi?!
      - Uma das coisas que quero agora, Jess.  que Sam se case o mais rpido possvel com voc. Pois se voc estiver grvida, ser uma vergonha para sua famlia.
      - Realmente voc vive em outra poca, me. Jamais me sentiria envergonhada em carregar um filho de Sam, estando ele casado comigo ou no!
      Sam levantou-se e pediu gentilmente que Jessica se acalmasse. Ela ainda precisaria amadurecer um pouco para entender que seus pais, assim como os pais de Sam,
tinham valores diferentes e que era o dever dos filhos aceitarem essa diferena, sem entrar em conflito por isso. Mas ele sabia que aos vinte anos isso era um pouco
difcil de ser administrado. Era nessas horas que ele titubeava em relao aos sentimentos de Jessica por ele. E se todo o amor que ela achava sentir fosse somente
uma paixo passageira? Que quando ela visse seu outro lado, no como amigo ou irmo, mas como companheiro, marido; ela sentisse que ele no era o cara? Seu maior
temor era que dessa vez ele sairia machucado, ferido mesmo, pois ele nunca sentira por ningum o imenso amor que sentia por aquela mulher, que na verdade, no passava
de uma menina crescida.
      Sam pediu desculpas a Joyce, pediu que Jess sentasse e sussurrou-lhe ao ouvido que dessa maneira ela no o estava ajudando.
      - Bem, tia j que todo o problema se resume  tempo  Sam encarou sua tia e seu tom era o mesmo que usava em suas reunies de negcios, quando o cliente era
difcil, sua mente trabalhava depressa para dizer as palavras certas e conseguir fazer a me de Jess entender que ele realmente estava empenhado em relao a unio
dos dois - pretendo ento partir hoje mesmo! O casamento se realizar uma semana aps a festa de noivado. Creio que em trs semanas consigamos entrar com toda a
papelada necessria. A festa de noivado ser no Haras Thunderheart, espero que a cerimnia possa ser realizada l tambm.
      A Sra. Bradley alm de outras qualidades, sabia quando havia perdido uma batalha, mas a nica coisa que realmente queria era a felicidade de sua filha e ela
no poderia mais lutar contra isso, ela via nitidamente o amor que Jess sentia por Sam e era um amor verdadeiro e ela podia jurar que os dois haviam nascido um para
o outro. Era um amor daqueles que as pessoas procuram uma vida inteira e mesmo assim na maioria das vezes no acham. E ela via esse amor em Sam tambm. Estava ali,
estampado em suas feies, gestos, palavras, como tatuagem em sua pele: Eu amo Jess. Que ela no poderia, no deveria se opor quela raridade e com a voz rendida
e embargada disse:
      - No, Sam. Gostaria que a cerimnia fosse realizada em nosso haras. J que seus pais daro  festa de noivado, fao questo que a de casamento, seja no Haras
Bradley.
      Jessica percebeu que a me aceitara sua unio, aproximou-se dela e a abraou, dizendo com carinho:
      - Obrigada, me.
      - Ah, Jess, me desculpe. Quero somente que seja feliz e sua felicidade sempre esteve ligada a Sam  ela se afastou da moa e estreitando os olhos, disse 
mas no pense que aprovo o que presenciei, sou antiquada! Acho que mesmo se fosse a mais moderna das mes conseguiria, como vocs dizem mesmo, levar numa boa...
      Todos riram e olhando para Sam com ar maternal, continuou:
      - E voc, venha aqui e d um grande abrao em sua futura sogra  depois que ela abraou Sam, disse  espero que faa minha menina feliz Sr. Thunderheart, seno
eu no serei responsvel por meus atos...
      - Tia, fazer Jessica feliz ser minha prioridade.
      Ele soltou sua futura sogra e abraou Jessica com carinho.


      CAPTULO DEZESSETE

      Dali em diante, tudo passou como um tufo.
      Sam telefonou para o aeroporto e conseguiu um vo fretado para dali duas horas. Ele partiria s trs horas da tarde e chegaria s onze horas da noite, horrio
de Dallas. Em Londres j seriam sete horas da manh. Tentou avisar Linda que estava a caminho, mas seu celular continuava a cair na sua caixa postal, dessa vez deixou
um recado avisando de sua chegada a Londres e que precisava v-la.
      J no avio, Sam imaginava como iria terminar seu relacionamento com Linda, sabia que no seria como os outros. Afinal nunca havia pedido nenhuma outra mulher
em casamento. Terminar um relacionamento que nem ao menos havia comeado era fcil, mas romper com uma mulher que havia deixado toda sua vida para trs, usava um
imenso anel de noivado e certa que estaria casada em dois meses, seria uma situao no mnimo constrangedora. Sua ansiedade era tanta que no conseguiu relaxar durante
o vo.
      Pensava nas mudanas que havia ocorrido no ltimo ms.
      Primeiro a pssima deciso que tomara ao pedir Linda em casamento, quando no sentia absolutamente nada por ela e agora estar de casamento marcado com Jessica.
      Ele no tinha duvida que fosse apaixonado por Jess, mas tudo era to novo e quase absurdo! Afinal por cinco anos, ele havia negado todos os sentimentos que
surgira em relao a ela. Havia se tornado um conquistador para tentar esquecer a menina que tivera nos braos e bastou ela aparecer por apenas um dia e ele havia
sucumbido como um homem inexperiente, apaixonado pela primeira vez. O que no era mentira, nunca sentira nada parecido por ningum mais. Talvez aquela histria de
destino fosse verdadeira; Jess nascera para ser sua e por mais que tenha lutado contra, no final nada os afastara.
      Chegou exausto a Londres e resolveu se registrar no Caesar Hotel que ficava prximo a residncia de Mary, em Hyde Park, pois no sabia se demoraria ou no
para conseguir contatar Linda.
       Assim que chegou a sua sute, tentou novamente ligar-lhe para avis-la de sua chegada e marcar um encontro para mais tarde, mas no conseguiu encontr-la,
ela deveria estar dormindo.
      Ligou para casa, sabia que era mais de meia-noite, mas estava ansioso para ouvir a voz de sua noiva. Se Jess houvesse concordado em ficar em seu apartamento
e em sua sute como ele sugerira, ela iria atender ao telefone, pois estava discando seu nmero privado e ento ouviu a voz doce de Jess:
      - Al!  ela sabia que era Sam, estava esperando impaciente sua ligao.
      - Voc est deitada em minha cama?  Sam no conseguiu pensar em mais nada a no ser aquela mulher magnfica que ele desejara por tanto tempo, deitada em sua
cama.
      As palavras dele foram como um toque sensual. Ela espreguiou-se inteira como uma gata e respondeu roucamente:
      - Sim, estou...
      Parecia que Sam podia v-la ali, ronronando em seus lenis.
      - Se a imagem que estou projetando em minha mente  verdadeira, no deveria ter deixado Dallas, deveria ter ficado com voc...
      - Que tipo de pensamentos que voc est tendo?  Jess perguntou com voz sensual.
      - Ah, Deus! Voc nua roando sua pele quente na seda fria...  Voc me deixa alucinado, Jess.
      Sam gemeu com a imagem que seu prprio crebro fabricara. Como isso era possvel? Como poderia desejar tanto uma mulher que h apenas algumas horas tivera
em seus braos? Sentia-se privado de ar, por no poder toc-la, no sentir seu cheiro, queria, precisava estar ao seu lado, sentir sua presena...
        Para completar o quadro mental de Sam, Jess provocou:
        - Como voc adivinhou,  exatamente como estou, nua, sentindo seu cheiro por todo o quarto, com os lenis me abraando, como se fosse voc... Isso sim,
Sam, me deixa alucinada...
        - Ah, voc  m! Cruel! Como voc pode fazer isso com um homem que est a milhares de quilmetros longe de voc?! Voc no tem piedade...
      Jessica sentia-se mais que excitada, jamais imaginou que poderia ser assim, somente a voz de Sam a deixava louca, ainda mais depois de experimentar o que era
fazer amor com Sam, sua libido havia aumentado consideravelmente, jamais imaginou que quanto mais tnhamos, mais quereramos. Era bom demais fazer amor!
      - Ah, Sam queria tanto voc...  sua voz estava rouca e Sam se imaginou correndo para o aeroporto para t-la:
       - Jess, eu tambm quero voc! Somente mais algumas horas e estaremos juntos. Preciso tomar uma ducha fria e sair para conversar com Linda...
      - J estou com cimes...
      - Nossa, at posso ver seu famoso biquinho... Mas no fique com cimes, voc  e ser sempre a nica...
      -  to bom ouvir isso!  Jessica ria satisfeita - se tivesse algum aqui pediria para beliscar-me... Estou to feliz!  Jessica soltou uma gostosa risada.
      Sam a acompanhou, era muito bom realmente sentir-se feliz, ele disse:
      - Deixei o avio reservado, volto assim que terminar aqui, no quero mais ficar longe de voc...
      - Eu tambm estou com saudades!  Jessica ria o tempo todo, como se fosse uma tola.
      - Bejo, Jess  a felicidade de Sam no poderia ser mais autntica.
      - Bejo, Sam.
      Desde que Jessica comeara a falar esse era o jeito de eles se despedirem ao telefone. Retornavam a despedida antiga, de forma natural e tambm de maneira
renovada, com os coraes cheios de um amor maior que do que poderiam imaginar.
      Sam foi para o banheiro assobiando e riu quando percebeu o que estava fazendo. Mas sua alegria morreu um pouco imaginando que, daqui alguns minutos, iria fazer
uma pessoa sofrer, ele no queria que fosse assim, mas no havia outra maneira de fazer algo que era desagradvel h sculos.
      Tomou uma rpida ducha, vestiu-se e saiu do hotel. Decidiu dispensar o servio de motorista que havia contratado e seguiu a p para o endereo que Linda lhe
fornecera, pois ficava a menos de duas quadras do hotel.
      Sem prestar ateno  paisagem ou aos transeuntes, chegou a seu destino.
      Era uma dessas manses antigas transformadas em apartamentos. Antes que pudesse tocar o interfone,  porta foi aberta por uma simptica senhora, que saa para
passear com seu cachorro. Sam segurou a porta para que ela pudesse sair e aproveitou para entrar. O hall antigo da manso fora mantido e era elegante, quase pretensioso
demais para ser agora um hall de apartamentos.
      Ele subiu a escada de mrmore com seus corrimes em madeira polida. Chegou ao segundo andar onde se via portas duplas de madeira macia, trabalhadas, pintadas
na cor branca e procurou o apartamento de nmero dois. Bateu e esperou. No recebeu resposta e bateu novamente com mais fora.
      A porta foi aberta por uma mulher alta, lindssima. Seus cabelos eram longos e ruivos e estavam despenteados. Seus olhos eram expressivos, grandes e muito
verdes. Sua pele era plida, quase translcida e no usava nada mais que um neglige branco, totalmente transparente.
      Seus seios eram pequenos e firmes. Era magra e quase sem curvas. E era ruiva natural! Ela recendia a sexo, aquele odor caracterstico da excitao feminina.
E no porque Sam a contemplava, mas porque, com certeza, a havia interrompido.
      A mulher parecia acostumada com sua nudez e ser admirada por ela. Deixou Sam admir-la como tantos outros. Quando ele voltou a olh-la nos olhos, ela estava
com um meio sorriso. Sam ficou constrangido, o que era uma novidade. O Sam de quarenta e oito horas atrs teria sorrido com a mesma malcia no olhar e com certeza
teria tentado marcar um encontro, tentado no, conseguido!
      Que diferena fazia dois dias na vida de um homem!
      O sorriso da mulher se ampliou e perguntou com uma voz forte e rouca:
      - Posso ajud-lo?
      - Voc deve ser Mary. Eu sou Samuel Thunderheart.   ele iria completar a frase dizendo que era noivo de Linda, mas como viera ali para por um fim aquele ttulo,
resolveu no completar a frase e estendeu a mo para um cumprimento, mas olhar da moa que antes era quase de troa, tornou-se belicoso, transformando Sam, em segundos,
de diverso a inimigo.
      Quando Sam achou que suas surpresas iriam acabar ali, ele ouviu a voz de Linda dizendo manhosa:
      - Amor, despache quem estiver na porta e volte para mim...
      Os olhos de Sam se arregalaram, enquanto os de Mary voltaram a caoar.
      Sam sabia que no tinha o direito de se sentir ofendido ou surpreso, afinal havia trado Linda mais de uma vez e estava ali para dar um fim aquele relacionamento
de faz de conta, j de casamento marcado com outra pessoa, mas o famoso orgulho masculino falou mais alto e praticamente passando por cima da mulher que barrava
sua entrada, adentrou o apartamento j exclamando:
      - O que est acontecendo aqui?!
      Ele viu Linda saindo de um cmodo, aproximando-se relutante, fechando um roupo atoalhado, com os olhos surpresos e receosos:
      - Sam! O que voc est fazendo aqui?
      - O que eu estou fazendo aqui?!  Sam ento se deu conta do motivo que o trouxera a Londres, abaixou o tom de sua voz e tentou no perguntar se era verdade
o que ele estava presenciando  ser que poderamos conversar em particular?
      Mary levantou-se do sof onde se sentara, talvez esperando assistir a uma cena e aproximando-se de Linda a abraou pelos ombros, dizendo:
      - No temos segredos uma para outra...
      Linda tirou o brao da mulher de seus ombros e disse de forma carinhosa:
      - Por favor, Mary, preciso fazer isso sozinha, poderia nos dar licena?
      E para comprovar o que Sam j tinha certeza, Mary de forma quase possessiva, mas carinhosa, beijou os lbios de Linda levemente e com aquele olhar de inimiga
decretada a Sam, deixou a sala.
      Infelizmente o temperamento de cowboy de Sam falou mais alto e ele perguntou:
      - Quando voc iria me contar? Contar-me que  lsbica? Antes ou depois do nosso casamento? Ou voc iria levar Mary para Dallas e mant-la como amante?
      Linda no gostava de cenas, decidiu no se importar com o tom jocoso de Sam, nem descer no mesmo nvel e ento falou de forma calma:
      - Eu no sou lsbica, no gosto de rtulos, simplesmente me apaixonei por uma pessoa, a nica diferena  que ela no  do sexo masculino...
      Sam riu e disse:
      - Ah, sei! Simples assim?!
      - Por favor, Sam, poderamos conversar como adultos?
      Sam sabia que no adiantaria continuar com aquele tipo de sarcasmo. Ele viera ali para acabar com seu noivado, no para julgar qual a preferncia sexual de
Linda, mas fora um choque, encontr-la com outra pessoa, ainda mais uma mulher. No que ele fosse preconceituoso, tinha amigas lsbicas e amigos gays, mas ele havia
ficado noivo,  iria se casar com aquela mulher!
      - Tudo bem, Linda. Podemos conversar, mas me responda: voc pretendia me contar?
      - Ah, Sam tudo aconteceu to inesperadamente. E claro que iria lhe contar, mas algo assim no se diz pelo telefone, somente queria que as coisas ficassem mais
claras para mim, estou aqui um pouco mais de um dia, queria tempo...
      - Ns no tnhamos tempo, Linda. Minha me j estava providenciando os convites para nosso noivado...  Sam no conseguiu terminar a frase: que graas a ele,
ou melhor, graas a Jessica, com certeza isso j havia sido interrompido, ou pelo menos modificado.
      - Desculpe-me, por favor. Deixe-me tentar explicar, isso tambm no est sendo fcil para mim. Jamais imaginei que me apaixonaria por algum, ainda mais por
uma mulher!
      - Isso me deixa muito satisfeito!  disse Sam com sarcasmo. Era bvio que Linda tambm no o amava, mas precisava saber por que uma mulher como Linda, aceitava
um pedido de casamento sem estar apaixonada  por que aceitou se casar comigo se no me amava?
      Linda relutou, mas preferiu dizer a verdade:
      - Isso talvez no seja fcil de ouvir, mas por seu dinheiro... e tambm no sei a relevncia dessa pergunta, voc tambm no era apaixonado por mim, isso era
mais que bvio!
      - Nisso voc tem razo!  Sam teve que concordar  e como aconteceu? Voc e Mary?
      - Ah, Mary  minha amiga h anos. Voc sabe para o que vim e enquanto nos consolvamos pela morte de Martha, me de Mary, simplesmente aconteceu... Descobrimos
que nos amvamos...
      O que deixou sua ambio em segundo plano. E tambm explicara a ela muitas coisas sobre sua personalidade: o porqu sempre se sentira usada quando estava com
um homem, que no sentia prazer na maioria de suas relaes e que nunca estivera apaixonada de verdade.
      Sam apertou os olhos como era seu costume e respirou fundo algumas vezes, primeiro para se acalmar e segundo para falar o motivo de sua presena:
      - Desculpe minha reao a isso tudo. Eu vim para c... para por um fim em nosso relacionamento, ento no tenho direito de julg-la, mas voc me surpreendeu!
V-la assim, ainda mais com outra mulher, acho que foi um pouco demais para um homem criado numa fazenda...
      Linda parecia no estar surpresa por ele dizer que viera para terminar o noivado, somente perguntou, ignorando o comentrio por t-la encontrado nos braos
de outra:
      -  Jessica, no ?
      Sam sorriu:
      - Fui to obvio assim?
      - Sim, foi. Somos patticos, no  mesmo? Iramos entrar numa relao que nenhum dos dois seria realmente feliz.
      Sam percebeu que Linda parecia uma pessoa diferente, como se encontrar o amor em Mary, a transformasse numa pessoa melhor. Era da mesma forma que ele se sentia.
Compreendeu que no fazia diferena; o amor fosse ele, entre homem e mulher, mulher e mulher ou homem e homem - o que Sam apesar de tentar ter uma mente aberta no
gostava muito de imaginar - era grandioso, inspirador, pacificador e tantas outras qualidades que os poetas usavam para engrandec-lo e que antes ele achava piegas.
        Linda pediu licena e encaminhou-se at o quarto, quando voltou tinha nas mos o anel que Sam lhe dera:
        - Aqui est  e estendeu-lhe o anel. Sam respondeu prontamente:
        - No, no, Linda, ele  seu. Venda-o, guarde-o, faa o que preferir...
        Linda agradeceu efusivamente, apesar de Mary dizer que agora ela sua era responsabilidade, o que a deixara mais encantada ainda pela amante; ela gostaria
de ter um fundo de reserva, caso precisasse. E o anel valia uma pequena fortuna.
        - Se possvel, Sam, gostaria que despachasse minhas coisas.
        - Claro! No haver problema quanto a isso.
        - Obrigada! E j marcou o casamento com Jessica?  Linda no resistiu em perguntar.
      - Sim. Ser daqui a trs semanas.
        - Voc no  um homem de perder tempo, no  mesmo, Sr. Thunderheart?
      - No, no sou mesmo. Antes de ir gostaria de saber se voc precisa de alguma coisa, ou se h algo que posso fazer por voc.
      - No, Sam, estou bem, somente mais um assunto... - Linda relutou antes de completar  antes de partir, ns fizemos amor sem proteo e...
      - Sim, eu sei  Sam usou seu tom mais formal para completar a frase  voc sabe se caso estiver grvida, voc ter meu total apoio, tanto financeiro, como
moral...
      - No, Sam, ns dois temos opinies divergentes quanto a isso... Caso eu esteja grvida, eu no terei o beb...
      - No posso acreditar que estou ouvindo tal coisa!  Sam levantou-se e se afastou de Linda com medo que pudesse sacudi-la, tamanha era sua raiva. Como ele
pode imaginar que aquela mulher tinha se tornado uma pessoa melhor. Ela estava se mostrando exatamente muito pior, isso sim!
      Linda tentou manter a calma e sua voz firme:
      - Eu j sabia que sua reao seria exaltada, mas Sam, voc precisa entender, ns moramos a milhares de quilmetros de distncia e tanto voc, como eu, estamos
comeando uma nova relao e Mary j me disse que no quer ser me, ainda mais de um filho seu  Linda sabia que era um assunto srio, mas no conseguiu deixar de
sorrir ao falar  ela  ciumenta, principalmente em relao a voc!
      - Voc acha mesmo que estou preocupado se sua amante  ciumenta ou no! Voc no matar meu filho, Linda! Voc me ouviu?! Voc no ouse machucar um filho meu!
      Como Sam alterara a voz, Mary voltou  sala e sem dizer uma palavra, somente usando seu olhar mais intimidador, sentou-se ao lado de Linda, mostrando a ele
que se encontrava em desvantagem. Mas nada o demoveria de sua opinio. Para ele, a vida de uma criana, no importava seu estgio de desenvolvimento, era sagrada.
      Mas ele tinha que se acalmar, usar de gritaria e ofensas, ele sabia, no o ajudaria:
      - Tudo bem, Linda. Aceito o fato que voc no esteja preparada para ser me. E tambm tudo isso, so meras hipteses, pois ainda  muito cedo para sabermos
se voc est ou no grvida, mas quero deixar uma coisa bem clara aqui e agora. Voc no tirar essa criana. Voc a dar a mim! Eu terei todos os direitos sobre
ela, voc abrir mo desse beb, para que eu possa lhe dar a vida que voc quer tirar. Estamos entendidos?
      Mary decidiu que era hora de se manifestar e disse em tom de desafio:
      - Voc nem ao menos saber se ela estiver grvida, senhor mando!
      - Olhe, aqui, moa, voc no me conhece! E pode ter certeza que saberei, ah eu saberei!
      Linda sabia que a culpada disso tudo era ela prpria, quando montara todo aquele plano, que agora parecia to fora de propsito, para ter Sam preso a ela de
forma definitiva, atravs de uma criana. Ento seria razovel que ela apaziguasse os nimos concordando com os termos dele:
      - Est certo, Sam, caso eu esteja realmente grvida, eu lhe darei o beb. Tenho certeza que voc e Jess sero excelentes pais, muito melhores que eu e Mary
jamais poderamos ser.
      Sam olhou-a profundamente e pensou se poderia confiar naquela mulher, por fim, mais uma vez sua intuio disse que sim, Linda estava sendo sincera.
      - Certo, ento estamos conversados. Acho que acabamos aqui! Espero que seja feliz em sua escolha, Linda  sabia que estava dando uma alfinetada naquela mulher
que a princpio ele achara belssima e agora a considerava abominvel.
      Linda aproximou-se de Sam e lhe estendeu a mo, falando:
      - Pode confiar em mim, Sam. O que eu prometi aqui, eu cumprirei. Tambm espero que voc seja muito feliz!

      Sam saiu do apartamento transtornado. Como podia ter se enganado tanto em relao  Linda? Como uma mulher no gostaria de ser me? E que tipo de mulher entregaria
seu filho, mesmo que para o pai da criana, de forma to banal?
      Precisava voltar para casa. Precisava voltar para sua famlia, que eram pessoas de bem.
      Precisava voltar para Jessica! Para o aconchego de seus braos, para a doura de seus lbios e pele; para o seu indelvel carter.
      Depois de quase bater o recorde em arrumar sua pequena valise em seu quarto no hotel e acertar a conta, chegou ao aeroporto exausto. Assim que sentou na poltrona
do avio, pediu um scotch e dormiu antes que pudesse terminar o drinque.


      CAPTULO DEZOITO


      Assim como Jessica, sua me no conseguira se conter e haviam contado para todas as pessoas interessadas sobre o noivado.
      A me de Sam no poderia estar mais exultante, preferia mil vezes Jessica como esposa de seu filho, do que a modelo que Sam apresentara a menos de trs dias
atrs.
      Porm Harry Thunderheart no se manifestara; no sabia o que pensar. No sabia o que fizera o filho mudar de idia. Num dia estava de casamento marcado com
uma total estranha, no outro aparecia noivo da vizinha. Vizinha essa que era quinze anos mais nova que ele, fora criada como a uma irm e voltara a vida de Sam
somente a dois dias. Tudo era muito estranho, no podia concordar com aquilo. E agora parecia que estava sozinho nessa opinio, pois at a me de Jess que no dia
anterior, implorara para ele tentar afast-los estava adorando a idia. Tudo bem que seu filho j era um homem feito, mas Jessica ainda no passava de uma menina.
E o que mais o preocupava era que seu instinto de pai, dizia-lhe que os sentimentos de Sam por Jess eram fortes, como ele nunca havia sentindo por ningum. Tambm
sabia que todo o tempo em que o Sam brincara de Don Juan, ele na verdade esperara por ela. Mas os jovens hoje eram to inconstantes! E se o que Jessica sentisse
fosse nada mais que um capricho? Seu filho iria sofrer como nunca e talvez nunca se recuperasse e o que mais ele queria era a felicidade dos seus filhos.
      Gordon Bradley era a pessoa mais feliz de todas. Ele que era sempre to calado, sempre deixando que a me de Jessica cuidasse da filha sem tentar se intrometer,
achou que j era hora de a menina ter se declarado, pois ele podia ser quase mudo em relao  criao da filha, mas no era cego. Ele vira o amor de Jessica por
Sam nascer e florescer, sem que as pessoas se dessem conta do fato. Mas ele sabia: se Jess queria Sam, ela o teria, somente seria uma questo de tempo. Aquela era
sua garota!
      A Sra. Mavis chorou feito uma criana, contando a novidade para todos que encontrava, tal era sua felicidade. Dera-se at o direito de abraar o patro, que
foi quem lhe dera a boa notcia.
      Mia simplesmente deixou o ateli aos cuidados de seus funcionrios e correu para casa para saber de todos os detalhes, de todos mesmo, at os mais srdidos.
E Jess como sua melhor amiga, no a poupou de nenhum. A ponto de Mia ter que pedir que ela parasse, pois estavam falando de seu irmo!

      Depois de algumas horas de sono reparador, Sam acordou e a primeira coisa que fez foi ligar para Jess para dizer a hora que seu vo pousaria em Dallas.
      Ouvir-lhe a voz, sentir sua alegria e seu pedido tmido de desculpas, pois todos j sabiam sobre o noivado; era reconfortante. Queria por os olhos em Jessica
e saber que no seu mundo estava tudo bem e esquecer a ltima cena que tivera com Linda. Tinha que acreditar que sua intuio estava certa, que caso Linda estivesse
grvida, ela lhe daria o beb! No queria mais pensar nesse assunto, at ter certeza sobre o estado de Linda.
      Chegou ao aeroporto, certo que somente Gmez o esperaria, mas qual no foi sua surpresa ao ver toda a sua famlia e a de Jess ali.
      Abriu um sorriso e viu o lado mais travesso de Jess entrar em ao, ela correu at ele e pulou no seu colo, enlaando as pernas que ele tanto amava em sua
cintura, cobrindo-o de beijos, dando a todos no aeroporto um espetculo e tanto. Mas ele no se importava mais, ele somente queria ser feliz!
      E ela falou apertando-o quase o sufocando:
      - J estava com saudades! Eu no consigo mais pensar em ficar longe de voc!
      - Eu tambm estava com saudades de voc, moleca!  Sam abaixou-a at o cho.
      Todos se aproximaram cumprimentando-o efusivamente. Sam notou que seu pai era o mais controlado e mais distante, como se algo o preocupasse. Notou tambm que
ningum perguntou como havia sido com Linda, pensou por fim, seu casamento com Linda no havia sido to bem aceito como ele imaginara.
      Sam queria conversar com Jess sobre a provvel gravidez de Linda, a ss, mas ele percebeu que no seria possvel naquele dia, onde todos falavam ao mesmo tempo
e estavam to felizes. Ele decidiu esquecer o assunto por hora e se deixar envolver pela alegria contagiante, apesar do cansao.
      Chegaram ao apartamento de Sam e o almoo j estava servido. Ele estava tonto de sono, era o fuso horrio e a correria cobrando seus efeitos, mas todos estavam
to empolgados, sentados em sua mesa de jantar, conversando sobre o casamento, brindando, que ele deixou sua fadiga de lado. Quase no fim do almoo o pai de Sam
perguntou inocente:
      - Vocs j decidiram onde vo morar, depois de casados?  bem no era uma pergunta to inocente assim, pois ele j imaginava a resposta.
      E Sam e Jess responderam juntos:
      - Aqui, em Dallas.
      - Em Carlson.
      E os dois olharam-se espantados. E a conversa animada cessou. Todos olhando os noivos, esperando uma reao, por fim Jessica falou:
      - Eu no posso morar aqui...
      Sam levantou-se e pediu:
      - Jess, venha comigo, por favor. Com licena  sem dizer mais uma palavra conduziu Jessica at a sala branca.
      Fechou a porta e sentaram-se em um dos sofs. Ele comeou:
      - Bem, isso foi uma surpresa para mim. Mas tenho certeza que voc entender que no poderemos morar em Carlson, meu trabalho, minha casa esto aqui.
      - E eu tambm no posso abandonar minha casa, meu trabalho...
      - Voc no trabalha! Nem terminou sua faculdade. Creio que voc possa comear sua vida em qualquer lugar.
      - Por que eu tenho que comear minha vida em outro lugar? Eu cresci sabendo o que queria. Minha vida  no haras de meu pai, com meus cavalos. Ou em qualquer
outro lugar onde eu possa estar em contato com esses animais  Jess parecia inconsolvel  voc mais do que ningum sempre soube o que eu queria para mim, achei
que voc entenderia... E eu no gosto de morar aqui, meu lugar no  aqui  a voz de Jess j havia se alterado.
      - Por favor, fale baixo, ningum precisa saber o que estamos discutindo.
      - Todos sabem sobre o que estamos discutindo aqui!  ela se levantou e se afastou, dirigindo-se a janela.
      - Jess, eu no posso deixar tudo o que eu constru aqui, somente porque voc quer...
      - Voc j trabalhou no haras antes, pode simplesmente transferir seus negcios de novo para l.
      - No, no posso. Tudo  diferente agora. No so somente os cavalos ou o gado, h o petrleo. O centro de todas as minhas atividades est aqui em Dallas.
Pessoas perderiam seus empregos. Eu perderia clientes. Minha casa  aqui!
      - No, tudo bem, eu j entendi! J que eu vou ser a esposinha, eu que mude toda minha vida para me encaixar na sua. Mas fique sabendo Sr. Thunderheart, que
eu no mudarei minha vida por ningum, nem por voc!  e completou chorando  eu achei que voc seria o nico homem que no tentaria mudar-me, pois me conhece melhor
que qualquer outra pessoa, mas eu me enganei... Deixei-me cegar pelo amor que sinto...
      Jessica saiu da sala chorando, passando pelas famlias, como se elas no estivessem ali. Mia tentou segui-la, mas sua me a impediu. Saiu pelas portas, deixando-as
abertas e apertou o boto para chamar o elevador, vrias vezes, como se isso o fizesse subir mais rpido.
      Sam ficou to desnorteado com tudo aquilo e ao mesmo tempo to nervoso, afinal ele tinha uma empresa multimilionria para dirigir e simplesmente no podia
jogar tudo para cima como se fosse uma brincadeira, por um capricho de menina. Depois de alguns segundos de hesitao, ele a seguiu:
      - Jessica!  ele chamou  Jessica!  seu tom de voz no era amistoso.
      Ela no se virou, nem o olhou e mesmo sabendo que todos poderiam escut-lo, ele completou:
      - Eu j havia imaginado que uma hora ou outra, eu iria ter que enfrentar os caprichos e mimos de uma adolescente, mas no imaginei que seria to rpido!
      Ela virou-se exasperada, mas no o olhou. Seus olhos procuraram por sua me e disse entre as lgrimas:
      - Mame, estou voltando para o haras ainda hoje. E gostaria de desculpar-me com todos, pois no haver mais casamento algum.
      Terminado a frase, ela entrou no elevador que j se encontrava no andar. Sam no a seguiu, virou-se e disse exacerbado:
      - Estou cansado demais para lidar com infantilidades agora.  e saiu batendo os ps para seu quarto, sem notar que tambm estava agindo como um garoto.
      Todos se entreolharam e perguntando-se silenciosamente o que eles poderiam fazer para consertar aquilo. Como se houvesse escutado a pergunta, o Sr. Harry Thunderheart,
respondeu:
      - No podemos fazer nada agora. Desculpem-me o que vou dizer, mas em minha opinio, foi melhor assim. Estava indo tudo rpido demais.
      - Mas Harry, eles se amam e se conhecem h vinte anos  defendeu o calado Sr. Bradley.
      - Eu sei Gordon, no h como negar o que eles sentem um pelo outro, mas a verdade  que eles no se conhecem realmente. Sam sempre enxergou Jessica como a
uma irm e Jess sempre o viu como um deus. Isso no so os sentimentos corretos para uma unio duradoura como eles estavam planejando.
      - O que voc quer dizer  que voc no concorda com esse casamento, Harry?  o pai de Jessica no estava gostando do tom do amigo.
      - No, Gordon, no  isso, de jeito nenhum. Eu adoro Jessica, voc sabe disso e sei que um dia ela ser uma excelente esposa, mas...
      - Acho melhor voc no completar essa frase...  Gordon j havia se levantado da cadeira, com um olhar ameaador.
      - Eu posso completar a frase, sim, amigo, pois por mais que sua imaginao frtil sugira que eu possa dizer qualquer bobagem como: Jessica no serve para meu
filho, no passou nem perto do que eu iria falar. A minha opinio  que eles precisam de mais tempo, um tempo maior de namoro, convvio como um casal, para depois
pensar em casamento...
      - Eu sei que tem mais coisa a, Harry. Ento desembuche, homem!
      - Eu somente acho que Jess  menina demais para casar. Simplesmente ela pode acordar um dia e ver que Sam, no  o homem com que gostaria de viver o resto
de seus dias e...
      E todos comearam a contestar ao mesmo tempo:
      A me de Jess dizia que sua filha era muito madura para a idade, que ela no era nenhuma deslumbrada, sempre soubera o que queria...
      A me de Sam dizia que seu marido estava enganado. Que ela havia casado com ele quando tinha a idade de Jessica e que o casamento deles havia dado muito certo,
que era feliz e amava o marido at hoje...
      Mia olhava a tudo transtornada demais para poder sequer abrir a boca, nunca vira os pais discutindo com os Bradley por nada. Eles eram amigos a sculos...
      Gordon dizia que sua filha amava Sam desde sempre e que no era agora que ela iria descobrir que seu amor no passava de um capricho adolescente. E que ela
era responsvel, uma moa de famlia, enquanto Sam era um conquistador, quase um pervertido, que trocava de namoradas como se trocava de cuecas e era ele que teria
que se preocupar se sua filha iria ser feliz com um homem como aquele que tinha uma lista de mulheres em seu currculo...
      Harry Thunderheart se sentiu ofendido com as palavras de seu amigo e j estava avanando sobre Gordon, quando ouviu a voz do filho, alta e clara, com toda
a autoridade que havia adquirido durante os anos:
      - Quietos! Todos vocs! O que est acontecendo aqui? O que  que h com vocs?
      Quando eles estavam tentando explicar-lhe, ele ergueu a mo e continuou:
      - Eu ouvi o que vocs estavam falando, no preciso desse tipo de explicao. Mas ser que vocs no vem o que est acontecendo. Vocs no podem discutir dessa
forma, por algo que nem ao menos lhes dizem respeito...
      Quando eles tentaram protestar, Sam continuou mais firme:
      - Sim, no diz respeito a nenhum de vocs, apesar de vocs serem nossos pais. Eu vou fingir que no ouvi alguns dos absurdos que vocs falaram em respeito
a vocs, pai e me e a vocs, que sero meu sogro e minha sogra. Eu e Jess iremos nos acertar. E somente para ficarem cientes: eu amo Jess e ela me ama e nada 
Sam olhou para seu pai  e nem ningum me impedir de t-la como minha esposa. Agora se vocs no se importam, eu gostaria de descansar...
      Todos constrangidos por estarem tendo aquele tipo de discrdia, depois de anos de amizade slida, foram se retirando da casa de Sam pedindo desculpas:
      - Desculpe-me, Harry, eu no suporto ver minha filha daquele jeito, acabei me descontrolando.
      - Tambm me desculpe, Gordon, eu tambm estava preocupado com Sam. Eu sei que ele a ama e que... Deixa para l amigo, venha c e me d um abrao.
      Os homens se abraaram e disseram que era melhor mesmo deixar que os dois resolvessem aquela questo e Harry prometeu que no iria mais se intrometer, ficaria
feliz de ter uma nora como Jess.
      As mulheres que haviam concordado com o casamento desde o incio, no entendiam at agora como aquela discusso havia comeado.
      Por fim, o pai de Jess pegou seu chapu e falou a esposa:
      - Melhor irmos embora agora, Joyce. Conversaremos com Jessica em casa.
      - Mas nem sabemos para onde ela foi  se sentindo pssima por ter ficado ali, discutindo com aqueles dois cabeas duras e no ter ido atrs de sua filha que
estaria precisando tanto de seu conforto.
      - Ela deve estar em meu apartamento, tia.  falou Mia pela primeira vez desde que comeara a discusso - Ela no trouxe a mala dela para cima, somente algumas
roupas. Eu os levo at l.

      Sam deitou-se em sua cama. Mal encostou a cabea em seu travesseiro, pde sentir o cheiro de Jessica.
      Isso no podia estar acontecendo. Primeiro a sada de Jessica de seu apartamento daquela forma, depois a briga de seus pais com seus tios. Nada parecia estar
dando certo. Tambm havia a suspeita da gravidez de Linda. E o que aconteceria quando contasse isso a Jess? Como ser que ela reagiria?
      Seus olhos estavam pesados, ele estava exausto. Mas somente conseguia imaginar que ela passara a noite ali, aninhada com seu travesseiro, enrolada em seus
lenis. E como um menino apaixonado, sonhando com seu primeiro amor, ele se agarrou ao travesseiro e exalou profundamente o perfume da nica mulher que ele verdadeiramente
comeara a amar. E acabou adormecendo assim, agarrado ao perfume que era somente dela.

      Depois que os pais a encontraram aos prantos no apartamento de Mia. Ela exigiu que fossem embora o mais rpido possvel, o pai telefonou para o hangar onde
guardava o helicptero ali na cidade e pediu para o piloto ficar preparado que eles estariam no heliporto dentro de uma hora.
      Jessica sentia seu corao despedaado em partes to pequenas que imaginou que jamais conseguiria junt-lo novamente. Seu corpo doa como se houvesse levado
uma surra. Todo o amor que ela havia idealizado, toda a vida que ela havia imaginado ao lado do nico homem que amara estavam acabados. Ela realmente no conhecia
Sam. Em seus sonhos, Sam era perfeito, aquele que a amaria acima de tudo, que a compreenderia e concordaria com suas idias, sem trat-la com a uma adolescente mimada,
ou uma mulher bonita sem crebro. A vida toda teve que lutar contra isso e Sam sempre estivera ao seu lado dando-lhe apoio, ensinando-a a ser melhor a cada dia naquilo
que ela nascera para fazer. Cuidar de cavalos. Agora que os dois tinham por fim, assumido seu amor, a unio no era possvel.



      CAPTULO DEZENOVE


      A semana passou lenta, angustiante para Jessica, ela emagrecera, no sentira mais prazer em cuidar dos cavalos, pois o estbulo e seu cheiro; lembravam-lhe
Sam.
      Os pais decidiram que no iriam se intrometer mais e resolveram no contar a Jessica a briga que tiveram com os Thunderheart e nem as palavras de Sam. Aquilo
teria que ser resolvido pelos dois, somente por eles.
       Tudo o lembrava! No, o problema  que no o esquecia nem por um minuto sequer, mas ali, no meio dos cavalos, tudo era mais difcil.
      Achou que com suas cavalgadas, conseguiriam clarear sua mente, mas no dava para aproximar-se do estbulo e no pensar em Sam, simplesmente no dava.
      Esperara ansiosa uma ligao de Sam durante toda a semana. Ele tinha que mudar de idia e ver que ela estava certa, bem isso foi na segunda-feira, pois conforme
os dias iam passando ela mudava gradativamente de opinio, mas como ela, talvez, fosse mais orgulhosa que o homem que escolhera como companheiro de uma vida, queria
que ele tomasse a iniciativa.
      Na sexta-feira no teve foras para sair de seu quarto, queria ficar ali, at a dor passar, at a vida passar e ela no ter mais que pensar, que sentir.
      A me tentou persuadi-la sem sucesso, a Sra. Mavis fez seus pratos prediletos, mas ela no quis nem ao menos v-los. No queria mais nada, somente queria Sam.
      Usou o sono como fuga e viu o dia passar, entre um pesadelo e outro. Ela ouviu seu celular tocar, mas no queria atender, no queria falar com ningum. Mas
quando olhou o nome na tela, seu corao disparou. Era Sam. Depois da semana inteira esperanosa, ele finalmente estava ligando. Ela no devia atender, mas desde
quando ela ouvia a voz da razo e no de seu corao?
      E ela escutou a voz forte, mscula do outro lado:
      - Venha at o estbulo.
      No era um pedido, ou uma pergunta. Era uma ordem.
      Quem ele pensava que era para depois de tudo, tentar mand-la fazer alguma coisa?! Mas no conseguiu responder antes que ele interrompesse a ligao. Ela iria
ligar-lhe e dizer-lhe que no. Pronto. Mas j estava no closet, vestindo a cala, as botas e uma camisa de flanela larga, olhou para o relgio sobre seu criado-mudo
e viu que j passavam das duas da manh.
      Sam estava em seu estbulo s duas da manh?
      Parou por um momento e achou que tivesse sonhado sobre a ligao, pegou seu celular e olhou as ligaes recebidas e l estava a de Sam. Bem, no fora sonho.
       Saiu devagar do quarto, desceu as escadas, saiu pela porta da cozinha e encaminhou-se para o estbulo. Seu corao dava pulos dentro do peito, seus passos
eram incertos, trpegos, pois sentia todo seu corpo tremer, mesmo assim ela seguiu a trilha iluminada que a levava at o estbulo. At Sam!
      A porta estava aberta e algumas luzes noturnas estavam acesas. Mesmo acostumada com o cheiro to caracterstico daquele lugar desde que nascera; sempre o aspirava
profundamente quando entrava ali. E todas s vezes, quando o odor invadia seus pulmes, um sorriso surgia em seus lbios. Havia o cheiro dos animais, misturados
ao do feno, do couro, da pomada que lustrava os cascos. E sempre a lembrana daquela noite, de h cinco anos atrs, surgia em sua mente. E quando mais uma vez, a
lembrana a golpeou, pois era sempre um golpe em seu corpo e alma; ela soube: nada era mais importante do que Sam. Ela poderia ser feliz cuidando de seus cavalos,
mas nunca o seria inteiramente sem Sam.
      Entrou devagar pisando levemente, o cho que brilhava, para que os saltos de sua bota no ecoassem pelo salo deserto, somente ocupado agora pelos animais
em suas baias. O local era sempre imaculadamente limpo, graas  competncia da equipe de seu pai. Quando j estava a ponto de chamar por Sam, sentiu-o, sem precisar
escut-lo ou v-lo, aproximando-se as suas costas. Seus braos a enlaaram pela cintura e seu rosto encaixou-se na curva entre seu ombro e pescoo, ele inalou seu
perfume e falou com voz rouca:
      - Eu nunca esqueci seu cheiro! Nesses cinco anos, era ele que trazia meus pensamentos para c.   ele a virou olhando-a profundamente, tentando alcanar sua
alma com o olhar e com suas palavras, ele continuou - Eu fui marcado a fogo naquele dia, Jess. E a marca dizia que voc me pertencia e eu pertencia a voc. Por isso
eu fugi, por isso eu no podia mais v-la. No era certo, naquela poca. Voc era to jovem, ainda , mas agora nada  mais certo do que estar ao seu lado! No d
mais para voltar atrs, eu no consigo mais ficar sem voc, sem sentir esse seu cheiro, saborear seu gosto. Diga, Jess, diga que ainda vai se casar comigo...
      Jessica o ouviu com lgrimas nos olhos. Esse era seu Sam! Doce, apaixonado, verdadeiro! Mas mesmo assim se declarando com todo seu corao, ele ainda no havia
dito que a amava, ela sabia que essa era uma declarao de amor, mas precisava ouvir as palavras certas:
      - Eu no posso me casar com voc  e ela viu nos olhos de Sam toda  tristeza que sua frase causou e antes dela poder se justificar, ele disse:
      - Sim, voc pode, eu no me importo onde moraremos desde que seja com voc. Posso vir e ir a Dallas, quantas vezes for preciso...
      - No, no  por isso. Voc  ela deu uma pausa significativa e tambm para segurar o sorriso que se formava e tentou dizer de forma dramtica  voc no...
no disse que me ama...
      Uma expresso de puro alvio e contentamento apareceu no semblante daquele homem de trinta e cinco anos que tivera muitas mulheres, mas que a vida inteira
amara somente aquela menina e ele falou apertando-a forte em seus braos:
      - Eu achei que isso j estivesse claro!  claro que te amo.  e levantando-a no ar, disse antes de beij-la com paixo  eu te amo, te amo, muito, muito!
      O beijo apaixonado continha ternura, amor, saudade. Jessica pediu ofegante, entre os lbios de Sam:
      - Me ame, Sam...
      - No, aqui, no  ele sabia que no poderia ser ali, j eram quase trs horas da manh e ele sabia que as atividades do haras comeavam cedo, mesmo aos sbados.
E eles j haviam sido pegos em situaes embaraosas mais de uma vez, dessa vez ele no queria ser flagrado, mas a necessidade de ter Jess era imensa, onde poderiam
ir?
      - Ento  falou ela, sem deixar de beij-lo  vamos para meu quarto.
      Sam titubeou:
      - Tambm no acho uma boa idia.
      - Por favor  falou com voz cheia de desejo  ningum nos encontrar l.
      Bem, se ele no tomasse uma deciso logo, com certeza a tomaria ali, no cho do estbulo, tal era sua excitao, sua saudade. Acabou concordando que o quarto
dela era uma melhor opo em comparao ao cho daquele lugar.
      Foram eles, parando de tempo em tempo para beijarem-se e acariciarem-se durante o curto caminho at a casa principal.

      Chegaram ao quarto de Jess, como dois adolescentes se escondendo dos pais, furtivamente. Mas Jessica mal teve tempo de virar a chave para trancar o quarto,
para cair novamente nos braos de Sam.
      No houve sutilezas. Beijavam-se com sofreguido. Sedentos um do outro, como se tivessem separados h milnios. As roupas foram arrancadas a caminho da cama,
mos apressadas e desajeitadas, despiam-se mutuamente.
      Chegaram  cama j nus, Sam deitou-se primeiro e trouxe Jessica consigo.
      As mos agora percorriam os corpos sem barreiras, os gemidos saiam de ambas as bocas, palavras desconexas eram pronunciadas, mas eles se entendiam, se completavam.
E quando Sam abaixou a cabea para beijar-lhe os seios, Jessica o impediu:
      - No, eu preciso de voc dentro de mim  e encaminhou-o com perfeio at seu recanto mais ntimo que j estava molhado e quente.
      Ao ser envolvido pela mo de Jessica, Sam pensou que o ato seria arruinado, pois achou que no conseguiria se segurar, tal o grau de sua excitao, mas nada
se equiparou ao sentir a profundidade efervescente daquela mulher. Foi obrigado a usar de todo seu controle, para no gritar e jorrar dentro dela, pois no tinha
nada mais satisfatrio e excitante para um homem do que sentir a mulher amada, chegar a um orgasmo, pelo simples fato de penetr-la e foi isso que aconteceu a Jess,
bastou Sam chegar ao seu mago, para que seu corpo tivesse espasmos de prazer. E quando Sam olhou-a naquele momento sublime, ele pronunciou enlevado:
      - Nossa!
      - O qu?  perguntou Jessica com a voz macia e falhada.
      - Voc... voc  gostosa demais!
      Ela sorriu.
      E ele enlaou-a pela cintura e sem sair de dentro dela, virou o corpo para que ela pudesse ficar em cima dele e pediu:
      - Cavalgue Jessica! Conduza-me para longe!
      Jessica comeou a movimentar-se. Primeiro devagar, quase relutante, debruada sobre ele com suas mos ao lado de sua cabea, mas aos poucos se deixou dominar
pelo desejo, ergueu o corpo e movia-se agora rapidamente, sentia-se livre, como se estivesse cavalgando um de seus cavalos sobre o prado, com o vento em seus cabelos,
mas isso era muito mais prazeroso, muito mais...
      Sam olhava-a deliciado, essa era uma de suas mais freqentes fantasias com Jessica, senti-la sobre ele, conduzindo-o ao prazer, livre e louca de paixo. Levou
as mos dela at seus seios, agarrando-a pelo quadril e pediu com voz embargada de luxria:
      - Acaricie-se para mim.  e quando Jessica comeou a massagear com o polegar seu mamilo intumescido, ele no agentou:
      - Oh, Deus... Jess... voc precisa vir agora... eu no consigo mais... me segurar...
      E Jessica em toda sua vida, nem quando domara cavalos chucros, nunca, mas nunca havia se sentindo to poderosa como naquele momento. E pediu, no, ela ordenou:
      - Olhe para mim, Sam, olhe para mim...
      E os olhos dos dois se encontraram, viram o momento exato e grandioso quando alcanaram em unssono o patamar mais alto da satisfao humana, o xtase completo,
onde existia todos os sentimentos bons que uniam um casal; amor, teso, companheirismo, respeito, unio, conhecimento; e sabiam que dali em diante, nada mais nem
ningum os separariam.

      Jessica caiu sobre o corpo de Sam totalmente extenuada, com a respirao ofegante, o corpo com gotculas de suor.
      Ele parecia ter perdido a noo de onde estava. Seu corpo parecia formigar, nunca em toda sua vida havia alcanado um xtase assim, to completo. Sentiu suas
mos soltando os quadris de Jessica devagar e percebeu que havia colocado ali um pouco mais de fora do que deveria, tentou perguntar se a machucara, mas sua voz
no saiu, pigarreou e perguntou com voz rouca:
      - Te machuquei?
      - No, acho que no. Quando eu conseguir me mexer eu te respondo.  e ela sorriu levemente, pois era impossvel sequer dar uma sonora risada.
      E sem que percebessem, adormeceram. Jessica escorregou para o lado de Sam e o abraou. Durante o restante da noite, dormiram e acordaram nos braos um do outro
e provaram mais algumas vezes o prazer de estarem juntos. E quando finalmente adormeceram para valer, o sol j havia despertado, mas eles no sabiam precisar a quanto
tempo.

      Sam ouviu bem longe o murmurar de vozes e pensou que deveria ser a Sra. Bishop conversando com uma das arrumadeiras. Aconchegou-se mais em Jessica e decidiu
dormir mais um pouco, afinal as noites daquela semana haviam sido pssimas...
      Aconchegar-se em Jessica?! Jessica! Estou no quarto dela!
      Mas as aes de Sam no foram to rpidas quanto seus pensamentos, pois metade de seu crebro, principalmente o de locomoo, ainda estava adormecido e antes
que pudesse pensar em se mexer a porta do quarto se abriu e ele viu, no um, mas trs rostos transtornados, olhando-o surpresos.
      E por algum motivo bizarro da natureza, a nica coisa que cobria sua nudez total era uma perna de Jess que estava sob seu quadril, os lenis estavam em completo
desalinho e embolados aos ps da cama. Deixando-os assim, totalmente expostos.
      Depois de todos aqueles anos em que tivera casos e feito sexo em lugares s vezes no to privados, Sam se sentia pela primeira vez realmente exposto. Talvez,
pensou, fosse sua sina ser pego com Jess nesses momentos, pois essa era terceira vez que eram surpreendidos. E dessa vez, no era somente uma me, que supostamente
eram mais tolerantes por natureza, mas um pai com olhar fulminante e uma bab que cuidara de Jess como se fosse sua prpria progenitora.
      Bem, teria que lidar com os trs de uma vez e teria que ser rpido, pois Jessica sem saber o que ocorria, j comeava a acordar e a se insinuar languidamente.
E sem saber ao certo o que fazer ou dizer, falou:
      - Bom dia, tio, tia, Sra. Mavis.
      Jessica como acordada por um tiro, quis se mexer, mas Sam segurou sua perna onde estava e murmurou:
      - Por favor, no se mexa...
      O primeiro a ter uma reao, foi Gordon Bradley:
      - Vocs duas  dirigindo-se a esposa e a empregada  no fiquem assim de boca aberta, saiam e arrumem o que fazer.  virou as mulheres para a porta e as empurrou
para fora do quarto, depois falou ainda de costas  e voc Sr. Thunderheart, o espero vestido em meu escritrio, sozinho!
      E saiu fechando a porta atrs de si, com um meio sorriso no rosto.
      Sem conseguir se conter Jessica caiu numa gargalhada. Enquanto Sam dizia:
      - No tem graa, pare de rir!  mas ele tambm j tinha um sorriso no rosto e continuou  achei que voc tivesse trancado a porta...
      - Mas eu tranquei  falou ela entre uma risada e outra.
      - No, acho que no!  falou Sam zombeteiro se desvencilhando de Jess e recolhendo suas roupas espalhadas pelo quarto  de agora em diante teremos que ter
mais cuidado, no estou a fim que ningum mais nos veja nus.

      Sam conversou com o Sr. Bradley em seu escritrio e para sua surpresa, o homem estava de timo humor, at gracejou com o fato de t-lo visto como viera ao
mundo. O que no deixou Sam muito a vontade, mas o que ele poderia fazer? Seu futuro sogro realmente o vira pelado!
      Claro que a data do casamento foi fixada para dali a trs semanas, decidiram que seria um desperdcio ter uma festa de noivado e mesmo sem o consentimento
das mulheres decidiram que no a fariam. Tio Gordon foi encarregado de dar a notcia, tirando assim dos ombros de Sam o fardo de ser recriminado. Eles conheciam
melhor que ningum as mulheres daquelas famlias. E elas adoravam organizar festas!


      CAPTULO VINTE


      Jessica, para espanto de seus pais, decidiu passar as semanas que faltavam para o casamento, em Dallas, no apartamento de Sam.
      Sua me no gostou muito, afinal eles teriam muito tempo para ficarem juntos depois e eram as ltimas semanas com sua filha e tambm, era melhor eles manterem
as aparncias, j que iriam se casar, no custava esperarem um pouco mais.
      Mas como sempre Jess estava decidida, no queria mais ficar longe de Sam. Disse  me que faria marcao cerrada, j que todos o considerava um conquistador,
ela no poderia deixar um homem daquele, numa cidade cheia de lugares tentadores. Mas ela confiava em Sam, sabia que ele jamais a trairia, mas a histria foi perfeita
para convencer sua me!
      Partiram para Dallas no domingo, deixando ao encargo das mes a realizao da festa de casamento. Jessica no queria saber de nada. Ela escolheria somente
o vestido, o mais fcil, pois seria Mia que o confeccionaria. Ela nem precisaria sair de casa para as provas, pois Mia o estava fazendo em seu apartamento.
      Assim que chegaram, Sam fez questo de comprar para Jess um lindo anel de noivado. Sabendo que ela era discreta em relao a jias, ele preferiu que ela escolhesse.
Optou por um anel de ouro branco, com uma safira em forma de losango no meio e uma fileira de pequenos diamantes, cercava a safira pelos dois lados. Fora paixo
a primeira vista!
      Sam, tambm, mandou confeccionar as alianas em ouro e mandou grav-las com a mensagem: Minha e Meu para sempre internamente. Jess adorava quando Sam bancava
o romntico!
      As semanas seguintes passaram voando.
      Sam contara a Jessica sobre a provvel gravidez de Linda, a principio o cime e toda aquela falta de experincia de vida, criancice mesmo, dera a Sam um trabalho
hercleo para conseguir convencer Jess que ela era  mulher de sua vida.
      A partir da, eles no poderiam estar mais felizes. Sam trabalhava durante o dia e ficava ansioso em saber que Jess o esperava, sempre com uma surpresa, 
noite. Jantares romnticos! Banhos de imerso com sais perfumados e velas! Recadinhos espelhados pela casa, indicando como a um mapa do tesouro onde ele a encontraria!
Passeios pela cidade, alguns comuns, outros inusitados! Muitos banhos de piscina! Almoos surpresas! Entrega de mensagens romnticas no escritrio; bem, isso Sam
no gostara muito! E faziam amor, muito amor!
      Voltaram trs dias antes para o casamento, a os familiares insistiram para que no se encontrassem, pelo menos no sentido bblico, para que a noite de npcias
fosse perfeita!
      Mas claro que foram pegos, dessa vez pelos pais de Sam. Estavam se beijando alucinadamente sobre a mesa da copa da Sra. Claire. A me de Sam, uma mulher delicada
e discreta por natureza, no conseguiu mais olhar para o filho at a hora do casamento. E pediu para o marido que depois que os cnjuges voltassem da lua-de-mel,
ela preferiria ficar na edcula da propriedade, que na verdade era uma casa mobiliada com muito bom gosto pela prpria Sra. Claire, com seis cmodos. Uma sala de
jantar, com uma mesa de oito lugares; uma de sala de estar com um sistema completo de home theater; cozinha americana; duas sutes, com banheira e closets imensos
e um lavabo. Estariam muito bem instalados. A casa, proferiu ela, ficaria para as atividades conjugais das crianas.
      Mas Jess e Sam resolveram estabelecer residncia em Dallas. Apesar de Sam insistir que poderiam morar no haras Thunderheart ou Bradley, ou ele at mesmo compraria
um haras  prximo a Universidade que ela cursava ou ainda onde ela quisesse. Mas ela reconheceu que seria mais fcil para ele controlar as empresas do escritrio
em Dallas. Ento ela transferiu seu curso para Dallas e sabia que teria seus cavalos todos os finais de semana ou qualquer dia que quisesse, era s usar o helicptero.
Ela sabia tambm que morar em Dallas, perto de seus pais e sogros teria suas vantagens, afinal ela no havia contado todas as novidades ainda... E mais, ela foi
categrica, jamais iriam se desfazer do apartamento, pois aquela piscina lhe trazia as melhores lembranas!



      CAPTULO VINTE E UM


      O casamento foi o acontecimento do ano.
      At os prefeitos da cidade de Dallas e Carlson compareceram. Mais a surpresa mesmo, foi  presena de Linda com sua companheira, trazendo a Sam o exame de
sangue, comprovando que ela no havia ficado grvida.
      Sam no sabia se ficava aliviado ou triste, afinal estava comeando uma nova vida com Jessica e no saberia dizer se um filho de outra mulher atrapalharia
ou no, apesar dela afirmar, depois de ter esclarecido que no se importava de criar um filho de Sam, mesmo sendo de outra mulher, o que a incomodava eram as imagens
que seu crebro fazia de
Sam com Linda na cama. Mas pareceu a Sam que ela tambm ficara aliviada com a notcia.
      O Haras Bradley estava deslumbrante. Luzes e flores estavam por toda a rea externa, prxima  piscina; no jardim uma tenda para a cerimnia, que parecia um
jardim mgico, com todas as luzinhas como vaga-lumes e flores perfumadas e plantas que escondiam, com certeza, a rainha e o rei das fadas. Havia tambm, a boa msica;
um chef renomado que prepara o cardpio; servio completo com manobristas, garons, at costureiras, cabeleireiros e maquiadores a disposio das convidadas; os
noivos e convidados estavam extasiados com o maravilhoso trabalho que as senhoras realizaram.
      Jessica estava maravilhosa. Seu vestido todo branco de seda pura, era sem brilhos ou adornos. Ele era a cpia perfeita do vestido que Jessica usara no seu
dcimo quinto aniversrio, a pedido de Sam.  Porm ela no usava luvas e seus cabelos estavam soltos, com os cachos bem feitos quase alcanando sua cintura. No pescoo,
um colar em ouro branco, com uma pequena safira e diamantes para combinar com o anel, presente do noivo e carregava um simples buqu redondo de rosas vermelhas.
Mas o que mais brilhava em Jessica eram seus olhos, ningum poderia sequer questionar sua felicidade. Estava ali, estampada em sua face, para todos verem. Ela resplandecia!
      Sam por sua vez, tambm no poderia estar mais soberbo. Vestia um terno azul claro de vero, com camisa branca e gravata de um tom de azul mais escuro. Nos
pulsos estavam s abotoadoras de ouro com suas inicias em diamante, presente da noiva. E tambm, trazia a felicidade imprimida em cada trao de seu rosto. No haveria
no estado do Texas, homem mais afortunado do que ele. Estava casando com o primeiro e nico amor de sua vida!
      No houve uma pessoa que tenha ficado insensvel com tamanha demonstrao de sentimento. A cerimnia foi belssima e o amor dos noivos, assim como, a verdadeira
amizade entre as famlias, contagiou os convidados.
      O casamento seria comentado por dcadas, como exemplo de verdadeiro amor.


      CAPTULO VINTE E DOIS


      Eles estavam abraados, na varanda do hotel, olhando para o imenso mar azul do Caribe, testemunhando um magnfico por do sol. J haviam feito amor e desfrutado
do melhor camaro frito j comido por eles. Jessica olhando os raios solares, que transformavam o azul do mar em um laranja esfuziante, encostara-se ao peito de
seu amado, sentindo suas mos em volta de sua cintura e seu queixo apoiado em sua cabea, resolveu que essa era a hora perfeita para sua revelao. Pegou as mos
de Sam e cobriu sua barriga, fazendo as mos dele lhe acariciarem o ventre:
      - J?  perguntou Sam malicioso  achei que a tivesse saciado agora a pouco, seus gritos comprovaram isso.
      Ela riu e se virou em seu abrao e o encarou ainda sorrindo:
      - Jamais ficarei completamente saciada de voc  ergue-se nas pontas dos ps e lhe deu um leve beijo nos lbios e continuou  mas no  isso, gostaria que
me respondesse como se sente acariciando seu filho?
      Sam estancou, seus olhos arregalaram-se e quando finalmente as palavras de Jessica lhe foram devidamente processadas por seu crebro. Ele a levantou no ar
e a rodou, pensando que talvez no fosse certo, uma pessoa ser to feliz e realizada assim.


      EPLOGO


      Jessica estava olhando-se no espelho de seu espaoso closet no Haras Thunderheart-Bradley, terminando de fechar o zper de seu vestido, pensando que os anos
haviam sido bondosos para com ela. Continuava uma mulher bonita, apesar de seus quarenta e cinco anos, para dizer a verdade gostava mais de si agora.
      Seus cabelos estavam mais curtos, mas no muito, pois Sam os adorava compridos. Tinha alguns fios prateados adornando os cachos, que a deixava com um ar mais
sofisticado. Seu corpo ainda continuava magro, apesar de seu quadril estar mais largo. Bem fizera duas mudanas para continuar desejvel, em seus seios e seu abdmen.
Afinal nenhuma me de cinco filhos, tendo o ltimo h apenas quatro anos estariam com os seios empinados e a barriga lisinha como uma adolescente, caso no tivesse
uma ajudinha da medicina moderna. Mas jamais se submeteria a qualquer procedimento que mudasse seu rosto, pois, a ela, cada ruguinha era uma marca de toda experincia
vivida. Um sorriso, uma tristeza, um dia de puro orgulho materno, ou um dia de pura frustrao! Afinal, at a mais plena e realizada vida, tinha seus dissabores
e at o casal mais apaixonado como ela e Sam, tinham suas desavenas.
      Quando terminava sua contemplao, ela o viu encostado no batente da porta, olhando com os mesmos olhos apaixonados de antes e isso era o melhor em todos esses
anos.
      - Me espionando, Sr. Thunderheart?
      - No, Sra. Thunderheart, admirando...
      E ele se aproximou, ainda mantinha seu andar firme e o corpo forte de antes. Seus cabelos agora eram todos prateados e seu rosto adquirira rugas que o deixavam
mais atraente a cada vinco. Como todos diziam, principalmente seus filhos, ele era um gal, assim como esses astros de cinema que ganham mais charme com o passar
dos anos.
      - Voc est belssima. Como sempre!  falou Sam abraando a cintura de Jess encostando-a em seu corpo, como tantas vezes, havia feito durante os ltimos vinte
e cinco anos, olhando-a nos olhos atravs do espelho, perguntou  pronta para renovar seus votos com esse velho...
      - Voc no  velho!  j haviam tido algumas discusses durante os anos sobre a diferena de idade entre eles, com Sam sempre dizendo que iria chegar uma hora
que ele no conseguiria mais acompanh-la. Tudo uma mentira deslavada, nunca nenhum casal havia sido mais feliz e com tanto ainda a realizar como eles. E ele completou:
      - Eu iria dizer velho charmoso, mas voc no me deixou terminar.
      - Voc  impossvel!
      - Eu sei!  e tirou do bolso um estojo de veludo dizendo  presente para voc!
      Ela abriu com olhos marejados, ele nunca esquecera nenhuma data, o primeiro beijo, data de namoro, aniversrio, a primeira vez, aniversrios de casamento,
at datas como o dia que descobrira que estavam esperando um filho. Ela o amava tanto, cada dia mais!
      Abriu a caixa e dentro havia uma delicada pulseira em ouro branco, como ela gostava e com sete pequeninos cristais facetados.
      - Ela  linda, Sam! Obrigada!
      - Voc ainda no viu tudo. Olhe atentamente.
      Ela olhou mais de perto e viu que em cada cristal, discretamente, havia a imagem gravada de um dos seus filhos, a do seu neto e a de Sam!
      E enlevada, presa mais uma vez naquele abrao, o beijou apaixonadamente, perguntando entre seus lbios:
        Quanto tempo ainda temos?
      Ele respondeu, fechando a pulseira em seu pulso e abrindo o zper de seu vestido:
      - Quanto tempo precisarmos...
      O vestido deslizou suavemente para o cho, enquanto Sam a virava de volta para o espelho e acariciava todo seu corpo.
      - Aqui?  Jessica perguntou j excitada  de p? No sei se ainda tenho essa disposio...
      - Aqui, sim! Quero v-la  e a colocou de frente para o espelho, admirando-a.
      Sam abriu seu cinto e tambm deixou sua cala deslizar para o cho.
      Sempre fora assim para eles, mal conseguiam ficar perto um do outro, sem se tocarem. Estavam sempre trocando beijos, apenas de mos dadas, ou simplesmente
se devoravam com o olhar a distancia.
      Sam estava a ponto de retirar-lhe o suti, quando ouviram a porta do closet abrindo:
      - Pai! Me! J esto todos espe...  era Bryan, seu filho primognito, com 24 anos agora, depois de se fazer envergonhado, virando o rosto, completou quase
frustrado  no de novo, me, quando vocs vo aprender a trancar a porta? Ainda bem que meu timing sempre foi perfeito, se no hoje eu seria um homem perturbado!
Dez minutos  tudo que vocs tm!
      E saiu fechando a porta atrs de si, com fora.
      Os dois comearam a gargalhar.
      - Voc no trancou a porta?!  perguntou Jess.
      - Eu me esqueci!  respondeu Sam gargalhando e continuou  acho que nunca vamos aprender.
      - Acho que no!  completou Jess, tambm rindo  ainda bem, que criamos filhos saudveis e sem preconceitos, ou melhor, com o timing certo, como Bryan observou,
pois no sei que traumas eles poderiam ter!
      Seus filhos, nunca os haviam pegado no ato verdadeiro, sempre era antes ou depois, ou s vezes, somente em carcias mais provocantes.
      Agarrando a lapela do blazer do marido, o puxou para si, dizendo  agora, vem para mim, temos somente dez minutos.
      - Seu desejo  uma ordem, minha moleca.
      E se beijaram como se fosse  primeira vez...

      Bryan retornou para o jardim, onde se realizaria a renovao dos votos de casamento de seus pais. Procurou seus irmos e os achou, todos juntos, perto do altar.
      Brenda e Bryanna (nomes escolhidos por Bryan), as gmeas de vinte e um anos; Harry, de dezessete anos; e Gordon de apenas quatro anos, que corria entre as
pernas dos irmos.
      E quando Bryan se aproximou, todos, o olharam, ele voltava sem seus pais e j sabiam o que acontecera e perguntaram em unssono, menos o caula:
      - De novo?!
      - De novo! Deus, quando eles vo aprender a trancar a bendita porta?!  falou Bryan entre mal humorado e divertido. Sua esposa, grvida de trs meses, se aproximou
segurando seu filho de dois anos nos braos e tambm perguntou, vendo a expresso do marido:
      - De novo?!
      Ele assentiu e ela com o brao livre abraou o marido pela cintura e lhe deu um leve beijo nos lbios, murmurando:
      - Voc mais do que ningum deveria compreender...
      - Sim, eu deveria  e de seus olhos, to azuis como de seu pai, transbordava o sentimento que nutria pela esposa, que com certeza se equiparava com o de seus
pais: O amor verdadeiro.
PDL  PROJETO DEMOCRATIZAO DA LEITURA




Andria Patrcia Morangoni  Meu Primeiro e nico Amor
